Vida de segunda

Terminou a temporada na Europa. Todos os holofotes estão sobre os grandes campeões, como Real Madrid, Manchester United e Internazionale. Mas em outras cidades, bem menos famosas, estão rolando festas parecidas: são os times que subiram para a primeira divisão de seus países.
Abaixo, você pode conferir como foi a temporada 2006/7 na segunda divisão dos sete principais campeonatos europeus: Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, França, Portugal e Holanda. Você também pode clicar aqui para ver a lista completa dos times promovidos e rebaixados em todos os países da Europa e da América do Sul cujos campeonatos terminaram neste meio de ano.
Itália
A melhor Série B de todos os tempos na Itália não poderia ter tido um desfecho melhor para o futebol italiano, um ano após a desgraça do ‘Calciocaos’. Juventus, Napoli e Genoa deram à Série A quase 40 títulos italianos a mais e certamente aumentaram a expectativa pela próxima edição da Série A. O acréscimo de público do próximo campeonato deve estar próximo dos 20{a12cf170529acbd7b36c6d9566dcea6b97d0f72dc979800f5851fcdd34e7d94a}. O Napoli, mesmo na Série B, teve a quarta maior média de público da Itália. Ascoli, Chievo e Messina, os rebaixados, não deixarão um grande buraco na divisão máxima.
A contribuição dos três ex-campeões italianos à Série A não deve ficar só na expectativa. Juventus, Genoa e Napoli devem subir com orçamentos consideravelmente maiores do que os dos clubes que caíram. Isso, somado às estratégias dos outros grandes italianos para concorrer na Itália e na Europa, muito provavelmente deve render um mercado pródigo em transferências de jogadores.
O movimento de atletas de nome para fora da Itália na temporada passada deve ser revertido neste verão europeu. Todos os grandes da Península se preparam para contratações importantes. Eto’o (Barcelona), Nasri (Inter), Gilardino (Milan), Pizarro (Inter e Roma), Almirón (Empoli), Vanden Borre (Anderlecht) são alguns dos nomes envolvidos nas listas.
Você pode ver mais sobre a segundona italiana no seguinte link: http://www.trivela.com/index.asp?Fuseaction=Futebol_Mundial_Pais&id_secao=13 [CRG]
Espanha
A Segunda División 2006/7 foi das mais monótonas. Ao final do primeiro turno, Valladolid e Murcia já haviam aberto vantagem considerável em relação ao segundo pelotão, do qual o Almería ensaiava sua desgarrada também. O pior é que, desses, apenas o Valladolid parece ter um projeto interessante para fazer um bom papel no retorno à elite.
A definição rápida dos líderes deixou de lado equipes que poderiam animar a competição por sua tradição, como Cádiz, Sporting Gijón, Málaga, Las Palmas e Tenerife. Na parte de baixo da tabela, o cenário não foi muito diferente. O Vecindario sempre ficou na lanterna. Imediatamente acima, Lorca e Ponferradina também pareciam fadados ao rebaixamento, enquanto que o Real Madrid Castilla caiu, confirmando a decadência dos times B na Espanha.
Assim, a maior expectativa por mudanças foi na compra de vagas, possibilidade aberta pela federação espanhola no último ano. O Oviedo sempre apareceu como principal interessado a comprar o lugar de alguém na Segundona (falou-se até em ficar no lugar do Valladolid na elite), mas isso acabou ocorrendo com o Granada, que tomará o lugar do Ciudad de Murcia. [UL]
Inglaterra
A disputa do ‘Championship’ na última temporada foi interessante. Birmingham e Sunderland só garantiram as duas primeiras posições nas últimas rodadas. As vagas no playoff – que terminou com vitória do Derby – foram definidas de maneira empolgante, com seis times brigando por três vagas na última rodada.
Além disso, o torneio ganhou interesse pelas histórias pitorescas. Por exemplo, poucos esperavam que Roy Keane fosse bem-sucedido como técnico. Mas eis que o irlandês levou o Sunderland ao título da Segundona. Outro ex-jogador famoso, Dennis Wise, teve desempenho oposto: acabou rebaixando o Leeds para a terceira divisão, no que foi um dos principais assuntos da temporada.
