Libertadores

Com facilidade que até assustou, Del Valle colocou o Flamengo na roda e goleou por 5 a 0

O Flamengo sabia o quão competente é o Independiente del Valle. Enfrentou-o na Recopa e teve seus problemas, embora no fim tenha sido campeão com um placar amplo. Não é mais o mesmo Flamengo, porém. Aquele estava pronto. Este está no começo e, em um dia particularmente ruim, em uma semana particularmente ruim, foi colocado na roda pelo estilo plástico e eficiente dos equatorianos e sofreu sua maior derrota na história da Libertadores: 5 a 0, em Quito.

Havia a altitude como complicador para os rubro-negros, e esse contraste entre um projeto ainda em fase inicial e outro muito avançado, mas nada que desculpe a atuação fraquíssima do Flamengo nos dois lados do gramado. O goleiro Jorge Pinos precisou fazer apenas uma defesa em cada tempo, em chutes de Éverton Ribeiro e Bruno Henrique, ambos pouco perigosos. Na defesa, teve problemas na pressão, na recomposição e, bom, em todo o resto também.

O Del Valle dominou as ações desde o primeiro tempo. Gabriel Torres exigiu boa defesa de César em cobrança de falta. Luis Segovia fez o mesmo à média distância e Torres perdeu um gol cara a cara após bola recuperada por Guerrero no meio-campo. O primeiro gol, aos 39 minutos do primeiro tempo, saiu de um passe do meio-campo que atravessou a linha de meio-campo do Flamengo e encontrou Beder Caicedo atrás de Willian Arão.

Arão não encostou em Caicedo, e o Del Valle atacou com cinco jogadores contra quatro. O passe chegou a Gabriel Torres, após corta-luz de Moisés Caicedo, que entrou na área, recebeu de volta e bateu cruzado para abrir o placar.

O único momento em que o Flamengo se aproximou de entrar no jogo foi no começo do segundo tempo quando Gabigol recebeu o cruzamento da direita na boca do gol, mas, travado, bateu por cima. Logo em seguida, dois minutos depois, o Del Valle ampliou, em outra jogada bem preocupante, porque Angelo Preciado avançou do meio-campo, com Arão o observando à distância. Tabelou com Faravelli e recebeu de volta com muita liberdade. Tanta liberdade que parou a bola com a sola do pé, rolou, olhou para o gol e bateu bonito. Ninguém fez menção de ameaçá-lo.

E aí as coisas foram de mal a pior para o Flamengo. Lançou-se ao ataque, se expôs ainda mais na defesa, e levou dois gols clássicos de quem está nessa situação. O de Gabriel Torres, após um contra-ataque bem armado pelo Del Valle, de fora da área, e o de Jhon Sánchez com um bonito toque de calcanhar depois de Caicedo bater a carteira de Rodrigo Caio no meio-campo e avançar pela esquerda com muita tranquilidade.

Caicedo havia feito por merecer fazer o seu gol. Saiu nos acréscimos do segundo tempo, quando realmente os efeitos da altitude têm bastante influência, de mãos dadas com o desânimo de um campeão de orgulho ferido. Mas expôs problemas parecidos novamente porque Rivero recebeu outra bola nas costas da linha de meio-campo. Não havia ninguém em sua volta, ninguém se aproximou, e ele carregou até deixar de lado para o chute de fora da área de Caicedo.

Quando o atual campeão da Libertadores leva uma goleada dessas, nunca é apenas uma coisa só. Neste caso, um time que ainda está em processo de mudança de identidade enfrentou outro que sabe exatamente quem é. Um time que já tem problemas defensivos e teve uma intensidade ainda abaixo do normal contra outro que sabe muito bem aproveitar espaços. E isso sem nem entrar no fato de que o Flamengo também criou muito pouco.  Nesse cenário, assustou como o Del Valle fez 5 a 0 sem nem precisar forçar. mas também não é tão difícil de explicar.

.

.

.

.

.

.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo