Pode dar certo, pode dar errado, ou pode dar mais ou menos certo ou mais ou menos errado, mas o Flamengo saiu da caixinha ao contratar Jorge Jesus. Treinador da famosa escola portuguesa, duas vezes finalista de competições europeias, maior campeão da história do Benfica, mas também uma personalidade e uma língua afiadíssima, sempre disposta ao confronto. Os desdobramentos ão aguardados com ansiedade e, para termos uma ideia do que vem pela frente, resgatamos as últimas dez temporadas de Jesus no futebol português. Do salto ao estrelato com o Braga à derrocada final treinando o Sporting, clube do seu coração.

Braga – 2008/09: O salto para os grandes 

Jesus, ainda no Belenenses, comemora vitória contra o Braga na semifinal da Copa de Portugal (Foto: Getty Images)

Jorge Jesus chegou ao Braga depois de um bom trabalho no Belenenses. Teria ficado duas vezes em quinto lugar não fosse a perda de seis pontos, na temporada 2007/08, pelo uso irregular de um jogador em partida contra a Naval, e chegou à final da Copa de Portugal, na qual perdeu para o Sporting, por 1 a 0. O Braga vinha de um sétimo lugar na liga nacional. O mercado apresentou dois velhos conhecido do torcedor brasileiro: Rentería, emprestado pelo Porto, e Márcio Mossoró, contratado do Internacional. Eles se juntaram ao goleiro Eduardo, que naquela temporada ganharia suas primeiras convocações e jogos pela seleção portuguesa.

Fez uma campanha sólida no Campeonato Português, terminando em quinto lugar, com a terceira melhor defesa, mas um ataque fraco que anotou apenas 38 gols em 30 partidas. Talvez por isso o excesso de empates: 11. Mas, com seis, teve menos derrotas que todos os times, exceto os três grandes. Ao perder para o Benfica, no começo de janeiro, ficou ligeiramente irritado. “É por isso que são sempre os mesmos campeões. Quando aparecem equipes melhores, não há hipótese. A equipe de arbitragem não deixa. Como resolvo isso? Só resolvo no Playstation”, reclamou.

A grande campanha foi na Copa da Uefa. O Braga chegou por meio da falecida Taça Intertoto, na qual goleou o Sivasspor, por 5 a 0. Depois de passar por duas fases eliminatórias, caiu em um grupo difícil, que naquela época, antes da reestruturação que criou a Liga Europa, tinha cinco times, com três avançando ao mata-mata. Em jogos únicos, estreou fazendo 3 a 0 no Portsmouth, então atual campeão da Copa da Inglaterra.

“O Braga pode ser a surpresa do grupo, como foi neste jogo. O treinador do Portsmouth (Harry Redknapp) disse que não conhecia bem a nossa equipe e é isso que queremos: ser pouco conhecidos para ser a surpresa”, afirmou Jesus. E deu certo. O Braga perdeu para o Milan, de Ronaldinho Gaúcho, Alexandre Pato e o veterano Shevchenko, por apenas 1 a 0, e foi derrotado pelo Wolfsburg, que seria campeão da Bundesliga naquela temporada, no sufoco. Vencia por 2 a 1 até os 38 minutos do segundo tempo, quando Misimovic empatou, de pênalti. O meia bósnio, depois, fez o gol da vitória alemã por 3 a 2.

O Braga recuperou-se batendo o Heerenveen e avançou em terceiro lugar. Contra o Standard Liège, no mata-mata, fez 3 a 0 em Portugal e empatou na Bélgica. O adversário das oitavas de final seria o Paris Saint-Germain, muito distante de ter um time qualificado como atualmente. O nome mais famoso era o atacante Mateja Kezman. Não houve gol no duelo até os 36 minutos do segundo tempo da partida de volta, em Portugal, quando Guillaume Hoarau eliminou o Braga, aproveitando uma saída em falso de Eduardo.

Mas, por ter sido o clube que saiu da Taça Intertoto a chegar mais longe na Copa da Uefa, o Braga sagrou-se campeão da última edição daquele torneio europeu.

Liga: quinto lugar
Copas: segunda fase da Copa da Liga; quarta rodada da Copa de Portugal
Europa: oitavas de final da Copa da Uefa e campeão da Intertoto



Benfica – 2009/10: Campeão

Di María explodiu na temporada em que foi treinado por Jesus (Foto: Getty Images)

A boa campanha do Braga de Jorges Jesus chamou a atenção do Benfica, que estava precisando de um chacoalhão. Nos quatro anos anteriores, havia ficado três vezes em terceiro lugar, o que no futebol português, controlado pelo trio de grandes, é simbolicamente equivalente a ser último colocado – e ainda conseguiu a proeza de ser quarto, atrás do Vitória de Guimarães, em 2007/08.

Jesus usou o seu conhecimento profundo de futebol brasileiro para reforçar o seu elenco com Ramires (Cruzeiro) e Felipe Menezes (Goiás), logo de cara, além de assegurar o empréstimo de Keirrison (Barcelona). Em janeiro, buscaria Éder Luis (Atlético Mineiro), Airton (Flamengo) e Alan Kardec (Vasco). Os principais nomes, porém, vieram do Real Madrid. Javi García custou € 7 milhões, pouco menos do que Ramires, e Javier Saviola chegou para fazer dupla de ataque com outro sul-americano.

Dois anos antes, o Benfica havia pago € 11 milhões para tirar o paraguaio Óscar Cardozo do Newell’s Old Boys. Ele fora o artilheiro do time nas duas temporadas anteriores, com 22 e 17 gols, respectivamente, mas explodiria sob o comando de Jesus, com um total de 38 tentos em todas as competições, incluindo 26 em 29 rodadas do Campeonato Português e nove na edição inaugural da Liga Europa, da qual seria artilheiro, ao lado de Claudio Pizarro, do Werder Bremen. Foi mortal a dupla com Saviola, autor de outros 19 gols.

Naquele mesmo mercado de 2007, o Benfica havia buscado um extremo desequilibrante no Rosario Central chamado Angel Di María. O argentino passou por duas temporadas de adaptação, entrando e saindo do time, e também começou a se destacar mais com Jesus. Titular absoluto, marcou dez gols e deu 18 assistências, em 45 partidas, três delas em uma vitória por 5 a 0 sobre o Everton, pela Liga Europa.

Digamos que deu certo. O Benfica abriu a campanha empatando com o Marítimo, mas emendou sete vitórias seguidas, com direito a uma impressionante goleada sobre Vitória de Setúbal, por 8 a 1. “O Benfica provou o que já se sabia. Este ano, se o deixarem jogar, sabe como fazê-lo. É muito forte nas bolas paradas, pressiona bem e tem várias soluções”, escreveu o Mais Futebol, depois do jogo. Ainda houve vitórias amplas contra Belenenses (4 a 0), Leixões (5 a 0) e Nacional (6 a 1) antes da derrota para o Braga, por 2 a 0, que não abalou as estruturas da Luz. Seria a única até a penúltima rodada do Campeonato Português que os Encarnados conquistaram com cinco pontos de vantagem para o… Braga, que estava se virando bem com Domingos Paciência.

O Vitória de Guimarães causou a queda do Benfica na quarta eliminatória da Copa de Portugal, mas, na outra taça, a da liga, os Encarnados seriam campeões com louvor, batendo o Sporting por 4 a 1, na semifinal, e o Porto, por 3 a 0, na decisão. A campanha na repaginada Liga Europa não foi ruim. Passou com cinco vitórias e uma derrota do grupo que tinha Bate Borisov, Everton e AEK Atenas. Eliminou o Hertha Berlim, com direito a goleada na Luz, e despachou o Olympique de Marselha nas oitavas de final. A caminhada terminou nas quartas. Chegou a derrotar o Liverpool, em casa, por 2 a 1, mas foi engolido por Anfield. Dois gols de Fernando Torres e um raro tento de Lucas Leiva deram a vitória aos Reds por 4 a 1.

Liga: campeão
Copas: quarta eliminatória da Copa de Portugal; campeão da Copa da Liga
Europa: quartas de final da Liga Europa



Benfica – 2010/11: Não sou eletricista
 

Jesus contra o Stuttgart, tem temporada complicada pelo Benfica (Foto: Getty Images)

O sucesso nunca passa impune. Jorge Jesus perdeu três peças importantes antes da temporada 2010/11, mas pelo menos gerou um baita lucro para o Benfica. Ao ser apresentado, Ramires havia dito que “queria fazer história no Benfica”. Um ano depois, estava aparentemente satisfeito e aceitou ser vendido para o Chelsea, mesmo destino de David Luiz, alguns meses depois, no mercado de janeiro. Ambos custaram € 47 milhões. As grandes atuações de Di María ligaram o sinal de alerta no Real Madrid, que pagou € 33 milhões pelo argentino.

Acostumado às idas e vindas, o Benfica foi às compras. Com a saída de Quim para o Braga, após seis temporadas na Luz, o reforço mais caro foi o goleiro espanhol Roberto, do Atlético de Madrid, a € 8,5 milhões. Ele jogaria bastante naquela temporada, mas seria repassado ao Zaragoza, quase pelo mesmo valor. Naquele mercado, chegou outro parador de chutes, um garotão de 17 anos do Olimpija, da Eslovênia. Jan Oblak seria imediatamente emprestado ao Beira-Mar, e precisaria esperar um pouco para ganhar oportunidades na Luz.

O mercado sul-americano, sempre tão importante para o Benfica, forneceu Nico Gaitán, do Boca Juniors, por um valor próximo ao de Roberto (€ 8,4 milhões), e Franco Jara, do Arsenal de Sarandí. Da Espanha, vieram Eduardo Salvio, cedido pelo Atlético de Madrid, e o atacante Rodrigo Moreno, da base do Real Madrid. Ele seria cedido para o Bolton naquela temporada.

Óscar Cardozo continuaria sendo a principal fonte de gols dos Encarnados, com 23, mas agora dividindo mais com seus companheiros Saviola (14) e Jara (11). Os pontas Gaitán (9) e Salvio (10) também contribuíram bem, mas o Benfica não foi páreo para o Porto de André Villas-Boas, campeão com 27 vitórias e três empates em 30 rodadas. De qualquer maneira, os Encarnados fizeram 13 pontos a menos do que na temporada anterior, preço pago pela remontagem do time, e perderam por 5 a 0 no primeiro turno, o que levou aproximadamente 50 torcedores a aparecerem no treinamento, uma semana depois, para fazer aquela pressão. “Eles quiseram assistir, receberam autorização para fazê-lo, mas o treino não foi interrompido. Falaram com o técnico Jorge Jesus no final da sessão”, disse uma fonte oficial à agência Lusa.

O título do Porto foi conquistado justamente contra o Benfica, com a vitória dos visitantes por 2 a 1 no Estádio da Luz, cujo nome ganhou contornos irônicos porque o Benfica apagou os refletores e deixou o rival comemorando a conquista no escuro, abrindo-se para o contra-ataque literário dos Dragões. “O Porto, sempre na vanguarda, deixa um conselho: a luz devia ter sido desligada duas horas mais cedo. Sempre dava para escapar de mais um banho de bola”, cutucou o clube azul, em uma nota oficial. Jesus esquivou-se: “Sou técnico, não sou eletricista”.

O grande feito da temporada foi ter estabelecido um recorde de vitórias consecutivas para clubes portugueses: 18, entre dezembro e março. Seria igualado apenas pelo Porto entre 2018 e 2019. E deu para ganhar mais um título, o tricampeonato consecutivo da Copa da Liga de Portugal, ganhando do Paços de Ferreira na decisão. Na Copa de Portugal, o Benfica perdeu do Porto, nas semifinais, de maneira decepcionante. Chegou a ganhar no Dragão, por 2 a 0, e segurava o 0 a 0 até meados do segundo tempo na Luz, quando Moutinho abriu o placar. Dez minutos depois, já estava 3 a 0 para o Porto, graças a Hulk e Falcao García. Cardozo, de pênalti, ainda diminuiu, mas os Dragões passaram nos gols marcados fora de casa.

A temporada marcou também o retorno do Benfica à Champions League, depois de duas temporadas relegado à segunda divisão europeia, mas não foi uma boa participação. O grupo parecia relativamente acessível: Hapoel Tel Aviv, Lyon e Schalke 04. Os portugueses, porém, conseguiram apenas duas vitórias, contra os israelenses e os franceses. Esse segundo triunfo talvez tenha deixado mais preocupações do que alegrias porque o Benfica chegou a abrir 4 a 0, aos 22 minutos do segundo tempo, e viu o Lyon descontar para 4 a 3, com um gol de Dejan Lovren, nos acréscimos.

Em terceiro no grupo, o Benfica seguiu a campanha europeia na Liga Europa, passando sem dificuldades pelo Stuttgart, no primeiro mata-mata. Jorge Jesus reencontrou-se com o Paris Saint-Germain, nas oitavas de final, ainda sem o dinheiro do Catar, e se vingou. O PSV foi goleado sem cerimônias na Luz e bastou o empate na Holanda.

Apesar do recorde e da saída de jogadores importantes, a perda do título e as pesadas derrotas para o Porto obrigaram Jorge Jesus a se defender antes do começo das semifinais, quando se falava em “dias contados” para o treinador, que, em 2011, já vinha praticando como lidar com cobranças apressadas para quando trabalhasse no Brasil. “Há que valorizar o trabalho do treinador em títulos. Ganhei três dos seis que o Benfica ganhou desde 1994. É importante fazermos o balanço das minhas duas temporadas. Temos de ver o que não fizemos tão bem para estarmos mais fortes no ano que vem”, disse.

E o clube entre o Benfica de Jorge Jesus e a final da Liga Europa seria outro velho conhecido: o Braga. “São pormenores que vão decidir entre Braga e Benfica. Estamos à frente no campeonato, mas não se mede por aí. Não era a equipe que eu mais desejava. Está habituada a jogar eliminatórias, joga bem no contra-ataque, mas calhou e temos muito prazer, principalmente eu que já treinei a equipe”, afirmou. O Benfica venceu o jogo de ida, mas por 2 a 1, levando um gol em casa. Por isso, bastou ao time de Domingos Paciência ganhar pelo placar mínimo na volta para marcar a final portuguesa da Liga Europa contra o Porto. Mas não aquela que todos imaginavam.

