Yan: A vida após o título júnior
Ele foi um dos principais jogadores da conquista brasileira do Mundial sub-20, em 1993, na Austrália, marcando um gol na final contra Gana. Yan, meia revelado no Vasco, fala com a Trivela sobre suas lembranças daquela geração que contava com Dida, Argel, Catê, Adriano e Jardel, entre outros. Ele também repassa toda sua carreira, até a atualidade, quando, aos 31 anos, sua principal ambição, a curto prazo, é vencer o Campeonato Goiano 2007, com o modesto Jataiense. Confira este bate-papo com o solícito e articulado Yan.
Você foi um dos pilares da conquista do titulo mundial júnior pelo Brasil, em 1993, na Austrália. Quais as lembranças mais marcantes que você tem daquela conquista?
Sem dúvida, o que mais marcou foi o jogo da final, pois jogamos contra um time forte (Gana), considerado favorito. O principal foi poder ter ajudado o time a conquistar esse titulo, fazendo um gol.
Ainda existe contato entre os jogadores que fizeram parte daquela conquista?
Sim, claro! Falo mais com Gian, Argel, Caíco e o Bruno Carvalho.
Interessante que nenhum jogador daquela conquista transferiu-se para um grande clube da Europa. Em 1995, Caio foi para a Internazionale e, em seguida, Adailton (1997), Adriano (2001), Daniel Carvalho (2003), e muitos outros conseguiram grandes contratos após jogar um Mundial sub-20 pelo Brasil. Por que isso não aconteceu com vocês, em 1993? Era difícil sair?
O que aconteceu foi que a cultura dos times, naquela época, não era vender jogadores novos. Eu, por exemplo, com apenas 18 anos, recebi várias propostas, mas o Vasco não liberou.
Você trabalhou com técnicos que foram jogadores, como Cuca, no Grêmio, e Renato Gaúcho, no Fluminense, mas também conviveu com treinadores que não foram boleiros, como Carlos Alberto Parreira, no Fluminense, e Oswaldo de Oliveira, no Flamengo. Na sua visão, um técnico deve ser um ex-jogador ou você acha que isso não é necessário?
Não precisa. Trabalhei com vários técnicos que não foram jogadores, principalmente esses que você citou, que pra mim são referências como treinadores.
Yan deve ao Vasco ou o Vasco deve ao Yan?
Devo ao Vasco a oportunidade de ter iniciado minha carreira lá.
Ficou feliz com a conquista do titulo mundial do Internacional, seu ex-clube? Em 1996, quando você jogou lá, a administração era ruim ou já havia um planejamento bem elaborado?
Fiquei muito feliz, principalmente por ser um clube do Brasil. Em 1996, o Internacional já era um clube muito bem estruturado e com um planejamento bastante sólido.
Você viveu o inferno da Terceirona e depois vivenciou bons momentos no Fluminense. Qual o segredo para lidar com a pressão, a cobrança e erguer novamente uma equipe?
Primeiro de tudo, o grupo deve estar unido. Base e planejamento são fundamentais. Naquela época, sem dúvidas, o Fluminense, Parreira e toda equipe técnica conseguiram reunir tudo isso com muito êxito.
Acha que as equipes cariocas podem ganhar um titulo Brasileiro até o fim desta década ou os times do Rio de Janeiro estão bem abaixo de paulistas, gaúchos e outros?
O futebol brasileiro, hoje, está muito nivelado, todos os times têm chances. O que pode fazer a diferença é a organização que existe em alguns clubes.
Você realizou uma boa campanha com o Coritiba, em 1999. Qual o sentimento de ver a equipe hoje na Segundona?
É uma pena. Conquistei com o Coritiba um campeonato paranaense, numa época em que fazia 10 anos que eles não ganhavam. Sei do potencial do clube e que a segunda divisão não é o seu lugar.
Em 2005, o jornal português O Jogo divulgou que Luis Fabiano, atual Sevilla, disse que o futebol em Portugal é chutão e porrada. Pela sua experiência no Penafiel, você concorda que o nível técnico por lá é baixo?
A diferença não está no nível técnico, mas sim no estilo de jogo. Eles jogam de maneira mais defensiva, visando não tomar gols, e o resto é conseqüência.
Nos conte sobre o futebol no Bahrein… Acha que é um país em ascensão no Oriente Médio, tem jogadores de qualidade, bons estádios?
Sem dúvidas. Me surpreendi muito no Bahrein. No time em que joguei (Al Riffa) havia jogadores da seleção, de bom nível técnico. Os estádios são bons, e acredito que o Bahrein tem tudo para se tornar um país de grande êxito no futebol.
Como era a relação entre os estrangeiros da equipe e os jogadores locais do Al Riffa?
A relação era muito boa, apesar da grande diferença cultural. Os jogadores locais me receberam muito bem e sempre que necessário me auxiliavam.
Você jogou pela primeira vez numa equipe de sua terra natal, no Avaí. É uma equipe que pode em breve estar na Série A e ter a mesma regularidade do Figueirense?
Claro! Até hoje mantenho contato com o Zunino (presidente do Avaí) e acompanho o trabalho que eles fazem para chegar à primeira divisão e se manter. Acho que para isso acontecer é só uma questão de tempo.
Qual a ambição do Jataiense no Campeonato Goiano?
A ambição de qualquer time é alcançar o título. Não tem essa de ser pequeno e pensar pequeno. Queremos o titulo goiano.


