Apoio ‘suspeito’ e denúncia que envolve presidente da AFA explodem crise no futebol argentino
Irregularidades ligadas a 'Chiqui' Tapia não fazem com que cartola diminua o tom contra o seus críticos
A tensão envolvendo a Associação de Futebol Argentino — AFA –, o presidente da instituição “Chiqui” Tapia e os clubes de futebol argentino segue intensa. No entanto, nas últimas horas, clubes de futebol de divisões inferiores manifestaram publicamente seu apoio ao dirigente.
Nas redes sociais, equipes da Primeira Nacional, Primeira B, C e D publicaram comunicados oficiais e institucionais dando respaldo a Tapia em meio à tensão. As mensagens, no entanto, foram acusadas de configurarem um movimento “artificial”, levantando suspeitas quanto a sua real motivação.
Isso porque, nos últimos dias, o nome de “Chiqui” Tapia esteve envolvido em diversas polêmicas, dentre elas, a do título dado ao Rosário Central. O clube Canalla ganhou um troféu da AFA por ter sido o time com mais pontos somados durante o ano, no entanto, esse troféu não estava previsto no regulamento e foi criado de última hora pela associação de futebol argentino.
A polêmica foi tanta que, após o título, o Estudiantes de La Plata deveria receber os campeões com o famoso corredor de aplausos, mas como forma de protesto, todos os jogadores se viraram de costas ao clube rosarino. Como punição pelo ato, a AFA deu um gancho de seis meses ao presidente do clube Juan Sebastian Verón, suspendeu todos os atletas que participaram da manifestação por dois jogos e proibiu o capitão do Pincha, Santiago Núñez, de exercer suas funções com a braçadeira por seis meses. As sanções começam a correr em 2026 e não influenciarão no Clausura atual.
Além disso, a situação ficou ainda mais agravada, quando o nome de “Chiqui” Tapia apareceu vinculado a uma suposta lavagem de dinheiro. Segundo o argentino “Clarin”, na última terça-feira (25), a Receita Federal Argentina apresentou uma denúncia contra a empresa Sur Finanzas, que tem como dono Ariel Vallejo, empresario ligado publicamente ao presidente da AFA. A sonegação fiscal poderia chegar aos 3 bilhões de pesos argentinos (cerca de R$ 12,8 milhões de reais, de acordo com a cotação atual).
Ainda conforme o “Clarin”, foi notada uma manobra coordenada para apoiar o dirigente e uma mensagem incentivando a defesa da atual direção teria circulado em grupos com representantes das equipes das divisões inferiores. Pablo Toviggino, tesoureiro e chefe do Conselho Federal da AFA, também teria sido citado na mensagem.
Chiqui Tapia rebate críticas a sua gestão
Com a crise na AFA aumentando, Chiqui Tapia rebateu as críticas que vinha recebendo nos últimos dias. Na cerimônia de entrega de um prêmio na sede da entidade, o dirigente utilizou seu período de discurso para falar sobre o momento vivido. O presidente foi premiado devido ao seu ‘trabalho de gestão’, segundo os organizadores.
— Não é a primeira vez que vivemos isso [críticas públicas a sua gestão]. Três presidentes [da República] já passaram em apenas nove anos em que me couberam presidir, e ainda me restam muitos anos. Não tenham dúvidas de que, quando meu mandato terminar, aqueles que quiserem terão a possibilidade de se apresentar para se reeleger — disse o dirigente que possui mandato até 2028.
Em indireta ao presidente Javier Milei e demais críticos, Tapia relembrou o fato de ter sido eleito “pelos dirigentes do futebol argentino”.
— Sabemos que os únicos que dão ao futebol argentino o seu verdadeiro valor são os jogadores, os treinadores e os dirigentes que se esforçam para construir equipes e torneios competitivos onde todos tenham as mesmas oportunidades. Todos nós temos que trabalhar juntos para melhorar o futebol. A mídia, os jogadores, os técnicos e nós, os dirigentes, corrigindo os erros, cada um em seu papel. Não fui eleito por pessoas de fora, fui eleito pelos dirigentes do futebol argentino — concluiu o presidente da AFA..



