Copa da Alemanha

Um primeiro tempo fulminante coroa o Borussia Dortmund, campeão na Copa da Alemanha com goleada

O Dortmund goleou o Leipzig por 4 a 1, com dois gols de Sancho e outros dois de Haaland, além da maestria de Reus

A Copa da Alemanha marcou momentos importantes na história do Borussia Dortmund. Em 1965, consagrou uma geração fortíssima e abriu portas à primeira conquista continental. Em 1989, encerrou um jejum de 23 anos sem títulos e provocou uma erupção na cidade. Em 2012, referendou a força contra o Bayern, selando a dobradinha nacional. Já em 2017, serviu de prêmio a ídolos que mereciam sua glória pela dedicação. Pela quinta vez, o BVB se sagra campeão da DFB Pokal. E a vitória por 4 a 1 sobre o RB Leipzig nesta quinta-feira, com uma atuação impecável durante o primeiro tempo, apesar da acomodação no segundo, vale também para reconhecer os talentos pulsantes à disposição dos aurinegros. Foi uma noite de fúria para Sancho e Haaland, capitaneados por Reus no Estádio Olímpico de Berlim. Garantem uma taça incontestável a um time que, se não foi regular ao longo da temporada, cresceu em momentos grandes. E deixa na memória uma geração de prodígios que poderá conquistar muito mais.

O Dortmund vinha com mudanças em relação à vitória por 3 a 2 sobre o próprio RB Leipzig no último sábado, servindo de prévia da final na Bundesliga. E a melhor notícia estava no retorno de Erling Braut Haaland ao ataque, compondo o tridente ofensivo ao lado de Marco Reus e Jadon Sancho. No meio, Jude Bellingham não jogou pela Bundesliga porque estava suspenso e retomou a posição. Já o gol contava com a reaparição de Roman Bürki como titular, diante da lesão que tirou Marwin Hitz do jogo anterior. O Leipzig, por sua vez, vinha com quatro novidades. Marcel Halstenberg entrava na defesa, Nordi Mukiele vinha na ala direita, Amadou Haidara compunha o meio e Alexander Sörloth dava presença ao ataque. A surpresa ficava pela ausência de Angeliño, barrado por opção técnica, sem sequer aparecer no banco.

O Dortmund comemora na final da Copa da Alemanha (Foto: Imago / One Football)

Logo nos primeiros minutos, o Dortmund mostrou que não estava para brincadeira, com uma entrada firme de Emre Can. E o começo intenso colocaria os aurinegros em vantagem logo aos cinco minutos, exibindo toda a voracidade de sua linha de frente. Reus roubou a bola e passou a Haaland, que avançou um pouco até recuar para Mahmoud Dahoud. O meio-campista abriu com Sancho na esquerda e o ponta não demorou a reivindicar o protagonismo na noite. O camisa 7 limpou a marcação e acertou um lindo chute cruzado, tirando a bola do alcance de Péter Gulácsi. Lindo tento.

O Leipzig tentava pressionar alto, mas esbarrava num Dortmund sempre ligado. Os aurinegros apresentavam sua melhor versão da temporada, sempre muito firmes nas divididas, sem dar espaços aos adversários. Mesmo na defesa, os aurinegros apresentavam uma solidez raramente vista nos últimos tempos. E, quando teve espaço para contra-atacar, o BVB foi letal. Aos 28, seria a vez de Haaland brilhar. Reus roubou mais uma bola no meio e entregou o passe para o norueguês se meter entre os zagueiros. Dayot Upamecano tentou dar o tranco no corpo do centroavante, mas bateu na parede e se desequilibrou, caindo no gramado. Massa bruta, mas também refinamento, Haaland estava com o caminho livre e deu um tapa para superar Gulácsi.

Considerando o jogo do sábado, o Leipzig poderia até esperar uma reação depois de tomar dois gols. Mas, desta vez, o Dortmund fazia uma partida muito mais controlada e eficiente. Os Touros Vermelhos mal tinham brechas. A primeira boa chance só aconteceu aos 39, num lance em que Sörloth recebeu com liberdade na direita, mas acertou o lado de fora da rede. E a velocidade dos aurinegros continuava atormentando. Upamecano fez um desarme vital quando Haaland invadia a área. Já aos 45, depois de uma dividida no meio, Dahoud enfiou para Reus. O capitão partiu livre e, quando Gulácsi chegava para abafar, rolou para Sancho. O inglês foi muito frio, ao fintar a marcação e bater às redes vazias. O lance foi inicialmente anulado por impedimento, mas o VAR confirmou o terceiro tento do BVB.

