Bundesliga

Posse, pressão no adversário e muito mais: por que Bayer Leverkusen de Xabi Alonso merece ganhar a Bundesliga?

Extremamente técnico como jogador, Xabi Alonso agora impressiona como treinador ao colocar o Bayer Leverkusen como favorito à Bundesliga

Meia temporada depois, só existe um time invicto nas cinco principais ligas europeias: o Bayer Leverkusen. Os Werkself lideram a Bundesliga (na frente do todo-poderoso Bayern de Munique), estão na semifinal da Copa da Alemanha e nas oitavas de final da Liga Europa. E nada disso não seria possível se não fosse por Xabi Alonso, que foi extramente técnico como jogador, e agora impressiona com seu trabalho como treinador.

O espanhol foi contratado pelo Leverkusen em outubro de 2022. Logo em sua primeira experiência na área técnica, Xabi chegou com a missão de tirar a equipe da zona de rebaixamento. Agora, o treinador tem tudo para terminar 2023/24 com (pelo menos) um título. Um feito e tanto para os Werkself, que sofrem do mesmo mal do restante da Alemanha: ter que lidar com a hegemonia doméstica dos Bávaros.

Na liderança da Bundesliga com 52 pontos em 20 rodadas, o Bayer Leverkusen fará a grande ‘final’ do campeonato neste sábado (10), às 14h30 (horário de Brasília), quando enfrenta o Bayern, na BayArena. Com os Bávaros apenas dois pontos atrás na tabela, uma vitória pode garantir o título alemão para os Werkself, já que o restante do pelotão não dá indícios que vai buscar uma reação.

Futebol é resultado, mas não só isso. Assistir ao Bayer de Xabi Alonso é um dos melhores passatempos para quem é apaixonado por ótimas atuações. Bola no pé, com muitos toques até chegar a área do rival. Pressão no adversário, para sufocar e estar na sua zona de ataque sempre que possível. Esses são apenas alguns dos motivos que explicam porque os Werkself merecem ganhar o título inédito da Bundesliga.

Quem é Xabi Alonso e o que ele pensa para o futebol?

Para definir como joga o Bayer Leverkusen, primeiro é preciso pontuar quem é Xabi Alonso e o que ele pensa para o futebol. Filho de um-jogador, o espanhol começou sua carreira na Real Sociedad, mas desfilou dentro de campo (principalmente) com três camisas: Liverpool, Real Madrid e… Bayern de Munique. Multicampeão por onde passou, o volante também deixou sua marca na seleção espanhola.

Copa do Mundo, Champions League, Eurocopa, LaLiga, Bundesliga, são apenas algumas das taças que Xabi levantou em sua vida. Quem não teve o privilégio de poder acompanhar o espanhol antes dele se aposentar – em 2017 – dá para resumir sua habilidade e impacto no jogo com apenas um fundamento: o passe. Seja rasteiro, curto, lançamento, pelo alto. Não importa. Alonso tinha uma visão excepcional dentro dos gramados.

E se o passe era a marca registrada do volante, isso não poderia ser diferente quando ele se tornou treinador. Antes de pendurar as chuteiras, Xabi Alonso foi comandado por José Mourinho, Carlo Ancelotti e Pep Guardiola. Apenas alguns dos técnicos mais influentes do esporte nas últimas décadas. Obviamente, o espanhol soube aproveitar os professores que teve para formar sua filosofia de trabalho.

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Como joga o Bayer Leverkusen, melhor time da Europa em 2023/24?

Xabi iniciou sua trajetória como treinador no Real Sociedad B, onde ficou por três anos até ganhar sua primeira grande chance no Bayer Leverkusen, em outubro de 2022. E o espanhol aceitou logo um pepino, já que os Werkself estavam na penúltima posição da Bundesliga após oito rodadas. Em pouco tempo, o técnico espantou o fantasma do rebaixamento para a segunda divisão alemã e terminou o campeonato com uma campanha digna.

O Leverkusen encerrou 2022/23 na 6ª posição da Liga Alemã, garantindo vaga na próxima Europa League, cuja competição rendeu uma semifinal na primeira temporada de Xabi Alonso. A melhora dos Werkself pode ser justificada pelo dedo do espanhol, que conseguiu implementar suas ideias mesmo com o carro já andando – é verdade que o treinador também aproveitou a pausa da Copa do Mundo no Catar para isso.

Para 2023/24, Alonso consolidou sua marca no Bayer através de uma preparação completa na pré-temporada. Além disso, o espanhol ajudou na contratação de quatro reforços que viriam a se tornar fundamentais para o sucesso desta temporada: Alejandro Grimaldo, Granit Xhaka, Jonas Hofmann e Victor Boniface. O quarteto se tornou o esqueleto do time titular do técnico, superando todas as expectativas.

