Independiente ‘declara guerra’ contra a Conmebol e acusa entidade de privilegiar SAF
Clube argentino se revolta após punição pesada na Sul-Americana e cobra posição até de Claudio Tapia
O Independiente vive dias de tensão e de enfrentamento direto com a Conmebol. A desclassificação da Copa Sul-Americana, somada a uma dura punição financeira e disciplinar, fez a diretoria do clube de Avellaneda partir para uma ofensiva inédita contra a entidade.
Em carta oficial enviada ao presidente da Conmebol Alejandro Domínguez, os dirigentes acusaram a confederação de privilegiar modelos empresariais no futebol e até exigiram que o nome e os objetos ligados ao clube sejam retirados do Museu da Conmebol.
A carta do Independiente que incendiou a relação
A organização decidiu excluir o Rojo da Copa Sul-Americana e classificar a Universidad do Chile às quartas de final pela barbárie vivida em 20 de agosto, no duelo entre os dois. A Comissão Diretiva do Independiente publicou uma carta muito dura dirigida ao presidente da Conmebol, repudiando a desqualificação.
A decisão da Conmebol atingiu duramente o Independiente: o clube terá de pagar 250 mil dólares, jogar 14 partidas sem público e ainda viu a Universidad de Chile avançar de fase.

A comparação entre as punições também gerou revolta, já que os chilenos desembolsarão valor menor (120 mil dólares) e, mesmo com os incidentes violentos, garantiram vaga nas quartas de final.
Diante do cenário, a diretoria do Rojo optou por uma postura agressiva. No documento enviado a Domínguez, a acusação foi explícita:
“Ao decidir a favor deles, a Conmebol não apenas viola seu próprio estatuto e jurisprudência, mas confirma um rumo em que os lucros pesam mais do que a verdade esportiva”.
Os dirigentes insinuaram que a decisão teve motivação política e ressaltaram que a Universidade do Chile atua como Sociedad Anónima Deportiva (SAD), um esquema semelhante à SAF brasileira, enquanto o Independiente ainda se mantém como associação civil sustentada por sócios.
A carta também fez duras exigências: a retirada imediata do nome do clube do Museu da Conmebol e a devolução de todos os itens que eventualmente tenham sido cedidos.
“Essa resolução não é um erro jurídico de um tribunal: é uma decisão política que expõe a preferência por aquelas estruturas privadas com as quais é mais fácil projetar acordos, negócios e benefícios futuros”, reforçou o texto.
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Repercussão na Argentina e reunião com Tapia
O impacto foi imediato. Em Avellaneda, a cúpula acredita que houve favorecimento direto à La U, especialmente após rumores de que Michael Clark, presidente do clube chileno, teria conversado por telefone com Domínguez durante o processo. A suspeita apenas intensificou o clima de desconfiança.
Compartimos con nuestras socias, socios e hinchas la nota que el Club Atlético Independiente le presentó hoy al Presidente de la CONMEBOL, Alejandro Domínguez. pic.twitter.com/CG4WMGM6mZ
— C. A. Independiente (@Independiente) September 5, 2025
No mesmo dia em que a carta foi revelada, o presidente do Independiente, Néstor Grindetti, e outros dirigentes se reuniram com Claudio Tapia, presidente da AFA, no centro de treinamento da seleção argentina, em Ezeiza.
A reunião foi longa e, apesar do tom cordial, evidenciou a gravidade da crise. Tapia, que mantém boa relação com Domínguez, tentou amenizar a situação e ouviu as reclamações do clube argentino.
Ainda assim, a carta enviada a Luque já surtiu efeito: o Independiente abriu um conflito direto com a Conmebol, expondo uma disputa que vai além de campo e bola. O episódio aprofunda a tensão institucional no relacionamento entre o tradicional clube argentino e a entidade máxima do futebol sul-americano.



