Argentina

Do pré-jogo à festa com fernet: Seguimos a torcida do Boca no clássico contra o River

A Trivela esteve presente na capital argentina durante a realização do maior clássico do país em La Bombonera

BUENOS AIRES – Entre “fernets” e “asados”, a prévia dos torcedores do Boca Juniors para o clássico com o River Plate começou muitas horas antes da bola rolar em La Bombonera.

Com a partida marcada para 16h30, os torcedores já marcavam presença na região próxima “a la cancha” desde às 8 — e não importava que fosse cedo. Os copos já estavam cheios, uma boa cumbia tocava no ambiente e a fumaça das parrillas marcavam o caminho até o estádio.

Ônibus cheios de torcedores passavam por diferentes ruas de Buenos Aires em direção a La Boca, bairro de La Bombonera. Mais longe do estádio, algumas pessoas se arriscavam a provocar os hinchas xeneizes, dizendo que hoje “seria o dia do River Plate” e recebendo insultos — todos verbais — em resposta.

Mas, nas ruas próximas ao estádio, já era impossível não ver um torcedor azul y oro. As “calles” estavam tomadas pela maior torcida da Argentina.

A reportagem da Trivela marcou presença no Parque Lezama, a 1,5 quilômetro do estádio, onde acontece em um dos “esquentas” mais famosos dentre os torcedores do Boca Juniors, a prévia de Irala, a convite do hincha Hernán e todo o seu grupo.

Inicialmente, o encontro entre os fãs acontecia nas ruas próximas ao estádio, mas já não é mais assim por ordem judicial. Por isso, neste domingo (9), torcedores se juntaram em um anfiteatro próximo e aí começaram a festa.

Com bumbos, trompetes, bandeiras e bastante fernet, os argentinos cantavam todos os cânticos característicos. Dos milhares presentes, nem todos entrariam no estádio e acompanhariam o clássico de fora da cancha, através de telões. Uma multidão se reuniu no mesmo Parque Lezama, nas redondezas do estádio, para acompanhar ao jogo.

Torcedores do Boca Juniors acompanham clássico contra o River Plate no no Parque Lezama
Torcedores do Boca Juniors acompanham clássico contra o River Plate no no Parque Lezama (Foto: Gabriella Brizotti/Trivela)

Clima para o clássico começou dias antes

Dias antes da bola rolar, ao entrar em um dos milhares de cafés na cidade de Buenos Aires, a principal notícia do futebol local era a dor de cabeça que o técnico do River Plate, Marcelo Gallardo, estava tendo.

O treinador não vive um bom momento no comando do Millonario, embora seu contrato tenha sido recém-renovado até dezembro de 2026, e vinha quebrando a cabeça para escalar uma equipe competitiva para o clássico contra o Boca Juniors.

Enquanto a TV, com som um tanto quanto baixo, noticiava os problemas enfrentados por “Muñeco”, ao redor dela, olhares atentos acompanhavam o que estava sendo dito. A garçonete que passava para atender um dos pedidos, de vez em quando, também dava uma olhada de canto de olho para a televisão e trocava algumas palavras com quem assistia ao programa jornalístico.

Às vezes era possível escutar algum comentário sobre a notícia. O mesmo aconteceu quando o noticiário mudou e passou a falar sobre o atacante Edinson Cavani, que voltou a ser relacionado para o duelo, tal como Leandro Paredes, suspenso no último jogo contra o Estudiantes, e que retornaria contra o rival Millonario.

Fato é que o Superclásico movimenta todo o país, não só quando a bola rola, mas dias antes. Agora, no Clausura 2025, as fases opostas dos times foi a pauta antes do duelo é decisivo para as vagas na Libertadores em 2026.

Nas bancas de jornal que ainda resistem na cidade, as notícias impressas tampouco eram diferentes. Os principais meios como “Olé”, “Clarín” e “Crónica” também noticiavam as principais informações do duelo, focando nas principais escalações dos treinadores.

O treinador Claudio Ubeda, por exemplo, não possuía dúvidas na escalação dos Xeneizes — já era sabido que entraria Paredes no lugar de Thomas Belmonte. Já Gallardo mantinha mais questões, principalmente na formação tática, que poderia apostar em uma linha com cinco defensores. Gonzalo Montiel também era dúvida para a partida antes da bola rolar.

Conforme os dias iam passando, o Superclásico ia ganhando cada vez mais os noticiários e aumentando a ansiedade nos torcedores, virando praticamente uma pauta única em todo o país, que parava para acompanhar um dos maiores clássicos do mundo.

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O jogo entre Boca Juniors e River Plate

Acuña e Lollo em clássico entre River Plate e Boca Juniors
Acuña, do River, e Lollo, do Boca, em clássico entre River Plate e Boca Juniors (Foto: Divulgação)

Como um bom clássico, o jogo começou bastante disputado entre as partes e com muitas faltas. Ainda no primeiro tempo, Gallardo já precisou fazer substituição colocando Meza no lugar de Matias Galarza, lesionado. Além disso, Martínez Quarta, dos Millonarios, e Di Lollo, dos Xeneizes, já haviam sido amarelados.

No parque Lezama, local de encontro dos hinchas que não entraram na cancha, uma grande festa acontecia. A televisão pequena e que muitas vezes saía do ar, não afastava os torcedores; pelo contrário, aumentava a festa. Muitos, de fato, nem acompanhavam o jogo, apenas pertenciam a bela festa que era feita, acompanhando com as principais músicas da torcida xeneize.

Se a festa marcou presença nas arquibancadas e também do lado de fora da cancha, dentro de campo faltou futebol, com a primeira etapa sendo marcada por muita catimba e faltas.

Aos 46’, Zeballos, do meio da área, finalizou de pé direito e mandou no ângulo superior de Armani, abrindo o placar, para a grande festa da torcida que acompanhava a partida.

Se na primeira etapa o jogo foi bastante faltoso e demorou pra engrenar, nos últimos 45 minutos, o jogo já começou com emoção desde que a bola rolou.

Logo após o árbitro autorizar o reinício do jogo, Miguel Merentiel, do meio da área, recebeu de Zeballos e mandou no canto inferior para ampliar o placar para os Xeneizes. Era o segundo gol do Boca na partida.

O River Plate não conseguia chegar e ia sofrendo contra um adversário que tinha vontade de mais. Paredes e Milton Gimenez tiveram oportunidade de ampliar, mas não conseguiram finalizar com perfeição.

Atrás do placar e entendendo o que o resultado negativo implicava, Gallardo fez mudanças. O jogo seguia faltoso e marcado por muitos cartões amarelos para ambos os lados.

O Boca Juniors seguia superior e chegou a ampliar com Merentiel aos 20’, mas o atacante estava em posição de impedimento, com o gol sendo anulado. Nada parava a festa xeneize.

Faltando 10 minutos para o fim do jogo, o Boca Juniors teve um pênalti marcado ao seu favor. Milton Gimenez foi derrubado na área por Franco Armani e a arbitragem de campo marcou a penalidade. O VAR recomendou revisão, e com isso, a penalidade não foi marcada.

Mesmo assim, os Xeneizes iam ganhando do maior rival. Nada era capaz de acabar com a alegria dos Bosteros que acompanhavam ao jogo.

O Boca volta a vencer seu principal rival após um ano, garante a vaga na fase de grupos da Libertadores, algo que não acontecia desde 2023 e afunda o rival na crise, que agora fica com o sonho de disputar o principal torneio sul-americano no próximo ano ainda mais longe.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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