Libertadores

Argentinos Juniors x Fluminense: Milito e Diniz são iguais até nas críticas

O Fluminense enfrenta o Argentinos Juniors nesta terça (1), às 19h, no Estádio Diego Armando Maradona, em Buenos Aires, na partida de ida das oitavas de final da Libertadores, mas fora de campo, outro encontro marcará a noite. No banco de reservas ao lado, Fernando Diniz encontrará Gabriel Milito, sua versão argentina… até nas críticas que recebe.

Se não há um fenômeno parecido com o “Dinizismo” na Argentina, o nem tão popular Milito viveu os mesmos dois lados da moeda que o técnico do Fluminense e da Seleção. Basta ser tão “diferente” quanto Diniz.

Argentinos Jrs
01/08/23 - 19:00

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Fluminense

Argentinos Jrs - Fluminense

Copa Libertadores - Diego Armando Maradona

4° Turno

A Trivela conversou com jornalistas argentinos para entender melhor o que está por trás do trabalho mais longevo da elite do futebol do país. Ex-zagueiro da seleção argentina e do Barcelona, Gabriel Milito comanda o Argentinos Juniors desde fevereiro de 2021.

O futebol ofensivo e que valoriza a posse de bola faz dele um técnico “não-convencional”, nas palavras da imprensa argentina.

Assim como Fernando Diniz, corre riscos considerados “desnecessários” e convive com entre o céu dos elogios e o inferno das críticas — e curiosamente, ambos detestam esse clichê.

Resgate da cultura de futebol de Brasil e Argentina

Fernando Diniz é um legítimo representante do “estilo brasileiro” de jogar futebol. Do outro lado da fronteira, Gabriel Milito também mostra o “argentinismo puro”, de acordo com a crítica especializada.

— Ele começou a carreira com o pé esquerdo, mas o tempo lhe deu razão. É um bom treinador, com boas ideias e aprendizagem “culé”. Ele é muito adaptado ao futebol argentino e sua cultura, mesmo com o Barcelona como escola. Seu time é o “argentinismo puro” e é o futebol que as pessoas gostam — afirma Martin Macchiavello, editor do “Olé“.

As equipes de Milito correm “riscos desnecessários” de acordo com a imprensa argentina, mas no Argentinos Juniors, em um trabalho mais longo, o técnico mostrou evolução. Sem trair seus ideais.

— Não o vejo como um técnico tradicional. Mas ele consegue que suas equipes tenham a identidade do seu jogo. Gosta da bola no chão, em posse, com muitos passes e um jogo atraente. Mesmo que não tenha as melhores peças, consegue que suas equipes tenham identidade — disse Alejandro Casar, redator do “La Nación“.

Críticas e “torcida contra” dos conservadores

A cada novo desafio que Diniz aceita em seu trabalho, a primeira má fase é cercada das mesmas críticas. Quem não gosta do estilo diferente do treinador costuma fazer piada com alguns erros repetidos. Nas redes sociais, até uma “cartilha do Dinizismo” viraliza a cada grande derrota.

Nada que Gabriel Milito não esteja acostumado.

— O futebol de Guardiola é admirado na Argentina, mas nenhum torcedor quer ver seu time jogar assim. Muitas vezes, entretanto, embora o estilo faça sucesso, quando as equipes de Milito perdem, as pessoas na Argentina também gostam. O “diferente” é muito criticado quando não faz sucesso. No Independiente e no Estudiantes, ele não foi bem, e muita gente realmente “torcia contra” e comemorava seu insucesso, apenas por ser diferente — opinou Macchiavello.

Técnicos tem ‘casamento perfeito’ com adversários da noite

— Ele vive a partida com uma paixão inusitada — define Casar.

A resposta do redator do La Nación a uma pergunta sobre o “estilo” de Milito poderia muito bem ser uma definição do técnico do Fluminense.

Além disso, ambos se sentem muito em casa comandando os adversários desta noite. Ex-jogador do clube e amigo pessoal de membros da diretoria, Fernando Diniz retornou ao Flu três anos depois de uma demissão, mais maduro, para um novo ciclo.

Apoiado pelo presidente Mário Bittencourt e os diretores Paulo Angioni e Fred, Diniz sempre gozou do prestígio com grande parte da torcida, que foi contra sua demissão mesmo com resultados pífios no primeiro trabalho.

Em 2023, o treinador conquistou seu primeiro título, no Campeonato Carioca. Não à toa, o bom trabalho lhe alçou ao cargo de técnico (interino?) da Seleção. No país ao lado, Milito também encontrou “sua metade da laranja” no Argentinos Juniors.

— Milito encontrou no Argentinos Juniors a sua metade da laranja. É um lugar que valoriza e exige jogar um futebol vistoso, ofensivo, bonito, está em seu DNA. É um casamento perfeito — ressaltou Martin Macchiavello.

Fluminense na Libertadores 2023

  • Classificado às oitavas de final no 1º lugar do grupo D com 10 pontos
  • 55% de aproveitamento na fase de grupos
  • Enfrenta o Argentinos Juniors nas oitavas de final
Foto de Caio Blois

Caio Blois

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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