‘Não quero deixar o orgulho nacional nas mãos erradas’: Klopp se posiciona na Alemanha
Técnico da seleção defendeu "patriotismo positivo" e respondeu sobre ascensão da extrema-direita em eleição estadual
A Alemanha divulgou sua primeira convocação desde a eliminação para o Paraguai na Copa do Mundo. Para além da lista com 44 nomes para os jogos contra Países Baixos, Grécia (duas vezes) e Sérvia pela Liga das Nações, o que chamou a atenção na coletiva de Jürgen Klopp foi seu posicionamento na seleção em meio ao momento conturbado do país.
O treinador apareceu diante da imprensa utilizando um boné com os dizeres “um entre 83 milhões”, fazendo referência à estimativa da população, nas cores da bandeira alemã, o que também foi interpretado como uma mensagem política após a recente vitória eleitoral do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) no Estado da Saxônia-Anhalt, no centro-leste do país.
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Quando questionado sobre o uso do boné e seu significado, Klopp reforçou seu pedido por união através da seleção, o que chamou de “patriotismo positivo”. Embora tenha reconhecido “não ser um especialista em política”, tampouco o desejo de falar sobre o tema em entrevistas futuras, o técnico ex-Liverpool declarou que “não quer deixar o orgulho nacional nas mãos erradas”.
— Quero resgatar a bandeira para nós. Quero que sempre acenemos com ela de uma forma que ninguém pense: “O que há de errado com você?”, mas sim que as pessoas simplesmente sintam que você é feliz e entendam a sorte que você tem de ter nascido, crescido ou se mudado para este país maravilhoso — começou.
— Não quero deixar o orgulho nacional nas mãos das pessoas erradas. Sinto orgulho em fazer este trabalho. Quando dedicamos tempo ao futebol, o objetivo é fomentar um senso de comunidade e nos fazer sentir melhor. Precisamos criar essa atmosfera, mas também precisamos de pessoas que a abracem — concluiu.
Klopp responde sobre resultado das eleições na Alemanha
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No último dia 6, o AfD conquistou mais de 43% dos votos e 39 cadeiras legislativas na Saxônia-Anhalt. Embora não tenha garantido maioria absoluta para governar, os resultados demonstraram uma clara ascensão quando comparado ao último pleito, realizado em 2021, quando a legenda recebeu 20% dos votos e ocupou 23 cadeiras do parlamento estadual.
O serviço de inteligência da Saxônia-Anhalt considera o partido como extremista de direita, cuja classificação é rejeitada pela legenda. Cabe ressaltar que nenhum partido de extrema direita governa um estado da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Nos últimos anos, o apoio ao Alternativa para a Alemanha tem crescido na região e na antiga parte Oriental.
Entretanto, a retórica nacionalista e discurso anti-imigração não se limitam ao leste, ressoando em outras áreas do país, particularmente em áreas de declínio industrial. Nos últimos anos, o AfD tem obtido bons resultados nas pesquisas de opinião em nível estadual e federal, inclusive com possibilidade de vitória nas eleições nacionais de 2029, o que é fonte de considerável angústia por parte do eleitorado alemão, além de base para raiva e divisão.
Em meio a esse contexto, Jürgen Klopp respondeu sobre os resultados das eleições: “Algumas pessoas provavelmente acharam que estava tudo bem, enquanto muitas outras pensaram: ‘Meu Deus, o que está acontecendo?'”. O técnico da seleção alemã também compartilhou seus pensamentos sobre patriotismo.
— Posso ter orgulho de ser alemão e ainda assim ser uma pessoa de mente aberta, diversa, gentil e amigável. Na verdade, acho que somos um país maravilhoso — finalizou.