No final das contas, prevaleceram os times que investiram mais – valores na casa dos € 10 milhões. Também é de se notar a força dos clubes recém rebaixados da Premier League: Sunderland e Birmingham ficaram com as duas primeiras posições, e o West Brom só foi eliminado na final dos playoffs. Os três promovidos são equipes tradicionais, que têm razoável força financeira e experiência recente na primeira divisão (o Derby esteve lá pela última vez em 2002). Com isso, pode-se esperar uma briga parelha contra o rebaixamento na próxima temporada – e com um índice de sucesso maior do que na passada, quando dois dos três promovidos caíram de volta. [TRA]
Alemanha
A 2. Bundesliga registrou um fato bastante inusitado na temporada 2006/7. Enquanto times da primeira divisão tentavam a todo custo contratar Christoph Daum, que havia deixado o Fenerbahçe e estava desempregado – nem mesmo a proposta milionária do Schalke lhe interessou – o técnico decidiu reassumir o Colônia, seu time de coração, e ajudá-lo a voltar à primeira divisão.
Nem toda sua experiência e talento, porém, foram o suficientes para devolver os Geisböcke à elite. Com um elenco bastante limitado, o clube acabou no meio da tabela em meio a uma discussão sobre a permanência ou não de Daum na equipe para 2007/8. Figurinhas carimbadas na primeira divisão, outras decepções da temporada foram 1860 Munique e Kaiserslautern, que raramente deram mostras de que teriam condições de brigar pelas três primeiras posições.
As três vagas acabaram com Karlsruhe, Hansa Rostock e Duisburg, o único dos três rebaixados em 2005/6 que conseguiu retornar imediatamente. A vaga dos Zebras, aliás, veio apenas graças ao saldo de gols, já que acabou empatado em pontos com o Freiburg.
Se a terceira vaga foi bastante disputada – o Greuther Fürth também, mais uma vez, bateu na trave –, o mesmo não pode ser dito para campeão e vice. O Karlsruhe pareceu o Bayern em ano bom: liderou quase que de ponta a ponta, com raros tropeços e uma dupla de atacantes (Federico e Kapliani) que fez a diferença. Juntos, os dois marcaram 36 gols, mais do que cinco das 18 equipes da Segundona.
A outra vaga ficou com o Hansa Rostock, que foi a equipe mais regular, com apenas quatro derrotas. Só não ficou com o título porque empatou demais. Com o Rostock na Bundesliga, aliás, a elite da Alemanha, que em 2005/6 estava sem clubes da região da Alemanha Oriental, terá duas equipes (a outra é o Energie Cottbus). [CEF]
França
A Ligue 2 não teve grandes surpresas nesta temporada. Como esperado, clubes que tiveram passagens recentes pela primeira divisão foram promovidos (Metz, Strasbourg e Caen). O Amiens foi o único clube que incomodou até o final e quase subiu, mas no final prevaleceu a maior força das equipes tradicionais.
Ao contrário da temporada anterior, quando subiram três equipes há algum tempo distantes da Ligue 1 (Valenciennes, Lorient e Sedan), os três novos integrantes da primeira divisão tiveram passagem curta pela Segundona. Metz e Strasbourg ficaram apenas um ano; o Caen, que quase subiu em 2005/6, permaneceu duas temporadas na Ligue 2. Essa é uma esperança para Nantes, Troyes e Sedan, que deixaram a elite.
Entre os destaques individuais, o maior deles ficou para Yoan Gouffran. O atacante de Caen, de 21 anos, formado nas categorias de base do clube, foi o artilheiro da equipe no campeonato com 15 gols e já chamou a atenção de Paris Saint-Germain, Olympique de Marselha, Chelsea, Valencia e Arsenal. Membro da seleção francesa sub-21, ele foi considerado o melhor jogador da Ligue 2.
