Tim Vickery: Como libertar a Libertadores do desequilíbrio?
Abismo financeiro entre Brasil e vizinhos é inegável na maior competição continental
A graça da primeira semana da Copa Libertadores é a seguinte: os favoritos estão todos fora de casa, e, num continente onde o mando de campo pesa, sempre existe a possibilidade de uma derrota para colocar um pouquinho de pressão em cima dos peixes grandes.
Mas não passa de um paliativo. Verdade, o futebol sempre tem espaço para surpresas — como por exemplo, O’Higgins de Chile já eliminou o Bahia na rodada classificatória. Mas o abismo financeiro entre o Brasil e os outros é inegável, e daí a gente sabe mais ou menos quem vai estar aí na reta final. Todo mundo espera que, mais uma vez, a maior taça do continente quase não passe de uma réplica da Copa do Brasil.
Como, então, liberta a Libertadores desse domínio de um país só?
Por uma Libertadores menos desequilibrada
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F03%2FEverton-Cebolinha-do-Flamengo-beija-a-taca-da-Copa-Libertadores-scaled.jpg)
Obviamente, o principal desafiador é a Argentina, por tantos anos o país com mais títulos na competição. Nesta campanha, porém, não tem o River Plate. Os millonarios de Buenos Aires nem se classificaram, e vão ter que se contentar com a Copa Sul-Americana.
O River, em 2018, foi o último clube não-brasileiro a ganhar a taça, e, com um elenco de profundidade e o estádio de maior capacidade do continente, cada vez desde então tem sido apontado como a grande esperança. Mas, campanha atrás de campanha, enfrentou o mesmo problema; com o seu futebol expansivo e ofensivo, não foi capaz de defender contra a qualidade que os times brasileiros agora estão colocando em campo.
Mesmo assim, mesmo sem o River na briga, nos últimos meses o futebol argentino vem fornecendo alguns motivos para um otimismo moderado. O jogo aberto e alegre do River Plate não vem dando resultados. Mas o super-rico campeão da Libertadores tem sido incomodado várias vezes por adversários argentinos bem mais modestos jogando dentro das suas limitações.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F04%2FTorcedores-do-River-Plate-no-Mas-Monumental-scaled.jpg)
Ano passado o estreante Central Córdoba conseguiu a façanha de vencer o Flamengo dentro do próprio Maracanã, e depois empatou com méritos diante de seu povo. Já na fase mata-mata, o Rubro-Negro passou por confrontos titânicos e tensos com Estudiantes e Racing. E, neste ano, ocasionando a queda de Filipe Luís, o Lanús, um clube de bairro, venceu o Flamengo nos dois jogos da Recopa.
Os argentinos, então, mostraram que podem competir — de uma maneira nem sempre vantajosa pela qualidade do espetáculo. Podem atuar com lampejos de futebol bem jogado, é verdade. Mas também, juntos com a luta e a marcação, vem a reclamação e a cera, com a intenção de quebrar o ritmo dos jogos e equilibrar o conflito. Parece a única saída.
Quinta feira tem Platense x Corinthians, e na semana que vem o Fluminense joga em casa contra o Independiente Rivadavia — dois jogos de modestos estreantes argentinos contra os elencos cheios de estrelas multinacionais que tem hoje em dia os grandes clubes do Brasil. São confrontos típicos da atual Copa Libertadores.