Champions League

Em 2011/12, Manchester United também caiu no grupo de Benfica e Basel. E foi eliminado

O Manchester United retorna à Champions League, em um grupo que ao mesmo tempo passa certa tranquilidade em relação à classificação às oitavas de final e resgata fantasmas do passado. Na temporada 2011/12, os Red Devils também caíram na chave de Benfica e Basel e, mesmo no auge do comando de Alex Ferguson, ficaram em terceiro lugar e foram empurrados à Liga Europa. Naquela ocasião, o quarto time foi o Otelul Galati, da Romênia. Desta vez, é o CSKA Moscou.

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Aquela era uma época em que o Manchester United estava acostumado a passar às oitavas de final da Champions League no piloto automático. A última eliminação na fase de grupos havia sido em 2005, e a equipe havia chegado a três finais da competição nas últimas quatro edições. Ferguson até mesmo poupava jogadores de algumas partidas europeias para garantir um bom começo na Premier League. Em 2011, porém, a estratégia deu errado. Na última rodada, o clube inglês precisava de um empate contra o Basel, fora de casa, e acabou derrotado.

Era um momento de transição para o Manchester United. Paul Scholes e Edwin van der Sar, dois de seus principais jogadores, haviam acabado de encerrar a carreira. A reposição para o gol foi David de Gea, hoje em dia um titular incontestável da equipe, mas que teve dificuldades para se adaptar na sua chegada à Inglaterra. O vácuo no meio-campo foi irreversível com a aposentadoria de Scholes, tanto que o meia inglês foi convencido a voltar atrás, seis meses depois.

A temporada de 2011/12 foi dura para o Manchester United. Apesar de ter chegado à final da Champions e ter sido campeão inglês na época anterior – o 19º título, superando o Liverpool -, o elenco não era dos mais talentosos. Havia uma forte defesa, com Vidic, Ferdinand e Evra, mas o meio-campo era pouco criativo, ainda mais com a aposentadoria de Scholes e a idade chegando a Giggs. Tom Cleverley começou jogando e teve bons momentos, mas se machucou seriamente e perdeu boa parte dos jogos. O ataque dependia muito de Rooney, uma vez que Chicharito e Berbatov oscilavam bastante.

Em seu livro, Ferguson afirmou que esse foi o momento em que decidiu se aposentar: “Eu disse aos meus filhos: ‘Acho que é isso. Mais uma temporada e chega’, porque ela exigiu muito de mim”. As decepções foram gigantescas. Além de ser eliminado da Champions, o United também saiu precocemente das copas inglesas e foi derrotado por 6 a 1 pelo Manchester City, em Old Trafford. Mesmo assim, conseguiu se recuperar e estava conquistando o segundo título inglês seguido até os últimos segundos da Premier League, quando Agüero marcou aquele gol contra o QPR.

A campanha europeia do Manchester United começou em Lisboa, contra o Benfica. Os ingleses saíram do Estádio da Luz com um bom empate por 1 a 1. Na rodada seguinte, receberam o Basel, em Old Trafford, e abriram 2 a 0, dois gols de Welbeck, mas os suíços viraram para 3 a 2, e Young, nos acréscimos do segundo tempo, evitou um vexame tão grande e empatou. O Otelul Galati, time mais fraco do grupo, foi despachado com duas vitórias por 2 a 0, na Inglaterra e na Romênia. O United tinha oito pontos em quatro partidas e ainda estava bem colocado para se classificar.

O próximo jogo era contra o Benfica, em Old Trafford. Rooney vinha voando, havia marcado nove gols nas cinco primeiras rodadas da Premier League, mas foi um dos poupados. Quatro dias antes, disputou os 90 minutos contra o Chelsea. Ainda assim, o United chegou a abrir 2 a 1 antes de levar o empate, com Aimar, na metade do segundo tempo. Não foi o resultado esperado, mas a situação ainda era aceitável: bastava empatar com o Basel, na Suíça, para se classificar às oitavas de final.

Mas o United estava no fio da navalha: um dia ruim no St. Jakob-Park colocaria tudo a perder. E foi exatamente isso que aconteceu. Ferguson perdeu Vidic, machucado, no começo do jogo. De Gea ainda revezava com Lindegaard e sofria com as críticas que recebeu no seu começo de carreira na Inglaterra. Falhou no primeiro gol, de Marco Streller, companheiro de Shaqiri e Xhaka naquele Basel. Frei ampliou, aos 40 minutos do segundo tempo, e o tento de Phil Jones foi irrelevante. O United perdeu por 2 a 1 e precisaria jogar a Liga Europa. Estava eliminado da Champions League.

“Sair da Champions League na fase de grupos foi minha culpa”, assumiu Ferguson, em sua autobiografia. “Eu menosprezei a competição. Nós havíamos nos classificado confortavelmente na fase de grupos em edições anteriores e, olhando para esta, eu senti que seria tranquilo, apesar de, claro, nunca ter dito isso em público. Descansei jogadores: dois ou três quando enfrentamos o Benfica, fora de casa. Saímos com o empate e jogamos bem. Veio o Basel, estávamos vencendo por 2 a 0 e passeando, mas acabamos empatando por 3 a 3. Eles haviam vencido o primeiro jogo, então estavam na nossa frente. Vencemos nossos próximos dois jogos, contra o Otelul Galati, mas Benfica e Basel ainda estavam na caça”.

“Jogamos bem, mas apenas empatamos, em casa, contra o Benfica, o que significava que, se perdêssemos para o Basel, estaríamos fora. O gramado era muito macio na Suíça e perdemos Vidic no primeiro tempo. Eles tinham dois bons atacantes, em Frei e Streller, e venceram o jogo por 2 a 1. Contra o Basel, em casa, os jogadores foram complacentes defensivamente, não voltaram para recuperar a bola”, acrescentou.

Fica a lição de Ferguson, uma das referências de José Mourinho: mesmo que o grupo com Basel e Benfica pareça tranquilo, o Manchester United não pode cair na complacência. Até porque, há outra lição mais recente. Em 2015/16, os Red Devils também caíram em uma chave teoricamente tranquila, ao lado de Wolfsburg, PSV e CSKA Moscou, e foram eliminados, sob o comando de Louis van Gaal.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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