Virou passeio: Felix Magath acha que é o cara certo para consertar a seleção alemã
Um técnico talentoso no passado, Magath efetivamente se aposentou em 2014 após ser rebaixado com o Fulham
A seleção alemã está tão à deriva no momento que Felix Magath, técnico importante do passado que efetivamente se aposentou em 2014 quando foi rebaixado com o Fulham, sentiu-se confortável em ir à televisão se candidatar ao cargo que ficou vago pela demissão de Hansi Flick após a goleada para o Japão no último sábado – e tem pelo menos um analista, o ex-jogador Dietmar Hamman, que até acha uma boa ideia.
Magath teve uma carreira longa e bem sucedida. Ficou conhecido por ser linha-dura e era chamado de o “último ditador da Europa”, um apelido excepcionalmente otimista do ponto de vista geopolítico, pela sua maneira de conduzir os elencos. O brasileiro Grafite conta a história de quando desmaiou pelo Wolfsburg ao ser manipulado a subir uma montanha, sem aviso prévio, durante uma pré-temporada na Suíça.
Mas ele era um técnico talentoso de verdade que conquistou duas dobradinhas nacionais pelo Bayern de Munique, após substituir o lendário Ottmar Hitzfeld, e depois levou a Bundesliga pelo Wolfsburg – um dos únicos três times a consegui-lo neste século além de Bayern e Borussia Dortmund. No Schalke 04, conseguiu o vice-campeonato e teria chegado à semifinal da Champions League se não tivesse sido demitido antes das quartas contra a Internazionale. Àquela altura, tinha cancha suficiente para acumular super-poderes de técnico e diretor de futebol tanto nos Lobos quanto no Schalke 04.
Gelsenkirchen foi seu canto do cisne. Retornou ao Wolfsburg e foi demitido no começo da temporada 2012/13 com uma vitória em oito jogos. Após um tempo afastado, tentou evitar o rebaixamento na Premier League 2013/14 com o Fulham, sem sucesso. Acrescentou uma passagem pela China no comando do Shandong Luneng entre 2016 e 2017 e chegou a coordenar os clubes da empresa de impressões Fyrealarm – o Wüzburger Kickers, das divisões inferiores da Alemanha, e o Admira Wacker, da Áustria.
Seu trabalho mais recente talvez se assemelhe ao que precisaria fazer na Alemanha: apagar um incêndio. Foi convocado com urgência pelo Hertha Berlim para evitar a queda em 2021/22, e embora tenha vencido apenas três das últimas oito rodadas, cumpriu a missão nos playoffs. No ano seguinte (sem ele), o rebaixamento do time da capital foi inevitável.
Em entrevista à Sky Sports da Alemanha, Magath disse que considera a seleção alemã “completamente instável” e acrescentou:
– Acho que sou capaz de levantar equipes instáveis e lhes dar tanta confiança para que voltem a ter um desempenho muito bom. Não sei qual o perfil que a Federação Alemã quer para o cargo, mas, na minha opinião, está muito claro que nós precisamos urgentemente de alguém que consiga reconstruir esta equipe completamente insegura que já não consegue mais ter o mesmo desempenho – disse.
O curioso é que o ex-jogador Dietmar Hamman, campeão alemão pelo Bayern, europeu pelo Liverpool e vice-campeão mundial pela Alemanha em 2002, havia citado o nome dele no dia anterior.
– Agora precisamos de alguém com autoridade, experiência e firmeza. Portanto, faria tudo ao meu alcance para trazer Felix Magath ou Matthias Sammer – disse o comentarista da Sky.
Quem será o novo técnico da Alemanha?
Apesar do lobby, ainda é difícil imaginar que será Felix Magath.
Rudi Völler, diretor de seleções, assumiu interinamente para o amistoso contra a França nesta terça-feira. O sonho de consumo realista, ou seja, excluindo Jürgen Klopp e Thomas Tuchel, seria Julian Nagelsmann, outro ex-comandante do Bayern de Munique. O Sport Bild também citou Oliver Glasner, campeão da Liga Europa pelo Eintracht Frankfurt, e o próprio Sammer, que não treina há mais tempo que Magath. Foi campeão da Bundesliga pelo Borussia Dortmund em 2002, mas depois virou diretor-esportivo do Bayern. Recentemente, retornou ao Dortmund em um papel de conselheiro.
Outro nome curioso que surgiu e talvez seguisse a lógica de Magath com alguém que teve trabalhos importantes mais recentemente é o de Louis Van Gaal, que está tendo enormes dificuldades para se aposentar. A ideia novamente parecia essa depois de treinar a Holanda na Copa do Mundo, mas disse ao Bild que um “país promissor” ainda poderia convencê-lo a continuar trabalhando.
À Sky Sports afirmou que “se sente honrado por ser um dos candidatos”, antes de ponderar que “nenhuma estrangeiro foi escolhido para ser técnico da Alemanha”. Até agora.



