La Bombonera: a temida cancha xaneize

Por Luís Filipe Pereira

Quando Deco estufou as redes de Orion, após bela jogada de Wellington Nem, colocou-se ponto final no jejum de vitórias brasileiras no estádio que muitos consideram ser possuidor da atmosfera mais hostil da América Latina.

A última equipe que havia vencido na mítica cancha num jogo válido pela Copa Libertadores foi o Paysandu, em 2003. De lá para cá, alguns empates e vários tropeços. Mas afinal, o que torna esse estádio diferente?

São muitas as histórias sobre a origem de seu nome. Uma delas remete à época do período de construção do estádio. Ao receber uma caixa de bombons, o arquiteto Victorio Sulsic se surpreendera com a semelhança entre o regalo e seu projeto.

Seu primeiro nome oficial foi concebido apenas em 1986. O estádio foi batizado com o nome de Camilo Cichero, numa homenagem àquele que colocou em prática a idéia de construí-lo. Depois de a equipe sagrar-se campeã do mundo, no ano 2000, a direção resolveu rebatizar o estádio. Dessa vez, o nome escolhido foi o de Alberto Jacinto Armando, que exerceu a presidência do clube entre as décadas de 60 e 70.

La pasion

 

Apesar de tantas mudanças na estrutura do estádio, proporcionadas por diferentes gestões administrativas, o segredo boquense, é sem dúvida, a paixão e o fanatismo do seu torcedor, que não para de cantar um só segundo durante os 90 minutos de jogo.

Fora isso, outras medidas servem para intimidar ainda mais seus adversários e exercer fascínio a quem assiste aos jogos. Uma delas é a utilização de amplificadores ecoando os cânticos da hinchada. A localização estratégica do vestiário da equipe adversária sob a arquibancada reservada à facção mais fervorosa, a La 12, também é um empecilho. Segundo relatos de alguns jogadores, chega a ser difícil estabelecer uma comunicação durante o intervalo, pelo barulho.

Com capacidade para cerca de 50 mil torcedores, o palco começou a ser construído em 1938. No entanto, a equipe se estabeleceu na Rua Brandsen em 1924. No local, já existia um estádio, no clássico estilo inglês. Antes do profissionalismo, era praxe a adoção de algumas referências instituídas pelos criadores do futebol, com o emprego de muita madeira e colunas altas e finas, além de uma cobertura na tribuna de honra.

Sete anos depois, a direção do clube da Ribeira adquiriu um terreno de 21 mil metros quadrados, vizinho ao estádio já existente. O presidente Camilo Cichero resolveu criar uma comissão, dirigida pelo engenheiro José Luis Delpini, para a construção de um estádio com capacidade para 100 mil torcedores. A pedra fundamental, exposta atualmente no Museo de La Pasion Boquense, foi erguida em fevereiro de 1938 e a construção do novo estádio se iniciou em abril.

Em 25 de maio de 1940, los bosteros estrearam em sua nova casa. La Bombonera tinha proporções cavalares. Ela se estendia até onde hoje é atualmente a Casa Amarilla, centro de treinamentos do clube. Na ocasião, vitória xeneize e o primeiro gol da história da nova cancha foi marcado por Ricardo Alarcón. Era o início de uma era e com o tempo, o Boca passaria a ser conhecido como uma equipe que aproveita o fator casa como poucas no planeta.

Uma semana depois, confirmando a vocação para a glória, a  Bombonera assistiu  a primeira conquista boquense em seus domínios. Sob o comando de Carlos Sobral, vitória contra o Newell’s Old Boys, por 2 a 0, mesmo placar da inauguração, contra a equipe de Almagro. Na final,  Alarcón e Gandulla marcaram para alegria de todo o bairro.

Mesmo mandando jogos no novo estádio, as obras continuaram e em 1941 foi inaugurada uma nova parte das arquibancadas. Entre 1951 e 1953 foi erguido o terceiro piso e foi instalado o sistema de iluminação, que possibilitava jogos à noite. No entanto, a capacidade total nunca chegou aos 100 mil lugares, conforme o projeto original.

Tempos Modernos

 

Quarenta e três anos depois, uma nova modificação no mítico estádio. Dessa vez, buscando uma solução para a crise financeira que assolava – e ainda assola – o país, o então presidente Mauricio Macri projetou alguns camarotes, a serem comercializados. O sucesso foi instantâneo. Estrelas do futebol portenho, como o técnico Carlos Bilardo e o pibe Diego Maradona, foram os grandes garotos propaganda do projeto.

Outra particularidade interessante é o Museo de La Pasion Boquense. Parada obrigatória para os amantes do futebol que estejam em Buenos Aires, lá estão expostos alguns objetos que marcaram a história do clube. Camisas, troféus, um memorial aos ídolos que já envergaram a camisa azul y oro, além de uma maquete representativa de todo o bairro de La Boca.

Além disso, também é apresentada uma sessão de cinema em 360 graus, que mostra a realização do sonho de uma criança. Desde las canteras, treinando finalização até sua estréia em La Bombonera e é claro, a emoção de marcar um gol. Em tempos de futebol-comércio, a iniciativa é um resgate da identidade clubística e poderia ser seguida por vários clubes brasileiros.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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