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Zé Luiz: Futebol em quatro confederações

Poucos jogadores tiveram a oportunidade de vivenciar o futebol em quatro confederações diferentes, como o meia José Luiz Birche, 25 anos, ex-Atlético-PR. Este paulista de Penápolis, atualmente defende o Progresso de Sambizanga, de Angola. Neste contato, o solícito Zé Luis relata para nós suas experiências no Uruguai, México, Suíça e Angola. Além dos trabalhos de garoto propaganda na África e muito mais.

Como foi o inicio de sua carreira no Paraná Clube e a troca pelo rival Atlético?
Cheguei no Paraná Clube por indicação, comecei na equipe júnior e depois me profissionalizaram. Fiquei lá dois anos. Fiz grandes partidas contra o Atlético-PR, os dirigentes do gostaram e vieram atrás de mim para negociarmos e acabei me transferindo para o CT do Caju, ficando mais um ano em Curitiba defendendo o ‘furacão’.

Você deixou o Atlético-PR pouco antes de o clube ganhar o titulo Brasileiro de 2001. Foi por vontade própria ou a proposta do Fenix, do Uruguai, foi muito boa na época?
A verdade é que eu queria ter o meu espaço e não estava sendo utilizado no time principal, ai apareceu um empresário e me viu jogando, conversou comigo e entramos em acordo com o Atlético/PR e acabei me transferindo para o Fênix, do Uruguai. Mas antes de estrear pelo Fênix eu fui emprestado ao Botafogo de Ribeirão Preto, onde fiquei alguns meses.

Depois de classificar o Fenix duas vezes seguidas para Libertadores, em 2002 e 2003, qual o seu sentimento ao ver o time hoje na segunda divisão uruguaia?
Passei lindos momentos no Fenix, um deles foi ser campeão com o estádio Centenário lotado pela Liguilla que valia a entrada para a Taça Libertadores da América. Hoje vejo o clube nesta situação que se encontra…é muito triste. Mas tenho certeza que é um grande clube e, em breve, regressará a 1ª divisão.

O futebol praticado no Uruguai é violento? falta público nos estádios?
É um futebol muito agressivo, violento às vezes, de forte pegada e nos jogos sempre há muitos torcedores ‘baderneiros’ aprontando. Isso é um problema, mas o público freqüenta bastante os jogos.

Os talentos saem muito cedo do Uruguai para o exterior e isso atrapalha?
Acho que sim, quando eu estava lá joguei contra jogadores que hoje estão no futebol argentino, mexicano e europeu sem conseguir o sucesso que os uruguaios achavam que eles iam conseguir. Mal sobem para os profissionais e já vão para o exterior. Nem sempre isso é bom.

Pelo que você vivenciou lá na Suíça, o trabalho de base é bem feito? Qual jogador mais lhe chamou a atenção tecnicamente na liga suíça?
Lá se trabalha muito a força. Muito treino na academia e os treinos físicos no campo são puxados e a tática tem grande importância para eles também. O jogador que mais me chamou a atenção foi o Cabanas (atualmente no Colônia). Ele tem muita técnica e precisão nos passes.

O seu atual time, o Progresso Sambizanga, fechou numa posição ruim o campeonato angolano. Foi uma temporada para esquecer, não?
É um momento muito difícil na minha carreira. Nunca estive num lugar tão incômodo, mas futebol é assim. Grande parte do nosso fracasso se deve a irresponsabilidade de parte da Direção do clube com os jogadores. Nós fizemos nossa parte, treinamos e jogamos mas..

Os salários estão atrasados? É uma realidade geral nos clubes de Angola?
Não, é só aqui no Sambizanga que os salários estão atrasados, e os ‘bichos’ também estão atrasados desde fevereiro e fiquei sabendo que não vão pagar. Graças ao meu trabalho tem times aqui que estão atrás de mim. O 1º de Agosto (atual campeão) e o Petro de Luanda. Vamos ver no que dá.

A África sempre foi conhecida por exportar jogadores e não importar. Por ser estrangeiro, existe alguma dificuldade na relação com os angolanos? Eles não gostam dessa entrada de estrangeiros no campeonato deles?
Tem muitos que não gostam, acham ruim para o futebol deles e contratam só angolanos ou outros africanos.

Quais são as maiores curiosidades em relação ao português falado em Angola?
Me chama a atenção é que quando vão roubar a bola de você ao invés de gritarem “ladrão!”, eles gritam “policia!”(gargalhadas).

Como rolou esse convite para fazer uma propaganda de cerveja am Angola?
Conheci uma pessoa muito importante aqui no meio artístico. Essa pessoa me convidou para fazer a propaganda de uma cerveja muito popular aqui e depois fiz uma outra propaganda para uma revista chamada “Talentos”.

Como foi sua passagem pelo Tigres? Você acha que o futebol mexicano esta perto de ganhar uma libertadores?
Foi uma passagem muito rápida. Aprendi muita coisa: eles têm uma estrutura invejável. Um dos melhores que eu passei, paga os atletas em dia, muito organizado. Acho que os mexicanos podem faturar a Libertadores em breve. Não só a Libertadores como também outros torneios internacionais. Eles estão em ascensão.

Quais as principais diferenças entre o futebol uruguaio, suíço, mexicano e angolano?
Como eu disse, no Uruguai o futebol é muito “agressivo” e violento às vezes. Na Suíça tem muita marcação e é cheio de esquemas táticos. No México o ritmo é mais lento e cadenciado. Aqui em Angola é pura força, velocidade, porém, pouco técnico.

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Equipe Trivela

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