Aliás, os Canários finalmente foram rebaixados após uma série de campanhas ruins na elite. A queda deve provocar profunda mudanças no clube, que estava na Ligue 1 havia 44 temporadas. A chegada do Nantes promete trazer um brilho extra à Ligue 2, aliado à expectativa em cima do emergente Boulogne-sur-Mer. [RE]
Portugal
A segunda divisão portuguesa começou em meio à polêmica pelo rebaixamento do Gil Vicente, pela utilização irregular do jogador angolano Mateus na temporada 2005/6. O time de Barcelos contestou judicialmente a decisão da liga, o que colocou Portugal sob risco de suspensão por parte da Fifa.
O campeonato teve início sem que se soubesse se jogaria o Gil Vicente ou o Belenenses – que havia caído em campo. Os jogos que envolveriam ambos na primeira rodada foram adiados. Somente com a intervenção da federação portuguesa, que invocou uma medida de interesse público para evitar danos ao futebol do país, ficou definitivamente determinado o rebaixamento do Gil Vicente.
O time, no entanto, não compareceu aos jogos da segunda, terceira e quarta rodada, ficando, pelo regulamento, com derrotas por 3 a 0 em todos eles e perdendo outros três pontos por cada um. Somente na quinta rodada, e com nove pontos negativos, os gilistas entraram em campo, temendo punições mais severas, como uma suspensão que poderia durar de um a cinco anos.
A competição foi surpreendentemente dominada pelo Leixões, que, depois de 18 anos ausente da elite – chegou a passar pela terceira divisão -, reconquistou seu lugar entre os grandes. A equipe de Matosinhos já havia dado sinais de recuperação em 2002, quando foi finalista da Copa de Portugal e se classificou assim para a Copa Uefa.
O tradicional Vitória de Guimarães ficou com a segunda vaga, levando a melhor em uma disputa até a última rodada com o Rio Ave, outro que havia sido rebaixado em 2006. O Penafiel, que também vinha da primeira divisão, acabou em um modesto oitavo lugar. Chaves, último colocado, e Olivais e Moscavide, penúltimo, caíram para a terceira e darão lugar a Freamunde e Fátima. [LB]
Holanda
O sistema de acesso na Holanda é dos mais peculiares. Como não há rebaixamento e promoção entre a segunda divisão, profissional, e a terceira, amadora, foi inventada uma forma de manter todos os times interessados até o final.
Apenas o campeão sobe diretamente para a Eredivisie. Outros oito times disputam um playoff que também conta com a participação do 16º e do 17º colocados da primeira divisão, valendo duas vagas na elite. Como se definem esses times? Não é puramente pela classificação final.
O campeonato tem seis ‘períodos’ de seis rodadas cada (1-6, 7-12, 13-18, 19-24, 25-30 e 31-36), com classificações avulsas. O melhor colocado de cada período já se garante no playoff, independentemente do que faça no restante da competição. No fim, as vagas restantes são preenchidas de acordo com a tabela geral.
Os três primeiros períodos foram vencidos por Den Bosch, RBC e De Graafschap. No quarto período, deu De Graafschap, o que abriu vaga para o Go Ahead Eagles, segundo colocado. O Volendam foi o melhor no quinto período e, no sexto, como De Graafschap e Den Bosch ficaram com as duas primeiras posições, outra vaga por colocação final foi concedida.
O De Graafschap – do artilheiro Berry Powel, autor de 29 gols – acabou com o título e a vaga direta na primeira divisão. A formação do playoff se concluiu com VVV (2º no geral), Dordrecht (6º), Veendam (8º) e Zwolle (9º) – coincidentemente, os oito participantes foram os times entre segundo e nono na tabela.
No playoff, disputado em melhor de três jogos, os dois times vindos da Eredivisie – RKC e Excelsior – chegaram às finais contra VVV e RBC, respectivamente. O Excelsior garantiu sua permanência, definindo a série em dois jogos: empate por 1 a 1 e vitória por 1 a 0, mantendo o RBC na Segundona. O RKC não teve a mesma sorte contra o VVV.
O time de Venlo venceu em casa por 2 a 0. A derrota por 1 a 0 forçou o terceiro jogo, mas a vantagem no saldo deu ao VVV o direito de jogar em seu campo, onde venceu por 3 a 0 e conquistou sua volta à elite depois de 13 anos. [LB]