O 3-4-2-1 do Bayer Leverkusen com bola

A formação tática utilizada por Xabi Alonso no Bayer Leverkusen é um 3-4-2-1 com a bola. Para entender os Werkself, é preciso levar em consideração algumas estatísticas. O time do treinador espanhol é o líder em posse de bola da Bundesliga (com média de 62,5% por jogo) e em passes certos (com média de 619 por partida). Além disso, tem o segundo melhor ataque (52 gols marcados) e a melhor defesa da competição (com 14 sofridos).

Os dados são do SofaScore. Traduzindo isso para a forma de jogar, o Leverkusen inicia sua saída de bola desde o goleiro, com passes curtos e muita paciência, até encontrar os espaços nas entrelinhas. Para abrir a marcação adversária, os Werkself contam com a ajuda dos alas Frimpong e Grimaldo, que atuam bem abertos. A primeira linha do meio-campo, que conta com Xhaka e Palacios, se aproxima do trio de zagueiros de forma peculiar.

Foto: (Reprodução/homecrowd) - Saída de bola do Bayer Leverkusen de Xabi Alonso: um dos volantes se aproxima do lado da bola, enquanto o outro se posiciona à frente. Aproximação e progressão
Foto: (Reprodução/homecrowd) – Saída de bola do Bayer Leverkusen de Xabi Alonso: um dos volantes se aproxima do lado da bola, enquanto o outro se posiciona à frente. Aproximação e progressão

Isso porque o Bayer faz uma saída 3-1. Ou seja, os três defensores contam com o apoio de um dos meias para ficar tocando a bola, buscando (quase) sempre a triangulação. Adepto do jogo posicional, Xabi arma a transição pensando em desestabilizar a marcação do rival. Por exemplo, se a bola está na esquerda, Xhaka se aproxima dos zagueiros para se colocar à disposição do passe. Ao mesmo tempo, Palacios se posiciona à frente.

A ideia é dar verticalidade para que os Werkself consigam progredir com a bola. Em outras palavras, passes para frente, e não somente para o lado. Como as posições não significam estar preso em determinado setor do campo, o Bayer Leverkusen busca se aproximar para sair tocando de pé em pé, o que sobrecarrega a marcação adversária/e ou bagunça suas linhas.

Foto: (Reprodução/homecrowd) - Construção ofensiva do Bayer Leverkusen em 5-3-2, povoando a defesa adversária para criar chances de perigo com bola de pé em pé, até localizar o espaço
Foto: (Reprodução/homecrowd) – Construção ofensiva do Bayer Leverkusen em 3-2-5, povoando a defesa adversária para criar chances de perigo com bola de pé em pé, até localizar o espaço

Último setor

Com o avanço, o Bayer prioriza virar o jogo para o lado menos congestionado. Aqui vale ressaltar a imprevisibilidade do time do espanhol, que divide seus ataques quase que igualmente nos três setores (esquerda, direita e centro). O centroavante dos Werkself é bastante móvel, já que ele acompanha o lado da bola para criar espaços para seus companheiros – além de tentar se desvincilhar para receber o passe.

O plano central é que os jogadores que atuem entrelinhas alarguem as defesas, para aproveitar os buracos. Aqui que entram Wirtz e Hoffman, que estão logo atrás de Boniface. No último terço de campo, mais próximo do gol adversário, o Bayer Leverkusen forma um 3-2-5, com Grimaldo e Frimpong atuando como pontas, além do trio citado anteriormente nesse parágrafo, o que congestiona a primeira linha do rival.

Foto: (Reprodução/homecrowd) - Um jogador tenta infiltra as linhas adversárias, o que dá novas opções no ataque
Foto: (Reprodução/homecrowd) – Um jogador do Bayer Leverkusen tenta infiltrar as linhas adversárias, o que dá novas opções no ataque

Os Werkself priorizam marcar seus gols através das aproximações e passes curtos, dificilmente cruzando a bola na área. Para isso, um jogador do Leverkusen – independente de quem seja – avança sem a bola para ficar no meio das duas linhas adversárias, se posicionando entre a defesa e o meio-campo do rival. Essa intensidade no setor ofensivo é muito difícil de parar e, geralmente, resultam em gol.

5-3-2 para se defender

Quando estão sem a bola, a mentalidade do Bayer Leverkusen é recuperar a posse o mais rápido possível, pressionando a saída do adversário de forma organizada, sem destruir sua estrutura de jogo. Quando não conseguem, os Werself formam um 5-3-2 para se defender, com os alas voltando para a primeira linha visando dificultar a chegada do rival.

Foto: (Reprodução/homecrowd) - O Bayer Leverkusen se estrutura num 5-3-2 para se defender sem a bola
Foto: (Reprodução/homecrowd) – O Bayer Leverkusen se estrutura num 5-3-2 para se defender sem a bola

Conhecido por um ser cavalheiro nos tempos de jogador, Xabi Alonso transparece esse mesmo perfil como treinador. O Bayer é a equipe menos faltosa desta Bundesliga, com média de 8,9 por jogo. Com um ataque funcionando com extrema precisão, os Werself costumam sofrer menos perigos na defesa. Não dá para cravar que o espanhol será campeão em 2023/24, mas é inegável seu merecimento.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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