Libertadores

Tim Vickery: Como libertar a Libertadores do desequilíbrio?

Abismo financeiro entre Brasil e vizinhos é inegável na maior competição continental

A graça da primeira semana da Copa Libertadores é a seguinte: os favoritos estão todos fora de casa, e, num continente onde o mando de campo pesa, sempre existe a possibilidade de uma derrota para colocar um pouquinho de pressão em cima dos peixes grandes.

Mas não passa de um paliativo. Verdade, o futebol sempre tem espaço para surpresas — como por exemplo, O’Higgins de Chile já eliminou o Bahia na rodada classificatória. Mas o abismo financeiro entre o Brasil e os outros é inegável, e daí a gente sabe mais ou menos quem vai estar aí na reta final. Todo mundo espera que, mais uma vez, a maior taça do continente quase não passe de uma réplica da Copa do Brasil.

Como, então, liberta a Libertadores desse domínio de um país só?

Por uma Libertadores menos desequilibrada

Everton Cebolinha, do Flamengo, beija a taça da Copa Libertadores
Everton Cebolinha, do Flamengo, beija a taça da Copa Libertadores. Foto: IMAGO / Action Plus

Obviamente, o principal desafiador é a Argentina, por tantos anos o país com mais títulos na competição. Nesta campanha, porém, não tem o River Plate. Os millonarios de Buenos Aires nem se classificaram, e vão ter que se contentar com a Copa Sul-Americana. 

O River, em 2018, foi o último clube não-brasileiro a ganhar a taça, e, com um elenco de profundidade e o estádio de maior capacidade do continente, cada vez desde então tem sido apontado como a grande esperança. Mas, campanha atrás de campanha, enfrentou o mesmo problema; com o seu futebol expansivo e ofensivo, não foi capaz de defender contra a qualidade que os times brasileiros agora estão colocando em campo.

Mesmo assim, mesmo sem o River na briga, nos últimos meses o futebol argentino vem fornecendo alguns motivos para um otimismo moderado. O jogo aberto e alegre do River Plate não vem dando resultados. Mas o super-rico campeão da Libertadores tem sido incomodado várias vezes por adversários argentinos bem mais modestos jogando dentro das suas limitações.

Torcedores do River Plate no Más Monumental
Torcedores do River Plate no Más Monumental. Foto: IMAGO / Camilla Stolen

Ano passado o estreante Central Córdoba conseguiu a façanha de vencer o Flamengo dentro do próprio Maracanã, e depois empatou com méritos diante de seu povo. Já na fase mata-mata, o Rubro-Negro passou por confrontos titânicos e tensos com Estudiantes e Racing. E, neste ano, ocasionando a queda de Filipe Luís, o Lanús, um clube de bairro, venceu o Flamengo nos dois jogos da Recopa.

Os argentinos, então, mostraram que podem competir — de uma maneira nem sempre vantajosa pela qualidade do espetáculo. Podem atuar com lampejos de futebol bem jogado, é verdade. Mas também, juntos com a luta e a marcação, vem a reclamação e a cera, com a intenção de quebrar o ritmo dos jogos e equilibrar o conflito. Parece a única saída.

Quinta feira tem Platense x Corinthians, e na semana que vem o Fluminense joga em casa contra o Independiente Rivadavia — dois jogos de modestos estreantes argentinos contra os elencos cheios de estrelas multinacionais que tem hoje em dia os grandes clubes do Brasil. São confrontos típicos da atual Copa Libertadores.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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