Copa do Mundo 2026

Alemanha 1 (3) x (4) 1 Paraguai: Albirroja entrega o que prometia e pune alemães pouco inspirados

Time de Gustavo Alfaro resiste à pressão, derruba tetracampeã mundial nos pênaltis e avança às oitavas de final

A primeira grande zebra do mata-mata da Copa do Mundo está definida. O Paraguai eliminou a Alemanha nesta segunda-feira (29), em Boston, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Nos pênaltis, brilhou a estrela de Orlando Gill. O goleiro defendeu duas cobranças, e a Albirroja venceu por 4 a 3 para garantir vaga nas oitavas de final.

Se o resultado surpreende pelo peso das camisas, a forma como aconteceu nem tanto. Desde antes do Mundial, Gustavo Alfaro deixava claro qual seria a identidade de sua equipe: linhas compactas, disciplina tática, entrega física e máxima eficiência para aproveitar os erros do adversário. Foi exatamente esse roteiro que levou o Paraguai adiante.

Do outro lado, a Alemanha voltou a exibir problemas que já haviam aparecido durante a fase de grupos. Muito volume de posse, pouca criatividade para desmontar defesas fechadas e uma circulação de bola lenta demais para desorganizar um sistema tão compacto. A equipe de Julian Nagelsmann até buscou o empate, pressionou durante praticamente toda a etapa final e a prorrogação, mas produziu menos do que se esperava.

Alemanha x Paraguai: como foi o jogo?

Posse de bola e jogo propositivo contra linhas baixas e proposta reativa: em poucas palavras, assim foi o duelo entre Alemanha e Paraguai em Boston. Na etapa inicial, a seleção albirroja viu sua estratégia se sobressair e levou o 1 a 0 parcial para o intervalo. Ao time de Julian Nagelsmann, faltou velocidade na troca de passes e criatividade para furar a retranca sul-americana.

Bem postada em campo, a equipe de Gustavo Alfaro marcou forte, fechou bem os espaços e dificultou bastante a vida do ataque alemão. De quebra, ainda castigou o time europeu nos minutos finais do primeiro tempo. O Paraguai recuperou a bola após Neuer afastar escanteio de soco e trabalhou pela direita até Matías Galarza descolar cruzamento para Julio Enciso completar de cabeça.

Atrás no marcador e precisando desesperadamente reagir, a Alemanha não voltou bem do intervalo. Em um cruzamento que não parecia dar em nada, no entanto, o gol de empate saiu. Florian Wirtz recebeu pelo lado esquerdo, despejou bola na área e encontrou Kai Havertz, que raspou de cabeça para deixar tudo igual.

A partir daí, o ataque contra defesa se intensificou. Mas nem mesmo os 30 minutos da prorrogação foram suficientes para os alemães conseguirem a virada. Os paraguaios seguraram o empate, sobreviveram e levaram a decisão para os pênaltis.

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Alemanha x Paraguai: Alfaro executa plano à perfeição e expõe limitações alemãs

Gustavo Alfaro, técnico da seleção paraguaia
Gustavo Alfaro, técnico da seleção paraguaia (Foto: Matteo Gribaudi / Gribaudi/ImagePhoto / IMAGO)

Poucas seleções chegaram à Copa do Mundo com uma identidade tão clara quanto o Paraguai. Gustavo Alfaro nunca escondeu que sua equipe não brigaria pela posse de bola contra as grandes potências. A proposta sempre foi outra: defender com muitos jogadores, reduzir espaços, competir fisicamente e esperar o momento certo para atacar.

Foi exatamente isso que aconteceu em Boston.

A Albirroja jogou por uma bola, congestionou o corredor central, obrigou a Alemanha a circular a posse de um lado para o outro e praticamente anulou as infiltrações dos europeus. Quando recuperava a bola, acelerava poucos passes antes de buscar Enciso e os homens de frente. Não precisou criar muitas oportunidades para fazer um jogo extremamente competitivo.

A atuação também reforçou uma crítica que a Alemanha já vinha recebendo ao longo do Mundial. Apesar da classificação em primeiro lugar na fase de grupos, o time de Julian Nagelsmann, em diversos momentos, mostrou dificuldade para transformar domínio territorial em chances claras. Houve posse, controle e volume, mas faltaram intensidade, criatividade e agressividade no último terço.

Nesse contexto, ganharam força as declarações de Jürgen Klopp antes do confronto. Atuando como comentarista durante a Copa, o treinador alemão já havia demonstrado preocupação com o rendimento da tetracampeã mundial.

— A seleção pode, obviamente, fazer muito melhor. O futebol tem de ser temperado com paixão, intensidade e emoção. Não pareceu que vamos simplesmente passar pelas próximas fases sem esforço. Temos que combinar nossa qualidade com uma mentalidade excepcional.

Em Boston, a análise pareceu ganhar ainda mais peso. Contra uma defesa organizada e extremamente comprometida, a Alemanha teve a bola durante quase todo o jogo, mas produziu pouco. Já o Paraguai fez exatamente a partida que prometia desde antes do Mundial — e foi premiado por isso.

Paraguai tentará repetir a receita nas oitavas de final

A classificação coloca o Paraguai entre os 16 melhores da Copa do Mundo e reforça a confiança de um elenco que acredita plenamente em sua proposta de jogo.

Agora, a Albirroja aguarda o vencedor do confronto entre França e Suécia para conhecer seu adversário nas oitavas de final. Em tese, os franceses entram como favoritos, tanto pela qualidade individual quanto pela campanha construída até aqui.

Independentemente do rival, é difícil imaginar Alfaro alterando sua estratégia. O Paraguai mostrou durante que se sente confortável sem a bola, defendendo em bloco baixo e apostando nos erros adversários para criar suas oportunidades. Foi assim contra a Alemanha. Pode muito bem ser assim novamente nas oitavas.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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