Libertadores

Por que queda do Bahia para o O’Higgins tem cara de vexame e soa como recado ao Grupo City

Queda diante de rival mais frágil reacende dúvidas sobre ambição e rumo do projeto tricolo

A queda do Bahia diante do O’Higgins, nesta quarta-feira (25), na Arena Fonte Nova, tem contornos de vexame que vão além do placar ou da frustração esportiva imediata. Trata-se de uma eliminação precoce na Copa Libertadores — antes mesmo da fase de grupos — contra um adversário tecnicamente e financeiramente inferior, num momento em que o clube baiano deveria começar a traduzir investimento e estrutura em protagonismo real no continente.

O roteiro, com vitória simples em casa após derrota no Chile e queda nos pênaltis, apenas acentua a sensação de oportunidade desperdiçada. E o peso simbólico aumenta quando se observa o contexto do projeto do Grupo City.

Ainda que o aporte específico para 2026 tenha sido mais contido, o Tricolor de Aço já vive há algumas temporadas sob um guarda-chuva de modernização, profissionalização e expectativa elevada. Nesse cenário, cair para um O’Higgins organizado, mas limitado em comparação de elencos e recursos, soa como sinal de que o salto competitivo prometido ainda não se materializou.

Não é apenas uma derrota: é um tropeço que expõe a distância entre discurso de longo prazo e desempenho imediato.

A eliminação também reforça um padrão incômodo. Se no Brasileirão o Bahia tem sido competitivo e estável — ainda que longe da briga pelo título —, nos mata-matas a equipe tem falhado de forma recorrente. Em 2025, caiu nas quartas da Copa do Brasil, parou na fase de grupos da própria Libertadores e foi eliminada nos playoffs das oitavas da Copa Sul-Americana. Agora, em 2026, sequer chegou à fase principal da Libertadores.

Esse contraste levanta questionamentos inevitáveis sobre a ambição e o direcionamento esportivo do Grupo City em Salvador.

Até que ponto o Bahia é visto como projeto estratégico de protagonismo continental e não somente como plataforma de desenvolvimento e circulação de ativos?

A lógica de construção gradual é compreensível — e até desejável —, mas eliminações para adversários de menor expressão colocam em xeque a velocidade e a intensidade desse crescimento.

No fim, a queda para o O’Higgins funciona como recado em duas direções. Internamente, expõe que organização e investimento, por si só, não garantem maturidade competitiva em jogos de alta pressão. Externamente, sinaliza ao Grupo City que o projeto Bahia precisa de mais do que estabilidade: precisa de salto qualitativo em elenco, mentalidade e gestão de mata-mata.

Como foi Bahia 2 x 1 O’Higgins

O Bahia precisou de um lance para incinerar a vantagem do O’Higgins. No primeiro ataque do jogo, Ademir recebeu de Everton Ribeiro pela direita e cruzou rasteiro na direção de Willian José, que, de primeira, completou para as redes.

O time de Rogério Ceni seguiu em cima dos chilenos, controlando a partida e ditando o ritmo das ações ofensivas. Não à toa, foi novamente recompensado pela postura agressiva. Com 42′ no relógio, Ademir cruzou da direita, e Erick Pulga acabou derrubado por Faúndez dentro da área. Pênalti. Carabalí defendeu a cobrança de Willian José no lado esquerdo, mas o atacante pegou o rebote e empurrou para o gol vazio.

No segundo tempo, porém, as coisas mudaram. Nas cordas e vendo a classificação escapar, o O’Higgins se viu obrigado a aumentar sua produção ofensiva. Foi o que fez – e deu certo. Aos oito minutos, o Bahia vacilou, os chilenos recuperam a posse no campo de ataque, e Sarrafiore cruzou da esquerda para Castillo. Completamente livre, o camisa 9 só teve o trabalho de escorar para as redes.

Nos pênaltis, Ronaldo até fez sua parte inicialmente pegando um pênalti dos chilenos, mas Dell e Everton Ribeiro bateram mal e tiveram suas cobranças defendidas pelo goleiro adversário, sacramentando a eliminação do Tricolor.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo