Werder e Shakhtar: a última final da Copa Uefa

Finalmente, o momento chegou. Após dez meses e três dias de disputa, iniciada com a primeira fase preliminar, a Copa Uefa 2008/09 conhecerá seu campeão, o último que erguerá o troféu com a competição tendo esse nome – já que, a partir da temporada 2009/10, ela passará a ser nomeada Liga Europa. A partir das 15h30 desta quarta-feira, no estádio Sükrü Saraçoglu, casa do Fenerbahçe, em Istambul, capital da Turquia, o árbitro Luis Medina Cantalejo, da Espanha, trilará o apito e dará início à final entre Werder Bremen e Shakhtar Donetsk.
Do lado do Shakhtar, o treinador romeno Mircea Lucescu tem um cenário mais auspicioso. À exceção do volante tcheco Tomas Hübschman, suspenso pelo número de cartões amarelos, todos os titulares estarão à disposição para a primeira final da equipe ucraniana em um torneio continental. Lucescu analisou o fato do Shakhtar ser a primeira equipe ucraniana a alcançar tal feito: “O nível do futebol ucraniano melhorou muito nos últimos anos, e as equipes começaram a ter sucesso nas competições europeias. É só ver, por exemplo, o que Shakhtar e Dynamo Kiev alcançaram nesta Copa Uefa. Merecíamos estar aqui [na final] e vamos regressar a Donetsk com o troféu.”
Nesta terça, vários jogadores do Shakhtar também enfatizaram a importância da partida para o clube, em entrevista coletiva. No time desde antes da chegada de Mircea Lucescu, há cinco anos, o lateral Darijo Srna e o meia Mariusz Lewandowski foram unânimes no assunto. O croata Srna afirmou: “Há muito tempo nos preparamos para este jogo. Faremos tudo para ganhar e levar o troféu. É minha primeira final, a equipe é nova, mas merecemos chegar à ela. Agora, são 50 por cento de chances para cada lado.”
Lewandowski, polonês, preferiu a simplicidade: “É, provavelmente, a partida mais prestigiosa. Todos sonham em jogar uma final. Mas não temos de nos superar. Temos de jogar como estamos habituados: mostrar a força do Shakhtar e colocar em campo nosso estilo de jogo habitual.” O brasileiro Willian também deu sua opinião: “Sabemos que o jogo é muito difícil, vamos enfrentar uma grande equipe, mas estamos nos preparando bem para a partida.”
O zagueiro Dmytro Chygrynsky analisou as forças do Werder Bremen: “Eles já atuam em partidas como essa há muito tempo. Sempre foram fortes e praticaram um futebol espetacular, ao longo dos últimos anos. É uma equipe que preserva a sua imagem, sempre apresentando um futebol ofensivo, à custa de menores cuidados na defesa.” O armador brasileiro Fernandinho, no entanto, colocou mais emoção em sua frase, na coletiva: “Estar na final da Copa Uefa, defendendo as cores do meu amado Shakhtar, é incrível.” Mircea Lucescu se disse ainda “absolutamente satisfeito com os jogadores.”
Já o Werder Bremen chega para a partida enfrentando um problema duro de ser solucionado. Não bastassem as ausências certas do meia Diego e do atacante Hugo Almeida, suspensos pelo terceiro cartão amarelo, levado no jogo de volta das semifinais da Copa Uefa, contra o Hamburg, o treinador dos Papagaios, Thomas Schaaf, sofre cada vez mais com contusões entre o elenco. Primeiro, o zagueiro Per Mertesacker, titular, sofreu um rompimento de ligamentos no tornozelo esquerdo, também na partida contra o Hamburg, e é outro desfalque irremediável. Posteriormente, o zagueiro Naldo começou a sofrer com dores na virilha.
A dupla de ataque do Werder também ficou sob suspeita. O peruano Claudio Pizarro, com leves problemas no pé, e o sueco Markus Rosenberg, substituto primordial de Hugo Almeida, que sente dores no tornozelo, foram poupados na última partida da equipe pela Bundesliga, contra o Eintracht Frankfurt, especialmente para chegarem à decisão em melhores condições. Completando a lista, o capitão Frank Baumann, que deve ocupar o lugar que seria de Mertesacker, na zaga, tem uma distensão muscular.
Em entrevista coletiva nesta terça, pouco antes do treino de reconhecimento no Sükrü Saraçoglu, Thomas Schaaf lamentou a onda de contusões: “Não sei quem está em forma e apto a jogar. Não pensei nem mesmo na formação com que o time irá a campo, ainda.” Porém, na chegada a Istambul, a situação de Naldo, Pizarro e Rosenberg ficou melhor: todos disseram não sentir mais dor, e devem ser escalados.
O goleiro Tim Wiese exprimiu ansiedade: “Todos os jogadores querem chegar a uma final, o que já é uma enorme proeza. Não há diferença entre vencer uma liga e uma taça, mas esta é a última Copa Uefa, o que torna especial a chegada à decisão.” Wiese ainda lembrou de uma partida disputada em Istambul, defendendo a seleção alemã sub-21, e elogiou o ambiente do Sükrü Saraçoglu: “Era brilhante, o melhor que já vi.” Naldo também mostrou mais alegria em suas frases, após a suposta recuperação: “Está dando tudo certo, é um momento maravilhoso. É minha melhor temporada desde que cheguei.”
E, na última final da Copa Uefa sob o formato atual, o Werder procura voltar a ganhar um título europeu, após 18 anos de jejum, quando venceu a Recopa 1991/92. O Shakhtar quer a primeira conquista continental. Só a partida decidirá quem sucederá o Zenit na lista dos vencedores da segunda mais importante copa da Europa.


