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Voltando de Baku

Depois de três anos e meio no Azerbaijão, o meia Marcos Xavier está de volta ao Brasil. O ex-jogador de Karvan Yevlakh e PFC Neftchi conta como foi sua aventura no sul do Cáucaso, onde chegou a defender a seleção azerbaijana. Entre os vários aspectos abordados na entrevista, o carioca de 27 anos faz um alerta aos jogadores.
“Não confiem nas pessoas lá, pois são mentirosos”.

Ainda acha que o Karvan Yevlakh ou o PFC Neftchi podem ganhar o campeonato?
Não, acho que o time do Karvan deste ano, por exemplo, não esta bom, eles não investiram muito e isso prejudicou a equipe.

Quais foram suas dificuldades de adaptação nos primeiros meses?
Foi um pouco difícil a adaptação no começo, pois não sabia falar o idioma e isso fez com que se tornasse complicada a comunicação. O estilo de jogo do Azerbaijão também é diferente do futebol que eu estava acostumado no Brasil e demorei a me acostumar com o frio, já que a maioria dos meses são frios.

Fazer amizade com os jogadores azerbaijanos é fácil? São pessoas simples, não?
Como em todo lugar do mundo tem pessoas mais difíceis de se lidar. Mas fiz muitas amizades legais, tanto que até hoje eles me ligam.

O que o levou a aceitar jogar na seleção do Azerbaijão?
Foi a oportunidade que tive no momento e acreditei que com isso eu pudesse crescer lá fora.

A Federação tem naturalizado brasileiros para atuar na seleção. Isso incomoda os jogadores nascidos no País?
Deixa a seleção mais forte, mas isso incomoda alguns jogadores sim. Teve até um caso de um zagueiro da seleção que falou mal dos estrangeiros e que a Federação estava agindo errado em naturalizá-los e ele foi punido pegando seis meses de suspensão.

Você vê muito futuro para o futebol do Azerbaijão?
Não porque os clubes e a Federação não investem.

Eles apreciam muito mostrar o Islamismo e tentam convencer os estrangeiros a praticarem a religião?
Não, lá a religião que predomina é o islamismo, mas mesmo assim eles não tem esse tipo de costume.

Os jogadores são assediados e costumam cair na noite ou isso não existe por lá?
Não porque lá as mulheres não costumam frequentar os estádios e o futebol não é o primeiro esporte como no Brasil. As saídas na noite existem sim e muitos vão para se divertir.

Os clubes de Baku estão muito mais avançados em termos de estrutura? Jogar em cidades do interior como Zaqatala, Lenkoran e Tovuz é ruim?
Não é bem assim, os clubes da capital tem a mesma estrutura das equipes
do interior, porém, morar na capital é muito melhor.

Conte-nos sobre os torcedores em geral. São fanáticos? Protestam muito?
Não são fanáticos como no Brasil. Eu nunca vi nenhum protesto dos torcedores durante os três anos que joguei lá. No interior os jogadores são mais conhecidos do que na capital.

Qual foi o acontecimento mais engraçado que você viu ou passou desde que chegou ao País?
Teve vários acontecimentos engraçados, mas vou te contar um. Tinha um goleiro africano no meu time e teve um jogo que o treinador ia colocar ele no banco de reservas. Aí ele ligou pra África e pediu pra fazer uma macumba pro time perder de 2 a 0, só que quando chegou na hora da preleção o goleiro que ia jogar passou mal e o treinador resolveu escalar ele (o africano), que ficou desesperado atrás de um telefone, pois queria ligar pra África pra desfazer a macumba (gargalhadas). Foi demais, só vendo pra crer.

Quais os conselhos que você daria para um brasileiro que estivesse chegando hoje ao futebol do Azerbaijão?
Para não confiar nas pessoas lá, pois são muito mentirosos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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