Futebol alemão

A era Klopp na seleção alemã vai começar e é isso que podemos esperar de mudanças

Otimismo paira na Alemanha com nova gestão, que busca recolocar equipe no patamar mais elevado do futebol mundial

A era da seleção alemã com Jürgen Klopp no comando técnico está prestes a ter o primeiro grande teste. A equipe vai à Johan Cruijff Arena enfrentar Países Baixos nesta quinta-feira (24), às 15h45 (de Brasília), em confronto da Liga das Nações.

São esperadas muitas mudanças na Alemanha, a começar pela composição titular. Klopp planeja usar a Data Fifa para realizar testes, tanto que convocou 44 jogadores, e tem poucas certezas à essa altura.

No geral, a chegada do técnico experiente, vitorioso e bom gestor de elenco fez o otimismo pairar sobre as dependências da DFB em Frankfurt como raramente se viu em eras anteriores pós-conquista do tetra Mundial. As expectativas são as melhores possíveis, e a Trivela analisa o que esperar da nova fase.

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Há vários motivos para a empolgação. Klopp assumiu a seleção com muitas feridas abertas e em necessidade de absoluta remontada, tal qual o cenário que encontrou no Mainz em fevereiro de 2001 — onde ficou até 2008 e conduziu o time a feitos notórios, como o acesso histórico à Bundesliga.

O treinador também permaneceu muito tempo no Borussia Dortmund (sete temporadas) e no Liverpool (pouco mais de oito anos). Pode-se esperar que ele monte um projeto sólido para chegar forte à Copa do Mundo de 2030.

A base da estrutura deve consistir em trabalho em conjunto e de muito diálogo com as divisões de base da Alemanha e os clubes, para garantir que os jovens e todos os convocados tenham o máximo do talento extraído e a colaboração entre DFB e times seja mútua.

Testes à parte, uma palavra de ordem é esperada na seleção alemã de Klopp

Os 44 convocados por Klopp foram divididos em “dois times”. Uma parte enfrenta Países Baixos (fora) e Grécia (em casa) e a outra fica encarregada dos duelos contra a Sérvia (em casa) e os gregos (fora).

Houve mescla entre juventude e veteranos em ambos, mas a primeira leva estaria com um pilar mais definido. Marc-André ter Stegen no gol, Jonathan Tah e Nico Schlotterbeck na zaga, Joshua Kimmich no meio e Kai Havertz no ataque.

O grupo em questão é importante para deixar um bom cartão de visitas nos dois primeiros jogos da nova era. Ao mesmo tempo, colaboraria com o tipo de jogo que Klopp tem como ideal: intensidade, intensidade e mais intensidade.

Jurgen Klopp, novo treinador da seleção da Alemanha (Foto: PictureAlliance / Icon Sport)
Jurgen Klopp, novo treinador da seleção da Alemanha (Foto: PictureAlliance / Icon Sport)

Essa “palavra de ordem” deve permear a gestão do alemão. Os jogadores em questão estão acostumado a pressionar sem bola, circular por todo o campo, atuar na zona de ataque, voltar para marcar quando necessário e, assim, dão exemplo aos demais.

Isso requer também resistência e um elenco mais profundo, o que justifica a ampliação do leque de opções. Não adianta esperar que Kimmich seja improvisado na lateral direita. Klopp já enfatizou que a intensão é utilizar o craque na posição de origem, no meio.

Para resolver de vez a questão das laterais, que não tiveram um jogador como unanimidade nas últimas temporadas, o treinador convocou Nathaniel Brown, Hennes Behrens, Max Mittelstadt e David Raum (opções na esquerda) e Josha Vagnoman, Philipp Treu e Ridle Baku (alternativas na direita).

Resgate da identidade da seleção alemã

Ter essa base definida colabora no maior foco da era Klopp, que é resgatar a identidade da seleção alemã dos tempos de glória de Joachim Löw, último técnico a ter projeto bem-sucedido na Mannschaft.

Seleção alemã comemora título da Copa do Mundo de 2014
Seleção alemã comemora título da Copa do Mundo de 2014 (Foto: IMAGO/Colorsport)

Com o ex-treinador, a equipe passou por reestruturação tática a partir de 2006, lançou mais joias e transformou a forma como a Alemanha foi vista no futebol mundial, até que as ideias se estagnaram e caíram no ostracismo de 2018 em diante.

As fases das décadas passadas em que a Alemanha era potência tinham em comum um conjunto de jogadores sólidos e confiáveis. Manuel Neuer, Toni Kross, Thomas Müller, Philipp Lahm, Mesut Ozil e Mertesacker são alguns dos atletas que mais figuraram na seleção sob o comando de Löw.

Mertesacker trabalhou na coordenação das categorias de base do Arsenal após pendurar as chuteiras e pretende se juntar a Klopp na Alemanha no começo de 2027. Dada a experiência nos Gunners, pode colaborar bastante com a meta de rejuvenescer a equipe. Mas o processo já está em andamento.

Mais protagonismo de estrelas em ascensão

Wirtz e Musiala comemoram um dos gols da Alemanha contra a Hungria
Wirtz e Musiala comemoram um dos gols da Alemanha contra a Hungria (Foto: Bernd Thissen/IconSport)

Felix Keidel, de 23, conquistou a primeira chance de defender a seleção principal alemã, bem como Younes Ebnoutalib, também de 23 anos. Tom Bischof, 21, e Said El Mala, 19, voltam ao plantel após pouca amostragem nas convocações prévias. Todos eles ajudam a sinalizar a renovação que o novo comandante planeja fazer em especial do meio para frente.

Neste sentido, o jogo de caos controlado que Klopp aprecia é terreno fértil para Jamal Musiala e Florian Wirtz (ambos de 23 anos), um estilo mais vertical, de pensamento rápido e muita mobilidade. A dupla está em times diferentes nesta convocação e não vai atuar junta, mas tem tudo para se destacar nestas partidas e se consolidar na seleção.

Os embates também são propícios para firmar um goleiro número dois na hierarquia — ao assumir que Ter Stegen deve ser a primeira escolha –, com Alexander Nübel (29) e Jonas Urbig (23) entre os favoritos à vaga, mas Noah Atubolu (24) e Finn Dahmen (28) em condições de acirrar a disputa.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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