Os dois times voltaram com alterações para o segundo tempo. O Leipzig ganhava Christopher Nkunku e Yussuf Poulsen no ataque, enquanto o Dortmund entrou com Thorgan Hazard no lugar de Bellingham. Enfim, os Touros Vermelhos melhoraram e passaram a exercer uma pressão sufocante. Logo no primeiro minuto, Haidara cruzou e Nkunku acertou o travessão. A marcação aurinegra começava a ceder e os alvirrubros apresentavam muito mais dinamismo na linha de frente. Bürki também uma defesa vital contra Nkunku dentro da área. Emil Forsberg e Konrad Laimer entraram aos 17, dando ainda mais opções à linha de frente.

Com o passar dos minutos, porém, o Leipzig não conseguia descontar e a pressão começava a arrefecer. Além disso, o perigo do Dortmund nos contragolpes permanecia presente. O quarto gol poderia ter saído aos 21, em mais uma arrancada de Reus. O capitão rolou para o lado e Hazard entrava com a meta vazia, mas não pegou em cheio na bola e mandou ao lado. Entretanto, não demoraria para os Touros Vermelhos acordarem e descontarem. Num cruzamento fechado que Bürki rebateu, Forsberg acerou a trave. Já aos 27, veio o primeiro gol, numa sobra na intermediária. Dani Olmo pegou na veia e mandou na gaveta.

O Dortmund ainda brincaria com o perigo alguma vezes na defesa. A falta de precisão minou uma reação mais potente do Leipzig, com muitas tentativas para fora ou travadas. Aos 30, depois de um recuo errado de Sancho, Nkunku chegou a driblar Bürki, mas Dani Olmo bateu para fora ao receber o passe. Faltava um pouco mais de calma e capricho aos Touros Vermelhos, algo repetido também num tiro prensado de Nkunku pouco depois. Todavia, na reta final, o BVB teria forças para se impor ainda mais e ampliar o placar, dilatando a goleada.

Sancho poderia ter completado uma tripleta, não fosse seu preciosismo. O atacante driblou Gulácsi, mas demorou para finalizar e o goleiro se recuperou. O arqueiro faria outra boa defesa na sequência, em chute de Raphaël Guerreiro rente à trave. Já aos 42, Haaland não bobearia. Num contra-ataque iniciado pelo próprio centroavante, Sancho preparou na direita e devolveu ao norueguês, que chegava à entrada da área. Haaland escorregou na execução do chute, o que foi suficiente para enganar Gulácsi, mesmo batendo mal. A bola morria nas redes pela quarta vez. Era seu segundo gol na noite, igualado a Sancho, os dois grandes fenômenos desta geração – e muito bem municiados por Reus, regendo o show em Berlim. Festa completa, numa vitória sonora da equipe de Edin Terzic. Logo após o apito final, as homenagens se concentrariam sobre Lukasz Piszczek, raro remanescente da geração bicampeã nacional que, em sua última temporada, se despede com mais um troféu.

Piszczek é festejado pelos companheiros (Foto: Imago / One Football)

O Borussia Dortmund conquista a quinta Copa da Alemanha de sua história. Iguala o número de troféus de Schalke 04 e Eintracht Frankfurt, na terceira posição entre os maiores campeões do torneio. Mais importante, dá um gosto de glória à atual geração aurinegra. Se o BVB entrasse com tal postura em mais partidas, poderia fazer bem mais na temporada. Enquanto isso, o RB Leipzig permanece sem títulos de primeira divisão no futebol alemão. Até aguardava-se que, no fim de sua passagem, Julian Nagelsmann pudesse fazer mais para se despedir com louros. Acabou derrotado e terá que esperar pelo início no Bayern para sua revanche particular.

Por fim, o Borussia Dortmund entra grande na reta final da Bundesliga. Se a vaga na Champions League parecia perdida há algumas rodadas, especialmente após a derrota em casa para o Eintracht Frankfurt, a resposta do time de Edin Terzic é excepcional desde então. São cinco vitórias consecutivas na liga, que botaram os aurinegros no G-4, e a cereja no bolo vem com a Pokal. Ainda falta consumar a posição nas duas últimas rodadas do campeonato, em duelos difíceis contra Mainz 05 e Bayer Leverkusen. Mas, se a Champions vier, dá para ter mais esperanças de manter o elenco com pelo menos um entre Sancho ou Haaland. Talvez essa taça não seja um ponto final, mas a motivação para mais.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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