Alemanha

Lenda na Alemanha, Rummenigge ainda salvou o Bayern da crise financeira quando jogava

Em qualquer lista mais ampla dos melhores jogadores da história, ele estará lá. Karl-Heinz Rummenigge só não conquistou a Copa do Mundo, apesar de disputar duas finais. No entanto, mesmo garoto já se tornou nome importante no time mais vencedor da história do Bayern de Munique, além de ter liderado a seleção a um título da Eurocopa. Pode ser considerado, com certas sobras, o principal craque alemão da década de 1980. Um dos maiores jogadores do clube bávaro em todos os tempos, e não apenas pelos títulos ou pelos muitos gols. Se o Bayern chegou ao patamar atual, há muito a agradecer ao atacante: a sua venda livrou os gigantes de uma grave crise financeira. Lenda que chega aos 60 anos nesta terça.

Rummenigge chegou ao Bayern quando já tinha 19 anos, trazido de um clube amador de sua região, o Borussia Lippstadt. Um excelente negócio, que demorou pouquíssimo para dar certo. O jovem logo se tornou titular na equipe campeã europeia de 1974, base da Alemanha campeã do mundo. Tanto que também ergueu a Champions em 1975 e 1976. Combinando qualidade técnica e ótima capacidade física, o atacante se mostrou um complemento para Gerd Müller, antes de assumir o próprio protagonismo no ataque. Rummenigge deslanchou a partir de 1979. Artilheiro da Bundesliga em dois anos seguidos, também foi a razão do bicampeonato nacional do Bayern em 1980 e 1981. Vivia uma fase tão fantástica que faturou a Bola de Ouro no biênio, batendo os compatriotas Bernd Schuster e Paul Breitner. E bateu na trave na Champions, vice-campeão contra o Aston Villa em 1982.

Para ir além, Rummenigge ainda terminou a Copa de 1982 entre os melhores da competição. Jogando no sacrifício, teve uma atuação decisiva na lendária semifinal contra a França. Só que contar com um craque tão aclamado não livrava o Bayern de seus problemas internos. E, sem as gestões mais racionais naquele momento, os bávaros viam sua dívida crescer desde o declínio da equipe tricampeã europeia. A presença de craques como Rummenigge e Breitner estava longe de ser a salvação do clube, que deixou de brigar pelo título da Bundesliga.

Então, em 1984, surgiu a proposta da Internazionale por Rummenigge. Em tempos nos quais o futebol italiano nadava em dinheiro, a venda do craque era tudo o que o Bayern precisava para se equilibrar. Os nerazzurri ofereceram cerca de 11 milhões de marcos (o equivalente, atualmente, a €6 milhões), o que tornava o atacante a segunda contratação mais cara da história, perdendo apenas para Maradona no Napoli. E tanta grana por um jogador que já tinha 29 anos era muito bem-vinda. “Por aquele valor, nós poderíamos carregá-lo à Itália em um pedestal”, afirmou anos depois o presidente Uli Hoeness, sobre a transferência. Segundo o jornal Welt, o negócio realmente “salvou” o Bayern.

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Em Milão, Rummenigge não conquistou títulos, mas viveu bons momentos com a Inter. O problema é que suas lesões não permitiram que seu impacto fosse ainda maior nas três temporadas em que atuou no Giuseppe Meazza. Já na Alemanha, o Bayern se reinventou com a fortuna que a venda do craque deixou. Primeiro, sanou os seus débitos e livrou a ameaça de quebra. E ainda teve dinheiro para buscar a estrela do time que se formou no final da década de 1980. Os bávaros tiraram Lothar Mätthaus do Borussia Mönchengladbach e, com o jovem de 23 anos voando, conquistaram o tricampeonato alemão entre 1985 e 1987.

Já Rummenigge terminou a carreira de maneira modesta, estrelando o Servette. Pendurou as chuteiras em 1989, um ano antes de Matthäus erguer a Copa do Mundo pela Alemanha após os dois vices seguidos. Mas pôde voltar ao Bayern, para viver a fortaleza econômica que ele mesmo ajudou a construir. A partir da década de 1990, o ex-atacante se tornou dirigente do clube. Nos bastidores, também faz parte da reconquista da Champions em 2001 e da equipe arrasadora que se formou a partir de Jupp Heynckes. Bem longe da crise que se desenhava na época em que arrebentava dentro de campo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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