Copa do Mundo sub-20 dá importante lição e Brasil paga preço por adotar o pior caminho
Argentinos e marroquinos disputam o maior título da divisão de base de seleções
A Argentina vai disputar a final da Copa do Mundo sub-20 neste domingo contra o Marrocos como favorita, com a possibilidade de adicionar mais um título. Os “hermanos” já levantaram essa taça seis vezes.
Se rolar, o triunfo número sete vai ter a sua própria glória. Mas, em termos da importância, pode ser a vitória menos impactante. Basta lembrar dos destaques das conquistas anteriores — como Diego Maradona em 1979, Juan Roman Riquelme em 1997, Javier Saviola em 2001, Lionel Messi em 2005, Sergio Agüero e Ángel Di María em 2007. Hoje em dia, jogadores dessa qualidade dificilmente disputam o Mundial Sub-20.
Sem grandes destaques, Copa do Mundo sub-20 vira coleção aleatória
O esporte mudou. Os gramados, especialmente na Europa, são muito melhores do que 30 anos atrás. Isso muda o desenvolvimento dos jogadores. Talento tem mais chance de florescer, especialmente porque, hoje em dia, o jogador habilidoso recebe muito mais proteção dos juízes. Uma clara consequência de tudo isso — mais espaço no futebol da elite para jovens.
Vários atletas adolescentes hoje em dia são destaques nos seus clubes — e já que não há qualquer obrigação de liberar jogadores para o Mundial Sub-20, cada vez mais os melhores da categoria não estão presentes no torneio.

A própria seleção da Argentina é um grande exemplo. O destaque no torneio da classificação, o Sul-Americano Sub-20, foi “El Diablito” Claudio Echeverri (emprestado pelo City ao Leverkusen). Também jogou Franco Mastantuono, hoje em dia do Real Madrid. Já que são importantes nos seus clubes, nenhum dos dois foi liberado para o torneio que agora está na reta final no Chile.
O Mundial Sub-20, então, virou uma coleção meio aleatória dos jogadores, um caso de “rezar e juntar quem está disponível”.
No futebol da base, o resultado nunca deveria ser a prioridade. A meta principal sempre deveria ser o desenvolvimento dos jovens. Mas pode ser que as circunstâncias atuais do Mundial Sub-20 façam com que o resultado seja menos importante ainda.
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Mundial sub-20 deixa de ser sinônimo de sucesso
Vale lembrar que, até domingo pelo menos, o atual campeão é o Uruguai. O time que venceu a Itália na final dois anos atrás pareceu realmente bom. Mas “o depois” tem sido decepcionante.
A expectativa era enorme. A seleção do Uruguai voltou a ser uma força mundial nos últimos anos baseado em produtos do sub-20. Ai, vários campeões de 2023 estariam disputando a grande Copa do Mundo em 2026.
Dois anos mais tarde, não parece provável. Podemos concluir que, até agora, ninguém do time de 23 fez um progresso impressionante. A grande estrela foi o atacante Luciano Rodriguez, que não fez grande sucesso no Bahia e agora joga na Arábia Saudita.
Ainda tem uma questão de definição. Ele é o quê? Centroavante, ou jogador para os lados? “Lucho” é o único do time de 23 que participou nas eliminatórias para a Copa — uma vez, saindo do banco.

Sebastian Boselli, zagueiro classudo, foi para a Argentina, onde ficou bastante tempo no banco, ou no River Plate ou no Estudiantes. Fabricio Diaz, o capitão e cérebro do meio-campo, foi para o mundo árabe. Mateo Ponte, o lateral-direito ofensivo, é reserva no Botafogo.
A conclusão: o Mundial sub-20 tem a sua importância. É muito bom para para um grupo de jovens a experiência de competir contra outras escolas e estilos. Mas hoje, mais que nunca, ser campeão não é nenhuma garantia de glória no futuro. Pensando assim, é muito melhor focar em desenvolver atletas do que fazer qualquer coisa na caça de um ouro que já não brilha com a mesma intensidade.
O pior caminho, então, é aquele tomado pela seleção brasileira neste torneio — apostar tanto em biotipo, em jogadores altos e fortes. Se pode ganhar uma vantagem de curto prazo. Mas serve para quê?
No início do ano, o Brasil ganhou o Sul-Americano Sub-20 com um estilo baseado no físico, e não na qualidade, na tentativa de elaborar um jogo. Não mereceu dar certo no Mundial.



