Libertadores

Flamengo luta contra retrospecto que beira o péssimo na altitude

O Flamengo apresenta aproveitamento de 38,9% em jogos com altitude superior a 2500 metros, válidos pela Copa Libertadores

A altitude acompanhará o Flamengo ao longo de praticamente toda a fase de grupos da Libertadores, e na estreia não será diferente, já que Tite e companhia enfrentam o Millonarios na altitude Bogotá. Os 2600 metros acima do nível do mar não são o máximo que o Rubro-Negro atingiu na história da competição, mas assustam. O retrospecto, sem dúvida, não ajuda.

Por mais que não tenha perdido da última vez que foi ao El Campín, embora o compromisso tenha sido bem fora da curva, o retrospecto do Flamengo em altitudes acima de 2500 metros — consideradas mais fortes — é péssimo, inferior a 40%. Foram 12 jogos por Libertadores nessas circunstâncias, sendo quatro vitórias, dois empates e seis derrotas. Os maiores carrascos do clube carioca, sem dúvida, são os clubes bolivianos.

As quatro vitórias

Se o retrospecto do Flamengo na altitude é ruim, a estreia apontava caminhos diferentes. O Rubro-Negro jogou nessas condições em Libertadores pela primeira vez no ano mágico de 1981 e venceu o Jorge Wilstermann em Cochabamba. A atuação não foi brilhante, mas a equipe de Zico e companhia venceu com gols de Baroninho e Adílio, rumo ao título inédito da competição continental.

A manchete do Jornal O Globo após a vitória do Flamengo sobre o Jorge Wilstermann (Foto: Reprodução)

O Flamengo só voltaria a vencer na altitude 17 anos depois da estreia. A bola da vez foi o Cienciano, nos quase 3400 metros acima do nível do mar de Cusco, mais precisamente no Estádio Garcilaso de La Vega. A baixa temperatura também não ajudava, mas o Rubro-Negro soube jogar com a vantagem e venceu por meio dos pés de Renato Augusto, Toró e Juan. É o placar mais elástico do clube nessas circunstâncias.

Renato Augusto comemora um dos gols do Flamengo na vitória sobre o Cienciano, em Cusco (Foto: Divulgação)

Os dois últimos triunfos foram bem mais recentes. O primeiro veio na estreia da Libertadores de 2019, diante do San José, em Oruro, com um Diego Alves inspirado e Gabigol preciso para garantir a vitória pela margem mínima. As coincidências, inclusive, podem indicar que um resultado positivo nesses moldes prevê o título. Depois, o Flamengo bateu a LDU por 3 a 2 em Quito, pela fase de grupos de 2021, com gols de Bruno Henrique e Gabriel Barbosa.

Gabigol e Bruno Henrique foram protagonistas das últimas duas vitórias do Flamengo na altitude (Foto: Alexandre Vidal/CRF)

As derrotas mais doídas

Ainda que tenha perdido para o Bolívar na década de 80, os principais reveses do Flamengo na altitude vieram nos últimos dez anos. O primeiro, inclusive, foi justamente diante do clube boliviano, em 2014, quando perdeu por 1 a 0 em La Paz. A derrota complicou a situação do Rubro-Negro no Grupo 7 e, no fim, acabou sendo fundamental para a eliminação na fase inicial.

O Jornal O Globo destacou a derrota do Flamengo para o Bolívar, em 2014 (Foto: Reprodução)

Em situação muito semelhante, só que cinco anos depois, o Flamengo foi derrotado pela LDU, em Quito, por 2 a 1. Comandado por Abel Braga, o Rubro-Negro até saiu na frente com Bruno Henrique, mas sofreu a virada no segundo tempo e, novamente, se complicou em seu grupo. O final, contudo, foi diferente, já que o clube da Gávea conseguiu a classificação em empate sem gols diante do Peñarol, no Uruguai, rumo ao título daquela edição.

A mais marcante, no entanto, veio dos pés do Independiente Del Valle. Ainda se adaptando às ideias de Domènec Torrent, após a saída de Jorge Jesus, e às vésperas de um surto de Covid-19 que tiraria mais da metade do elenco, o Flamengo sofreu a maior goleada de sua história em Libertadores. Os 5 a 0 em Quito não interferiram na classificação do grupo, e o Rubro-Negro chegou a dar o troco com um 4 a 0 no Maracanã, mas ficou de exemplo.

Retrospecto recente é ruim

O Rubro-Negro é figurinha carimbada na Libertadores desde 2017 e, a partir daí, teve resultados misturados. Foram seis jogos no período, com duas vitórias, um empate e três derrotas. O Flamengo, inclusive, perdeu o último jogo que disputou nessas circunstâncias, justamente na estreia do ano passado, contra o Aucas, em Quito. O revés foi uma das razões pela demissão do técnico Vítor Pereira.

Os resultados e, sobretudo, o nível dos adversários, explicitam de vez o poder da altitude. Por mais que o faturamento seja bilionário, e o elenco esteja entre os melhores da América, jogar no alto das montanhas sul-americanos sempre vai ser um desafio. O próximo começa a partir das 19h (de Brasília), no Estádio El Campín.

Relembre todos os jogos do Flamengo na altitude* em Libertadores

  • Jorge Wilstermann 1 x 2 Flamengo – 13 de outubro de 1981, em Cochabamba (BOL) – Semifinal (2ª Fase)
  • Bolívar 3 x 1 Flamengo – 08 de abril de 1983, em La Paz (BOL) – Fase de grupos
  • Real Potosí 2 x 2 Flamengo – 14 de fevereiro de 2007, em Potosí (BOL) – Fase de grupos
  • Cienciano 0 x 3 Flamengo – 09 de abril de 2008, em Cusco (PER) – Fase de grupos
  • Real Potosí 2 x 1 Flamengo – 25 de janeiro de 2012, em Potosí (BOL) – Fase prévia
  • Bolívar 1 x 0 Flamengo – 19 de março de 2014, em La Paz (BOL) – Fase de grupos
  • Independiente Santa Fé 0 x 0 Flamengo – 25 de abril de 2018, em Bogotá (COL) – Fase de grupos
  • San José 0 x 1 Flamengo – 05 de março de 2019, em Oruro (BOL) – Fase de grupos
  • LDU 2 x 1 Flamengo – 24 de abril de 2019, em Quito (EQU) – Fase de grupos
  • Independiente Del Valle 5 x 0 Flamengo – 17 de setembro de 2020, em Quito (EQU) – Fase de grupos
  • LDU 2 x 3 Flamengo – 04 de maio de 2021, em Quito (EQU) – Fase de grupos
  • Aucas 2 x 1 Flamengo – 05 de abril de 2023, em Quito (EQU) – Fase de grupos

*Acima dos 2500 metros

Maiores altitudes:

  • Potosí, na Bolívia – 4.090 metros
  • Oruro, na Bolívia – 3700 metros
  • La Paz, na Bolívia – 3640 metros
Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance! e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
Botão Voltar ao topo