Libertadores

Início da temporada indica o principal desafio do futebol sul-americano na Libertadores

Times de outros países precisam provar que, apesar da desvantagem financeira, dá para vencer os brasileiros

O domínio brasileiro na Copa Libertadores tem sido completo — seis triunfos consecutivos, quatro vezes contra outro time brasileiro na final. Mas será que tem um pouquinho de esperança este ano pelo resto do continente?

As vitórias de Racing em cima de Botafogo e Barcelona contra Corinthians indicam que sim — embora haja fatores especiais nos dois casos. O Botafogo deixa muito claro que o seu ano tem oito meses — ou seja, nem começou ainda. E o Corinthians, como alertamos aqui antes dos jogos, está levando o ônus e o bônus de jogar como dois atacantes e um dez, um esquema que nem sempre fica fácil equilibrar.

Ainda assim, a eliminação do Corinthians e a derrota incontestável do Botafogo na Recopa servem como inspiração para os times dos demais países sul-americanos. Apesar da grande (e crescente) diferença financeira entre o Brasil e os outros, com sorte, competência, e, precisando, bastante cera, ainda tem como ganhar.

Mundial ainda prejudica brasileiros na Libertadores

E este ano tem mais um fator. Palmeiras, Flamengo e Botafogo vão jogar no novo Mundial de Clubes, trazendo bastante dinheiro mas também cansando os seus elencos no calor do verão nos Estados Unidos. Não vai ser fácil administrar, e pode ter um preço a pagar na reta final da Libertadores.

Claro, o Brasil tem vários outros representantes. O Luis Zubeldía já declarou que o São Paulo vai ganhar a taça, o Internacional é um candidato forte, e também tem um o crescimento do Nordeste. Depois de disputar a final da Sul-Americana em 2023, os torneios continentais viraram rotina na vida do Fortaleza, e essa Libertadores assume uma grande importância para o Bahia.

Mesmo assim, 2025 pode ser o ano em que o domínio brasileiro sofre mais ameaças. Os adversários parecem mais fortes que ultimamente.

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Os principais concorrentes

Verdade, o River Plate também está no Mundial dos Clubes, e o time ainda não engrenou nesta segunda passagem de Marcelo Gallardo. Mas tem o Racing embalado, tem Estudiantes com poder de investimento. E tem Talleres, de Córdoba, numa ascensão muito interessante como força nacional.

O ano passado foi decepcionante para Equador e Paraguai, dois países que normalmente vem com um golpe bem mais forte que o seu peso. Mas em 2025, estarão muito bem representados. 

Além de Barcelona, os conquistadores do Corinthians, tem as duas forças do capital: Liga de Quito (ou LDU) e Independiente del Valle. Vão incomodar. E o Cerro Porteño, do Paraguai, deixou uma impressão muito positiva nas rodadas de classificação, e agora tem a companhia de Olímpia e Libertad, todos adversários de respeito.

Cerro Porteno v Melgar: Third round Leg 2 of 2 – CONMEBOL Libertadores 2025
Cerro Porteño também jogará a fase de grupos da LIbertadores (Foto: Imago)

Ano passado o Peñarol, do Uruguai, foi a grande surpresa, eliminando o Flamengo e chegando nas semifinais. Pode repetir? E inspirou o seu grande rival, o Nacional? Em vez de um time de jovens promissores, logo vendidos, o elenco de Peñarol no ano passado frisou mais a experiência, e mudou pouco. Não deveria ser subestimado.

O país mais decepcionante nos últimos anos tem sido Colômbia, que iniciou mal, logo perdendo Santa Fé e Tolima antes da fase de grupos. Mas tem esperanças em Atlético Nacional, que deve ter o melhor time desde que ganhou a Libertadores nove anos atrás — quando o domínio brasileiro ainda não existia.

Uma ameaça e um grande desafio

Esse domínio, claro, hoje em dia é fato. Quando a Leila Pereira fala em deixar a Conmebol para juntar-se à Concacaf, tem muito mais ali além de um protesto contra o racismo. Tem oportunidades também — de jogar competitivamente contra os times do México e dos Estados Unidos. 

Essas oportunidades são esportivas e comerciais. Neste pensamento, tem a ideia, no fundo, que o futebol brasileiro cresceu demais em comparação com as rivais continentais. Daí o grande desafio do futebol sul-americano na Libertadores de 2025 — de provar que, apesar da grande desvantagem financeira que tem, dá para vencer os brasileiros de vez em quando.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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