Liga: segundo lugar
Copas: semifinal da Copa de Portugal; campeão da Copa da Liga; vice da Supercopa
Europa: fase de grupos da Champions, semifinal da Liga Europa

2011/12 – Benfica: A derrocada nacional

Fernando Torres e Luisão nas quartas de final da Champions League (Foto: Getty Images)

A boa notícia para Jorge Jesus é que o Porto perdeu André Villas-Boas para o Chelsea. A ruim é que não adiantou muito, mas chegaremos a essa parte em breve. O mercado teve a saída de Fábio Coentrão para o Real Madrid, por € 30 milhões, que seriam bem investidos em jogadores que, além de retorno técnico, dariam muito lucro para o Benfica. Entre eles, Axel Witsel, do Standard Liège, Nemanja Matic, do Chelsea, e Enzo Pérez, do Estudiantes. Esses três custaram um total de € 16,4 milhões e renderam € 90 milhões em vendas. Outros notórios reforços foram Nolito, da base do Barcelona, e Artur Moraes, de graça do Braga para ser o goleiro titular.

E Bruno César, do Corinthians. Antes de passar uma péssima impressão em seus retornos ao Brasil, o meia-atacante foi bem naquela temporada, com 13 gols. Nolito foi outro bom custo-benefício, com 15 tentos, sem ter custado nada aos Encarnados. O artilheiro foi novamente Óscar Cardozo, com 28 gols, e Rodrigo Moreno apareceu ao mundo, com 16.

Um outro reforço famoso foi o lateral Joan Capdevila, campeão mundial pela Espanha, contratado sem custos do Villarreal, mas não teve muitas oportunidades. Em janeiro, havia atuado apenas três vezes, quando chegou uma proposta do Espanyol. Estava tudo certo, mas Jesus não o deixou sair, segundo o pai do jogador, ao site Mais Futebol. “Ele fechou toda gente no vestiário e, à frente do elenco, pediu desculpas ao meu filho. Por não poder sair e por não jogar mais vezes. Elogiou-lhe o caráter e o comportamento, pois ele nunca protestou”, contou. Capdevila teria mais chances até o fim da campanha e sairia, na temporada seguinte, para o clube catalão.

Desta vez sem grandes mudanças e com bons reforços, o Benfica começou voando o Campeonato Português. Chegou à 18ª rodada invicto, com 15 vitórias e três empates. Depois de uma vitória contra o Sporting, por 1 a 0, em novembro, Jesus ficou incomodado com a expulsão de Cardozo por um segundo cartão amarelo por reclamação. “Foi perto de mim. Ele deu um murro no gramado, mas não disse nada. O árbitro não pode interpretar um murro no gramado. Pode ser por discordar, pode ser por frustração na sua jogada. Se o árbitro é um bruxo e sabe o que o que passava na cabeça de Cardozo, tudo bem”, disse.

A vantagem era de cinco pontos para o Porto, agora treinado por Vítor Pereira, antigo braço direito de Villas-Boas. Essa vantagem, em uma liga como a portuguesa, em que os grandes quase não perdem pontos para o resto da tabela, deveria ser quase insuperável. Mas foi até bem fácil superá-la.

O Benfica encerrou a série invicta perdendo para o Vitória de Guimarães, por 1 a 0. Ficou no empate sem gols contra o Acadêmica, logo em seguida, e, então, foi derrotado pelo Porto no confronto direto: 3 a 2, depois de estar vencendo por 2 a 1, com um gol de Maicon, aos 42 minutos do segundo tempo. Três rodadas depois, a vantagem era de três prontos, e a favor dos Dragões. O Benfica ainda empataria duas vezes, contra o Olhanense e o Rio Ave, e perderia do Sporting, permitindo que o Porto defendesse o título, com seis pontos de folga.

A revanche, relativa, chegou algumas semanas depois daquele confronto direto, quando o Benfica venceu o Porto nas semifinais da Copa da Liga Portuguesa e avançou à final, na qual bateu o Gil Vicente, por 2 a 1, para conquistar a competição pela quarta vez seguida. A campanha na Copa de Portugal havia acabado nas oitavas de final, com derrota para o Marítimo.

O que salvou de fato a temporada do Benfica foi a campanha na Champions League. O bicampeão europeu passou às oitavas de final como líder do seu grupo, à frente do Basel e do Manchester United, tão acostumado a avançar dessa fase que muitas vezes usava times alterados para garantir um bom começo na Premier League. A estratégia, daquela vez, deu errado. Alex Ferguson admitiu em sua autobiografia que “menosprezou a competição” e que aquela foi a temporada em que decidiu se aposentar.

A passagem ao mata-mata valeu outro recorde a Jorge Jesus. As duas partidas das oitavas de final, contra o Zenit, garantiram que ele chegaria a 40 em competições da Uefa pelo Benfica, superando as 39 de Sven-Goran Eriksson, que treinou o clube na década de oitenta e no começo da de noventa. Evidentemente, que o feito de Jesus foi auxiliado pelas mudanças estruturais nas competições que aumentaram o número de jogos disputados.

O Benfica enfrentou o Zenit. Perdeu na Rússia, mas os dois gols fora de casa na derrota por 3 a 2 seriam importantes. Na Luz, Maxi Pereira abriu o placar, no fim do primeiro tempo, e o jogo seguiu sem alterações até Nélson Oliveira fechar o caixão, nos acréscimos. O adversário das quartas de final, que o Benfica disputava pela primeira vez desde 2005/06, seria o Chelsea.

Por um lado, o Benfica poderia se apegar ao fato de que perdeu para o futuro campeão. Por outro, não era um Chelsea exatamente imbatível, vencedor daquele título com uma boa defesa, algumas circunstâncias favoráveis e um Drogba decisivo. Tanto que o jogo de ida, na Luz, seguiu empatado até os 30 minutos do segundo tempo, quando Kalou fez 1 a 0 para os visitantes. Em Stamford Bridge, Lampard ampliou o placar agregado, e Maxi Pereira complicou a vida dos Encarnados, sendo expulso ainda no primeiro tempo. E, mesmo assim, o gol de Javi García, a cinco minutos do fim, deu um pouco de esperança, mas Raul Meireles definiu a eliminatória, aos 47.

Ao fim da temporada, o cargo de Jesus era alvo de especulações. O Diário de Notícias publicou que o presidente Luís Filipe Vieira fazia sondagens para substituir o treinador, que queria permanecer no Benfica. Chegou a ser rejeitado por Rui Faria, assistente de José Mourinho no Real Madrid. Outros nomes especulados eram Ernesto Valverde, então no Olympiacos, e Marcelino, que havia saído do Sevilla.

Liga: segundo lugar
Copas: oitavas de final da Copa de Portugal; campeão da Copa da Liga
Europa: quartas de final da Champions League

Benfica – 2012/13: Quando Jesus ajoelhou

Jorge Jesus é consolado por um torcedor (Foto: Getty Images)

Jesus, porém, ficou. E, na verdade, pouca coisa mudou no Benfica. Foi um mercado relativamente tranquilo para os padrões do clube. Dos principais jogadores, Witsel foi vendido ao Zenit, e Javi García, ao Manchester City. Saviola foi embora, sem custos, para o Málaga. Bruno César saiu para o Al Ahli, em janeiro. No outro lado, Eduardo Salvio foi confirmado do Atlético de Madrid, mas o principal reforço seria o atacante Lima, que brilhara pelo Braga. Custou € 4 milhões e marcou 30 vezes. Cardozo foi novamente o artilheiro, com 32 gols, mas nenhum deles, nem os do paraguaio, nem os do brasileiro, serviram para amenizar a profunda decepção que acabou se tornando aquela temporada.

Tudo começou mais ou menos bem. O Benfica empatou duas vezes nas quatro primeiras rodadas do Campeonato Português, mas emendou nove vitórias consecutivas até o confronto direto contra o Porto, na 14ª rodada, em meados de janeiro. O empate por 2 a 2 manteve os dois líderes empatados, com 36 pontos cada. A decepção foi a Champions League. Não era tão difícil avançar às oitavas de final. O grupo tinha o Barcelona, favorito destacado. Os outros dois integrantes eram Celtic e Spartak Moscou. Os Encarnados não fizeram uma campanha exatamente ruim. Somaram oito pontos, com empate em Glasgow e no Camp Nou e vitórias em casa contra os dois times mais fracos da chave. No entanto, algo inesperado aconteceu: o Celtic conseguiu derrotar o Barcelona, e esses três pontos que não estavam na conta de ninguém foram o bastante para os escoceses ficarem à frente dos portugueses.

O Benfica, porém, seguia forte nas três frentes nacionais e teria a Liga Europa para manter o sonho da glória europeia vivo. Depois de quatro títulos consecutivos, a Copa da Liga finalmente ficou fora de alcance, com derrota para o Braga, nas semifinais. As prioridades de Jorge Jesus eram claras: “A prioridade é o campeonato e o segundo objetivo é a Copa de Portugal. O que os jogadores e eu desejamos é voltar a ser campeões. Se a eliminatória (europeia) puder colocar em causa um jogo do campeonato, eu deixo para trás a Liga Europa”, prometeu.

Na Copa de Portugal, a passagem à final foi assegurada, abrindo a possibilidade de uma dobradinha nacional porque as coisas continuavam a correr bem no Campeonato Português. Depois do empate com o Porto, o Benfica disputou 13 rodadas e ganhou 12. Uma sequência irrepreensível, mas o treinador não quis fazer nenhuma promessa, acrescentando mais um item à lista de coisas que ele não é, ao lado de eletricista. “Sou Jesus, mas não sou bruxo”, disse.

O problema é que os Dragões não paravam de baforar no seu pescoço, tanto que, apesar de uma campanha praticamente irrepreensível dos vermelhos, o empate contra o Estoril, a três partidas do fim, deixou o Porto apenas dois pontos atrás na tabela. E a esta altura vocês devem adivinhar qual era o principal jogo da penúltima rodada daquela liga portuguesa.

Estádio do Dragão, sábado, 11 de maio. O Benfica abriu o placar com Lima, aos 19 minutos. Varela empatou, aos 25, e o empate, bom para o Benfica, manteve-se. Mas apenas até os 46 minutos do segundo tempo, quando Kelvin marcou e deu a vitória aos donos da casa. A vitória que deixava o Porto com um ponto de vantagem, a uma rodada do fim. Incrédulo, Jesus ajoelhou-se no gramado no gramado do Dragão, sentindo toda a dor do torcedor encarnado. O Benfica fez sua parte e derrotou o Moreirense, por 3 a 1. Mas o Porto também. Ganhou do Paços de Ferreira e, invicto, se sagrou tricampeão. O Benfica, com apenas uma derrota, foi vice.

Entre as duas tristes tardes de Campeonato Português, o Benfica teve um compromisso bem importante: sua primeira final europeia desde 1990. A chance de disputar a Liga Europa foi bem aproveitada, com vitórias sobre Bayer Leverkusen, Bordeaux, Newcastle e Fenerbahçe. A final seria contra o Chelsea de Rafa Benítez, na Johan Cruyff Arena. Torres abriu o placar, Cardozo empatou, e o empate manteve-se. Mas apenas até os 48 minutos do segundo tempo, quando Ivanovic fez o gol do título dos ingleses.

Ainda bem que havia a Copa de Portugal, a segunda prioridade de Jorge Jesus na temporada. Nico Gaitán fez 1 a 0 para o Benfica, e a vantagem parcial manteve-se. Mas apenas até os 40 minutos do segundo tempo, quando o Vitória de Guimarães empatou, com El Arbi Soudani. E, dois minutos depois, virou o jogo com Ricardo Pereira, deixando os Encarnados com as quatro mãos abanando.

Ao fim do jogo, ainda no gramado do Jamor, Cardozo empurrou Jesus à frente das câmeras, completando um fim de temporada melancólico para o Benfica. O paraguaio pediu desculpas nos vestiários, segundo Jesus, e em público para a sua torcida.

Apesar das frustrações, e de declarações evasivas de Jesus sobre o seu futuro, o presidente do Benfica garantiu a permanência do técnico. “Jorge Jesus é meu treinador. Continua a ser o treinador do Benfica este ano, certeza absoluta. E vai continuar por muitos anos. Este projeto é para continuar, e Jorge Jesus faz a parte dele. Estou muito satisfeito com o trabalho dele”, afirmou Luís Filipe Vieira.

Liga: segundo lugar
Copas: vice da Copa de Portugal; semifinal da Copa da Liga
Europa: vice da Liga Europa

Benfica – 2013/14: O título mais especial

Jorge Jesus durante a campanha na Liga Europa (Foto: Getty Images)

Jorge Jesus tem múltiplos títulos do Campeonato Português e disputou finais europeias, mas o seu torneio favorito é um muitas vezes desprezado pelos treinadores: a Copa de Portugal. O motivo é, ao mesmo tempo, especial e muito triste. Remete a 1967 quando, aos 13 anos, assistiu à final entre Vitória de Setúbal e Acadêmica ao lado do pai e do avô. “A família do meu pai é de Setúbal e o jogo foi emocionante. O meu avô sentiu-se mal e morreu ali mesmo. Teve um ataque cardíaco. Foi daí que ficou minha paixão pelo Jamor”, explicou.

Jesus desenvolveu o objetivo singular de ser campeão da Copa de Portugal no Jamor. A primeira oportunidade foi com o Belenenses. Perdeu por 1 a 0 para o Sporting. A segunda foi contra o Vitória de Guimarães, já pelo Benfica. A terceira seria contra o Rio Ave, na temporada em que as coisas finalmente voltariam a dar certo na Luz.

Na janela de transferências daquele verão europeu, Pablo Aimar encerrou sua passagem pela Luz, com 179 jogos. Saiu de graça para o Johor Darul, da Malásia. A outra perda relevante aconteceria em janeiro. Nemanja Matic foi vendido ao Chelsea, por € 25 milhões, deixando um vácuo no meio-campo do time. O negócio, porém, foi muito bom para o Benfica, que o havia contratado, do mesmo Chelsea, por um quinto desse valor. Ele foi o sétimo jogador a ser vendido desde a chegada de Jesus por mais de € 20 milhões, depois de Witsel, Javi García, Coentrão, Di María, David Luiz e Ramires. Um total de quase € 200 milhões por jogadores que custaram, juntos, aproximadamente € 38 milhões, sem contar salários e luvas, e floresceram sob o comando de Jesus.

Embora conseguisse desenvolver jogadores garimpados pelo Benfica, o mesmo não se pode dizer dos pratas da casa, e um caso simbólico aconteceu justamente na época da venda de Matic para o Chelsea. Questionado se jogadores da equipe secundária dos Encarnados poderiam substituí-lo, Jesus respondeu que “eles tinham de nascer dez vezes” para chegarem ao nível do volante sérvio. Um dos garotos, Filipe Nascimento, de 19 anos, respondeu pelo Facebook que eles “nasceriam nove vezes mais se fosse preciso, ninguém nos rouba o sonho de uma vida”.

Não obstante, nomes conhecidos teriam suas primeiras oportunidades no time principal naquela temporada: Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, João Cancelo e Victor Lindelöf. A principal novidade foi no gol. Depois de empréstimos para Beira-Mar, Olhanense, União de Leiria e Rio Ave, Jan Oblak seria finalmente aproveitado por Jesus. Começou na reserva, mas ganhou a posição de Artur Moraes, depois de alguns erros por voltada de metade da temporada.

O Campeonato Português não começou tão bem. A primeira rodada foi uma derrota para o Marítimo e ainda houve dois empates nas seis rodadas iniciais. Entre elas, houve uma vitória por 1 a 0 sobre o Vitória de Guimarães que acabou em confusão. Os jogadores comemoraram lançando camisetas para os torcedores, e alguns mais excitados invadiram o campo para tentar agarrá-las. Um deles foi imobilizado por um policial. Jesus reagiu com “uma bofetada na cara e outra no braço” do agente de segurança, segundo o auto da Polícia de Segurança Pública. O caso foi arquivado depois que o treinador aceitou pagar € 500 ao policial em questão e € 25 mil a duas instituições de caridade.

A partir da sétima rodada, ninguém mais parou o Benfica. Foram 20 vitórias e dois empates em 22 partidas pela liga nacional, que garantiram o título no final de abril, a duas rodadas do fim, graças à vitória por 2 a 0 sobre o Olhanense. O Porto havia perdido Vítor Pereira e a aposta em Paulo Fonseca, de bom trabalho no Paços de Ferreira, não deu certo. Ele acabou demitido em março. O Porto terminou em terceiro lugar, a 13 pontos do Benfica. O vice-campeão foi o Sporting. A trajetória em casa foi particularmente impressionante, com oito rodadas seguidas sem ser vazado entre janeiro e abril. A campanha foi tão boa que permitiu a Jesus enviar um time bem modificado para a rodada final, contra o Porto, no Dragão: derrota por 2 a 1, apenas a segunda naquele Campeonato Português.

Com o segundo título português da sua carreira garantido com antecedência, Jesus conseguiu dar atenção aos outros campeonatos – e quase foi campeão de todos eles. No começo de maio, conquistou a quinta Copa da Liga de Portugal, ao derrotar o Rio Ave, na final, por 2 a 0, passando pelo Porto, nos pênaltis, nas semifinais.

Uma semana depois, outra final.  Tirando aquela vez que chegou às quartas de final, Jorge Jesus não teve muito sucesso na Champions League. Em 2013/14, foi eliminado novamente na fase de grupos, em outro grupo que permitia o avanço às oitavas. O Paris Saint-Germain, agora com Ibrahimovic, Cavani, Marquinhos e muito petróleo, liderou, com 13 pontos. O Benfica chegou a vencer os parisienses, na rodada final, e alcançou os mesmos 10 pontos do Olympiacos, que havia batido o lanterninha Anderlecht. O confronto direto foi decisivo: 1 a 1 na Luz e 1 a 0 para os donos da casa na Grécia.

O Benfica, então, caiu mais uma vez para a Liga Europa. E, mais uma vez, fez campanha impecável para chegar à final. Vingou-se dos gregos despachando o Paok, no primeiro mata-mata, e passou pelo Tottenham, nas oitavas de final. Na vitória por 3 a 1 no jogo de ida, em White Hart Lane, Jesus estava tão soltinho que chegou a dançar. Quando Luisão marcou o terceiro dos portugueses, ele fez um sinal com a mão mostrando três dedos em direção ao banco dos Spurs. O técnico Tim Sherwood ficou possesso e foi tirar satisfação. Jesus culpou a proximidade dos bancos na Inglaterra. “Não vou fugir da pergunta: aconteceu. É normal, os bancos aqui são muito juntos. Vários treinadores na Inglaterra tiveram problemas similares, como Ferguson, Mancini e Pellegrini. Eu não desrespeitei o treinador”, justificou, antes da volta. Depois de superar o AZ Alkmar, encontrou a Juventus, que na temporada seguinte seria finalista da Champions League, com Tevez, Pirlo, Pogba, Vidal, Chiellini e Buffon. A vitória por 2 a 1, em casa, valeu a vantagem. O empate sem gols em Turim, a vaga na final.

Parênteses para explanar o que é a maldição de Béla Guttmann. Depois de ser bicampeão europeu, em 1962, o técnico húngaro pediu um aumento que lhe foi recusado. Irritado, renunciou ao cargo e profetizou: o Benfica não ganharia uma competição europeia por 100 anos. Ninguém aqui acredita em bruxas, mas aquela seria a oitava vez que os Encarnados tentariam conquistar um título continental. Ninguém aqui acredita em bruxas, mas, depois de 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, o Sevilla de Unai Emery foi campeão nos pênaltis.

Mas os pensamentos de Jesus estavam quatro dias adiante. O Benfica ganhou vaga na final da Copa de Portugal, derrotando novamente o Porto, com um gol aos 35 minutos do segundo tempo. Estaria no Jamor para o evento final do futebol português, contra o Rio Ave, mesmo adversário da Copa da Liga. A terceira chance de conquistar o título que buscava há quase 50 anos. Um gol de Nico Gaitán, aos 20 minutos, foi o bastante para que ele pudesse levantar a Copa de Portugal em direção aos céus, bem alto para o seu avô poder vê-la de perto.

Liga: campeão
Copas: campeão da Copa de Portugal; campeão da Copa da Liga
Europa: vice da Liga Europa

Benfica – 2014/15: O fim

Os três títulos portugueses que Jesus conquistou pelo Benfica em seu rosto: o 32º, o 33º e o 34º (Foto: Getty Images)

Óscar Cardozo foi o grande artilheiro de Jorge Jesus na Luz: 132 gols em cinco anos de parceria. Mas, na temporada anterior, o paraguaio havia sofrido com problemas físicos, titular apenas seis vezes no Campeonato Português e não passou dos 11 tentos. Foi negociado com o Trabzonspor, por € 5 milhões. Para o seu lugar, o Benfica contratou Jonas, que havia rescindido com o Valencia, e não se arrependeria.

Outros dois brasileiros seriam contratados. Um deles era o goleiro Júlio César, que não estava exatamente em alta depois de levar sete gols em uma semifinal de Copa do Mundo. O outro foi Anderson Talisca, que motivou uma troca de farpas pública com o compatriota José Mourinho, então treinador do Chelsea. Quando o jogador do Bahia acertou com os Encarnados, Mourinho disse que vários clubes da Inglaterra estavam atrás do garoto, que não passou a tomar chá todos os dias às cinco da tarde somente porque não conseguiu licença de trabalho.

Jesus não encarou bem a declaração. “Talisca é um jovem e, se o Benfica chegou primeiro mais uma vez, demonstra que tem qualidade naquilo que faz. Para mim, pelos jogos que fez no Brasil, conheciam tanto o Talisca quanto eu conhecia o D’Artagnan”, disse, em referência aos Três Mosqueteiros do escritor francês Alexandre Dumas. Mourinho respondeu cutucando a fama de Jesus de não ser muito bom em português. “Parece-me que ele é íntimo de D’Artagnan, anda a ler Alexandre Dumas. Eu o admiro por isso. Eu me limito à minha identidade, não leio Dumas. Tenho uma vida diferente, procuro me educar para exatamente um dia não ser acusado de andar aos pontapés, agredindo a pobre da gramática”, rebateu.

O treinador português acrescentou outras duas vendas acima de € 20 milhões à sua conta: Enzo Pérez ao Valencia e Lazar Markovic ao Liverpool, ambos por € 25 milhões. Além disso, passou Oblak ao Atlético Madrid, para o lugar de Courtois, por € 16 milhões, e deixou Bernardo Silva sair em janeiro para o Monaco por apenas € 15 milhões, o que acabaria sendo um grande erro porque, dois anos depois, ele iria para o Manchester City por mais de três vezes esse valor. “O clique foi a conversa com o treinador”, explicou Silva, ao fim daquela temporada. “Eu que fui falar com ele e não o contrário, senão essa conversa possivelmente nunca tinha acontecido. Perguntei-lhe sinceramente e ele me disse que havia muita gente para a minha posição. Enumerou-me quase todos os jogadores e percebi que estava atrás de todos eles. Comecei a treinar com a equipe B e entendi que tinha que procurar outras soluções”. Em uma entrevista ao El País, Silva chegou a dizer que atuou “uma pré-temporada inteira de lateral esquerdo”.

A temporada começou com a conquista da Supercopa de Portugal, um empate por 0 a 0 com o Rio Ave, no qual o goleiro Artur Moraes defendeu três pênaltis na disputa decisiva. A parceria brasileira entre Jonas e Lima deu certo, com 31 e 19 gols, respectivamente. Talisca destacou-se, com 11, e Júlior César ganhou a posição em mais uma temporada de sucesso na Luz. Outra arrancada no Campeonato Português foi essencial para o título, com apenas um empate com o Sporting e uma derrota para o Braga como tropeços nas primeiras 17 rodadas, equivalente ao primeiro turno do torneio que agora tinha dois participantes a mais. Abriu seis pontos de vantagem àquela altura.

O empate sem gols contra o Porto, agora de Lopetegui, a quatro rodadas do fim, manteve o segundo colocado a três de distância. Quando a partida acabou, os dois técnicos cumprimentaram-se, e o que parecia ser um abraço acalorado virou uma discussão acalorada. O motivo? Jesus teve dificuldades para dizer “Lopetegui” em uma entrevista coletiva. Segundo o relato do próprio Jesus, Lopetegui aproximou-se perguntando: “Não me conhece? Não sabe como me chamo”. Jesus achou que era brincadeira e sorriu. Lopetegui, porém, falava sério. Ao perceber isso, o treinador do Benfica rebateu: “Julgas que estás a falar com quem?”. “Para mim, ele subiu de cotação. Lopetegui é um homem corajoso. Um líder como homem. A qualidade como treinador é outra coisa”, disse Jesus que, depois, admitiu que às vezes troca o nome mesmo e que bate-bocas fazem parte do jogo.

Os dois rivais seguiram vencendo até a penúltima rodada, quando o Benfica ficou no 0 a 0 com o Vitória de Guimarães. Mas o Porto não aproveitou e apenas empatou com o Belenenses. Na última rodada, o Benfica goleou o Marítimo por 4 a 1 e conquistou seu 34º título português, o terceiro com Jorge Jesus. Outra taça viria na Copa da Liga, a sexta em sete temporadas dos Encarnados. Jesus não teve a chance de repetir a visita ao Jamor, perdendo do Braga, nas oitavas de final da Copa de Portugal.

E teve a Champions League. Outra vez o Benfica de Jesus decepcionou na principal competição europeia, e dessa vez não houve nem o consolo da Liga Europa. Era outra chave acessível, com Monaco, Bayer Leverkusen e Zenit. Os portugueses conseguiram apenas uma vitória, contra os franceses, em casa, e dois empates. Foram eliminados em último lugar.

Seria sua última chance. O contrato vencia em junho. As duas partes começaram uma negociação para renovar o vínculo, mas o fim foi negativo. Jesus explicaria que “não se sentia desejado” no último ano de trabalho e encontrou um clube que o queria mais. Alguns aspectos podem ter levado a cúpula dos Encarnados a não fazer tanta questão de mantê-lo: campanhas ruins na Champions League, a sensação de fim de ciclo e os desgastes que a personalidade forte de Jesus causavam, em público e com outra figura que não leva desaforo para casa, o presidente do clube Luís Filipe Vieira. Eventualmente, o clube anunciou o fim das tratativa e entrou na Justiça para cobrar € 14 milhões de indenização, alegando que Jesus já estava trabalhando em outro clube enquanto ainda era ligado ao Benfica. O treinador cobrava um mês de salário, e ambos retiraram as queixas ano passado.

Na época, porém, Vieira não deixou barato: “Uma das maiores virtudes que aprecio nas pessoas é gratidão. A gratidão define o caráter das pessoas. Não há insubstituíveis nesta casa, mesmo que alguns pensem que o são. Estou desiludido, mas não surpreso”. E para piorar as coisas, Jesus decidiu atravessar os três quilômetros que separam a Luz de Alvalade e acertar com o Sporting.

Liga: campeão
Copas: oitavas de final da Copa de Portugal; campeão da Copa da Liga
Europa: fase de grupos da Champions League

Sporting – 2015/16: A coragem 

Jorge Jesus, do Sporting (Foto: Getty Images)

A decisão de sair do Benfica imediatamente para o Sporting foi, antes de tudo, corajosa – ou inconsequente, depende muito do ponto de vista. Jorge Jesus colocou em risco a idolatria que havia construído na Luz, como o treinador que mais títulos ganhou pelos Encarnados, para trabalhar no clube no qual jogou e do qual é sócio. O clube do seu coração e do coração do seu pai. E um clube que não conquista o Campeonato Português desde 2002 e nos anos anteriores poucas vezes havia brigado de fato pelo título. “Está na hora de nos assumirmos como candidatos a todos os títulos. A partir de agora, não há dois candidatos, há três. Temos que acordar o leão adormecido”, afirmou, em sua apresentação, prometendo mudanças em Alvalade.

Não era, porém, um time ruim. O gol tinha a experiência de Rui Patrício. O meio-campo contava com William Carvalho, João Mário e Adrien Silva e recebeu o reforço, contestável, do veterano de 30 anos Alberto Aquilani. Para o setor de criação, Jesus foi buscar Bruno César, seu velho conhecido de Benfica, e Bryan Ruiz, que atualmente amarga uma reservaça no Santos, mas, naquela temporada, fez 13 gols. O ataque recebeu Téo Gutiérrez, autor de 15 tentos, e Hernán Bacos, em janeiro, mas o artilheiro foi Slimani, com 31 bolas na rede em 46 jogos.

A temporada começou com um confronto contra o Benfica, pela Supercopa de Portugal. E agora vocês já conhecem Jorge Jesus bem o bastante para saber o que vem pela frente. “As ideias que estão lá são todas minhas”, afirmou, em entrevista à RTP. “O Benfica não mudou nada, zero. Vou jogar contra uma equipe com ideias minhas. Eu cheguei ao Sporting e mudei tudo. O cérebro já não está lá (no Benfica), o treino não vai ser o mesmo, mas tudo aquilo continua”.

Um gol solitário de Téo Gutiérrez assegurou o título para o Sporting, mas as polêmicas continuaram. O Correio da Manhã noticiou que Jesus ainda enviava mensagens para jogadores do Benfica, com conselhos táticos, como “se Talisca jogar atrás do ponta de lança, já perderam o jogo”. Confrontado diretamente pelos repórteres, não negou – “Isso já não me interessa” -, mas comemorou o sucesso dos seus jogos mentais. “Tentei que aquilo que disse mexesse um pouco com ele e com o Benfica. Levou aquilo para o lado que eu queria, que era um Benfica mais da cabeça dele e menos da minha. Foi por aí que partiu a vantagem do Sporting, claramente”, afirmou, referindo-se a Rui Vitória, seu sucessor na Luz, com quem travaria inúmeras discussões na temporada.

Jesus continuou sem saber como lidar com a Champions League e foi eliminado, agora antes da fase de grupos, pelo CSKA Moscou, nas preliminares. Na Liga Europa, levou 3 a 0 do desconhecido Skënderbeu, da Albânia, com um time bastante desfigurado, mas passou ao mata-mata. E não foi páreo para o Bayer Leverkusen, que ganhou os dois jogos e encerrou a campanha europeia do Sporting. As caminhadas nas copas também não prosperaram, fora na terceira rodada da Copa da Liga e nas oitavas da Copa de Portugal. Nada disso, porém, abalou os Leões. Porque a chance de ser campeão era real.

O Sporting arrancou no começo da liga com 11 vitórias e dois empates. Um desses jogos que ganhou foi um bocado especial: na Luz, enfiou 3 a 0 no então bicampeão português Benfica. “É fácil depois de ganhar responder a Rui Vitória. Podíamos ter ganhado por mais. O Benfica não teve uma oportunidade de gol. Era fácil colocar o Rui Vitória deste tamanhinho (pequeno), mas não coloco. Vou respeitá-lo”, vangloriou-se. Ao fim dessa sequência, o Sporting era líder com dois pontos a mais que o Porto e a sete do Benfica. Perdeu a ponta momentaneamente com a primeira derrota da temporada, para o União da Madeira, mas a recuperou batendo o Porto, no confronto direto e seguiu invicto até o fim de fevereiro.

Ao fim da 23ª rodada, o Porto havia perdido contato, e o vice-líder era o Benfica, a três pontos do Sporting. Um empate contra o Vitória de Guimarães estabeleceu uma final em Alvalade na rodada seguinte, com os primeiros colocados separados por um único ponto. Cinquenta mil pessoas no estádio para ver o jogo que poderia ser o do título que elas não conheciam há 14 anos, contra um time que havia sido batido três vezes naquela temporada (também na Copa de Portugal). Konstantinos Mitroglou transformou o sonho em pesadelo com o único gol da vitória do Benfica, novo líder do Campeonato Português.

Nem tudo estava perdido porque ainda faltavam nove rodadas e a diferença era de apenas dois pontos. E o Sporting fez a sua parte: ganhou todas as partidas e fez 86 pontos. No entanto, o Benfica também ganhou todos os jogos restantes e se sagrou tricampeão português. No fim, Rui Vitória riu por último.

Liga: segundo lugar
Copas: oitavas da Copa de Portugal; terceira rodada da Copa da Liga; campeão da Supercopa
Europa: primeiro mata-mata da Liga Europa

Sporting – 2016/17: A pior temporada

A temporada 2016/17 foi uma das mais complicadas da carreira de Jesus (Foto: Getty Images)

Coincidentemente ou não, o Sporting também lucrou bastante com jogadores que se destacaram na primeira temporada de Jorge Jesus. Duas vendas altas: Islimani para o Leicester, por € 30 milhões, e João Mário, para a Internazionale, por € 40 milhões. Jesus voltou a atacar o mercado brasileiro, contratando Elias e André, do Corinthians. Eles durariam muito pouco. O grande reforço daquela janela foi um atacante holandês do Wolfsburg. Se Jorge Jesus tinha Óscar Cardozo no Benfica, no Sporting teria Bas Dost, com média próxima a um gol a cada partida que pisa o gramado com a camisa verde e branca.

Eleito o décimo melhor treinador do mundo na temporada anterior pela revista inglesa Four Four Two, pelo seu começo de trabalho no Sporting, a missão de Jorge Jesus era construir sobre aquela base e mais uma vez atacar o título do Campeonato Português. No entanto, aquela seria sua pior temporada desde que saiu do Braga, com problemas em todas as competições.

A Champions League foi, mais uma vez, um fracasso. O grupo era realmente muito difícil, com Real Madrid e Borussia Dortmund, mas o Sporting o terminou com cinco derrotas e apenas uma vitória, um ponto atrás do Légia Varsóvia, e nem Liga Europa conseguiu disputar. Nada de sucesso também nas copas, outra vez eliminado na terceira rodada da Copa da Liga e derrotado pelo Chaves nas quartas de final da Copa de Portugal.

Depois de alcançar o recorde de pontos na liga portuguesa, a campanha foi muito mais irregular. O segundo turno terminou com empate contra o Chaves, por 2 a 2, e apenas sete vitórias em 17 rodadas. Os Leões estavam em quarto lugar, atrás do Braga, e a oito pontos da liderança. E nunca de fato decolaram, com outra igualdade contra o Marítimo, na sequência, e derrota para o Porto, duas rodadas depois.

Após perder dos Dragões, o Sporting conseguiu emendar 11 jogos de invencibilidade, entre os quais derrotou o Estoril, por 2 a 0, com um gol de pênalti de Bas Dost. Ou de Jorge Jesus? “Um jogador que nunca marcou um pênalti na vida dele, nos clubes pelos quais passou. Nem queria, quando chegou ao Sporting. Dizia que não sabia marcar pênaltis. E eu disse: ‘não? Eu vou ensinar’. E já está a marcar e já fez um gol”, comemorou. Dost havia batido, segundo o Transfermarkt, oito pênaltis pelos seus clubes anteriores, sem nenhum erro. No Sporting, a partir daquele contra o Estoril, converteu 24 e perdeu apenas dois. E Jesus nem conseguia se comunicar direito com o holandês. “Chego de manhã e digo olá a todo mundo e depois vou treinar e falar com o treinador, que não fala inglês. Mas Jesus me mostra o que espera de mim em termos de movimentação em um quadro. Olho para aquilo e penso: é isto que vou fazer. E tem corrido bem”, contou Dost, à Voetbal Inside.

Na 30ª rodada, ainda havia uma fraca chance de título. Caso vencesse o confronto direto contra o Benfica, diminuiria a distância para cinco pontos, a quatro rodadas do fim. Mas o empate por 1 a 1 deixou tudo igual. O Sporting ainda perdeu na reta final para Belenenses e Feirense e terminou o campeonato a 12 pontos da liderança.

Ao fim daquela temporada, porém, os resultados eram a última preocupação de Jorge Jesus. No final de abril, o treinador perdeu o pai, Virgolino Jesus, 92 anos, que havia sido também jogador do Sporting, na década de quarenta, ao lado de lendas como Peyroteo. Foi com Virgolino que Jorge aprendeu a amar o futebol e os Leões. Ele havia ficado muito emocionado, em sua apresentação, quando imagens do pai passaram no telão de Alvalade. Virgolino conseguiu pelo menos realizar o sonho de ver o filho treinar o Sporting. Mas não de ser campeão português por ele.

Liga: terceiro lugar
Copas: quartas de final da Copa de Portugal; terceira rodada da Copa da Liga
Europa: fase de grupos da Champions League

Sporting – 2017/18: Fim conturbado 

Jorge Jesus nas sombras da final da Copa de Portugal (Foto: Getty Images)

Apesar dos resultados abaixo do esperado, e de infinitas especulações de clubes interessados, Jorge Jesus ficou. No mercado, o Sporting realizou outras duas boas vendas, com Adrien Silva indo para o Leicester, por € 24,5 milhões, e Rúben Semedo, para o Villarreal, por € 14 milhões. No departamento de aquisições, Jesus deixaria um grande legado aos Leões com a contratação de Bruno Fernandes, da Sampdoria, por apenas € 9 milhões. Atualmente capitão do time, vale pelo menos quatro vezes esse valor.

O Sporting passou sem grandes problemas pelo Steaua Bucaresti, da Romênia, com goleada por 5 a 1 fora de casa, e se classificou à fase de grupos. Deu azar novamente no sorteio e precisou enfrentar Juventus e Barcelona. Em um dos jogos contra os catalães, Jesus foi visto chamando Messi de “baixinho”. Conseguiu arrancar um empate em Alvalade contra os italianos, mas perdeu os outros três jogos. Pelo menos, as duas vitórias contra o Olympiacos garantiram a sequência da campanha europeia na Liga Europa, na qual finalmente, Jorge Jesus conseguiria chegar longe. Os adversários, também, ajudaram. O Sporting passou por Astana e Viktoria Plzen antes de encontrar com o Atlético de Madrid, nas quartas de final. Os homens de Simeone venceram por 2 a 0, em casa. Na volta, Fredy Montero abriu o placar, aos 28 minutos do primeiro tempo, deixando o resultado em dúvida até o fim.

Jesus foi campeão pela segunda vez com o Sporting, em janeiro, embora não fosse o título que ele queria. E valeu a pena ter ensinado Bas Dost a bater pênalti. O artilheiro holandês converteu sua cobrança nas duas disputas que deram aos Leões o título da Copa da Liga, na semifinal contra o Porto e na decisão contra o Vitória de Setúbal. “É um momento importante para o Sporting. Vim aqui para isto, para aproximar o Sporting dos rivais, para ganhar títulos. Em três anos, este é o meu segundo título e agora espero vencer muito mais”, comemorou.

O começo da campanha no Campeonato Português foi bem melhor que a anterior. O Sporting abriu os trabalhos com seis vitórias seguidas e ficou invicto até a 21ª rodada. Estava a apenas dois pontos do líder Porto, quando foi derrotado pelo Estoril e ficou mais distante. A chance de título efetivamente acabou na 25ª jornada, quando perdeu o confronto direto para os Dragões, por 2 a 1, ficou a oito pontos de distância da primeira colocação e caiu para terceiro, ultrapassado pelo Benfica. Tropeçou outras três vezes até o fim do campeonato e não conseguiu recuperar a vice-liderança, que lhe renderia vaga na próxima Champions League que, com novo formato, pegaria apenas duas equipes de Portugal.

A reta final foi conturbada com a troca pública de farpas entre o elenco e o presidente Bruno de Carvalho, que havia criticado os jogadores publicamente, depois da derrota para o Atlético de Madrid, com um textão de Facebook. Os atletas reagiram com uma mensagem coletiva, compartilhada por vários integrantes do time, em que se defendiam das críticas. Bruno de Carvalho, então, decidiu jogar gasolina na fogueira, chamando-os de “mimados” e ameaçando suspender todos os que republicassem a publicação – ou seja, 19 jogadores. Mas, evidentemente, 19 jogadores não foram suspensos. “Tivemos uma reunião com o presidente, treinador e jogadores. Tudo o que se passou fica no seio da equipe. O presidente me deu liberdade para convocar os jogadores que eu queira. Vou fazer a convocatória normalmente”, garantiu Jesus, antes de enfrentar o Paços de Ferreira, no começo de abril. Depois da vitória por 2 a 0, ele se colocou ao lado dos jogadores. “Quem faz crescer todos os clubes são os jogadores. Hoje uns, amanhã outros, os jogadores são o barômetro de um emblema. Os jogadores quiseram demonstrar que estão unidos. Estamos aqui para defender o Sporting”, disse.

Dois dias depois da rodada final do Campeonato Português, com a confirmação de que o Sporting não disputaria a Champions League, o clima de tensão explodiu, quando 50 torcedores encapuzados invadiram o centro de treinamentos de Alcochete e agrediram vários jogadores, membros da comissão técnica e o próprio Jesus. Bas Dost sofreu a lesão mais escancarada, com um corte feio na cabeça. A reação imediata dos jogadores foi ameaçar a rescisão contratual unilateral por não se sentirem seguros de jogar no Sporting, o que seria um probleminha sério porque, cinco dias depois, o clube estava na final da Copa de Portugal, contra o Desportivo das Aves.

Especialista em pegar uma situação ruim e deixá-la mil vezes pior, Bruno de Carvalho foi aos microfones e atirou para todos os lados, inclusive dizendo que as agressões foram “involuntariamente provocadas pelos jogadores”. Para a surpresa de ninguém, a última visita de Jorge Jesus ao mítico Jamor para um final de Copa de Portugal não terminou bem. Com Bas Dost no comando de ataque vestindo uma touca para cobrir os pontos que precisou levar pela agressão dos torcedores, o Sporting perdeu por 2 a 1, e o Desportivo das Aves foi campeão pela primeira vez. No retorno ao hotel, Jesus esperou jogador por jogador na saída do ônibus para cumprimentá-los, o que foi interpretado como uma despedida.

Corretamente. Aquele foi o fim da linha da passagem de Jorge Jesus pelo Sporting. Ainda havia um ano de contrato, que foi rescindido em “acordo mútuo”, sem o pagamento de indenizações, segundo a imprensa portuguesa. Rui Patrício, um dos jogadores que pediu rescisão de contrato depois do ataque dos torcedores, confirmou que ele foi demitido antes da final da Copa de Portugal.  Jesus foi embora sem cumprir a promessa de ser campeão português pelo Sporting. E iria para bem longe.

Liga: terceiro lugar
Copas: vice-campeão da Copa de Portugal; campeão da Copa da Liga
Europa: quartas de final da Liga Europa

Faixa bônus: Al-Hilal – 2018/19

Jorge Jesus saiu de Portugal pela primeira vez para treinar o Al Hilal, da Arábia Saudita, mas nem deu tempo de sentir saudades. A passagem terminou no fim de janeiro, oito meses depois, com o time líder da tabela de classificação, depois de 12 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota pela liga. O problema é que o clube queria que Jesus, que havia assinado contrato de apenas um ano, renovasse por mais tempo, pelo menos até novembro, quando são realizadas as fases decisivas da Champions League. Ele não quis. “Foi decidido o término do contrato do treinador Jorge Jesus devido à falta de vontade em continuar na próxima temporada”, afirmou o clube, em comunicado.