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Vida após a morte

 

A notícia pegou muita gente de surpresa. Eric Cantona é o novo diretor de Futebol do New York Cosmos e terá como diretor Associado Cobi Jones. Acima deles, como presidente honorário, Pelé. Mas o Cosmos não acabou?

Essa foi, certamente, a pergunta que muitas pessoas fizeram ao redor do mundo, e a resposta para ela é não. O Cosmos nunca acabou, esteve apenas adormecido. E agora sonha algo, com seu incorporação à bem consolidada Major League Soccer.

CONHEÇA A HISTÓRIA DO COSMOS

Desde sua fundação, em 1971, até sua dissolução, em 1985, a equipe de futebol da principal cidade norte-americana chamou a atenção de toda comunidade internacional. Afinal, reuniu estrelas como Boris Beckenbauer, Giorgio Chinaglia, e Carlos Alberto Torres, além, é claro, de Pelé. Com eles, foi campeã da extinta North American Soccer League (NASL) e, com o término do campeonato, viu seu brilho sumir até a estrela apagar. Só que a marca Cosmos jamais foi encerrada.

Objetivo claro: 2013

Chinaglia, em 1984, comprou da Warner, então proprietária, a Global Soccer Inc., subsidiária que controlava o Cosmos. Não aguentou o lado financeiro complicado e vendeu o clube para seu ex-sócio, o italiano Giuseppe Pinton. Nas décadas seguintes, foram muitas as propostas que o empresário recebeu. Recusou todas, porque acreditava no renascimento da equipe. Não queria queimar a marca com qualquer um.

Até que, em agosto do ano passado, Pinton achou que a hora havia chegado. Viu, em sua mesa, um projeto concreto para o Cosmos, e o vendeu para o milionário inglês Paul Kemsley, ex-diretor do Tottenham. No ano seguinte, o empresário chamou Pelé. Já em 2011 vieram Cantona e Cobi Jones. Hoje, todos trabalham com as academias do clube, em Nova York, na costa leste, e em Pomona, na Califórnia. E como objetivo futuro, a entrada na MLS daqui dois anos.

“Esperamos fazer todo o possível para estarmos na MLS em 2013. O clube está funcionando com os mais jovens e as academias nas costas leste e oeste, o que ajudará a formar o futuro de qualquer time principal no clube. Estamos desenvolvendo jogadores jovens e instituindo uma filosofia e estratégia no clube neste momento”, afirmou, em entrevista exclusiva à Trivela, Cobi Jones.

Para o agora dirigente, a perspectiva para que isso aconteça é muito boa. “Eu diria que as conversas com a MLS continuam. Vejo que estão indo no caminho certo, ainda estamos conversando sobre a entrada do New York Cosmos na liga”, garante.

Os proprietários, para isso, resolveram apostar na fama de suas duas principais personalidades. As academias já trabalham com centenas de garotos, e agora Pelé e Cantona passaram a viajar pelo mundo para divulgar a marca Cosmos. Recentemente, no final de fevereiro, a comitiva esteve no sudeste asiático, assistindo jogos e realizado algumas oficinas com jovens locais.

“Acredito que Pelé participará do clube como ele já faz agora. O homem é uma máquina, trabalhador incansável pelo clube. Ele nos manteve muito ocupados em Cingapura por sete dias e então continuou em Hong Kong, durante o recente Tour pela Ásia do New York Cosmos. O trabalho nas academias do Cosmos em LA e NY é para desenvolver jogadores e instituir uma filosofia nos futuros jogadores do Cosmos. Queremos que eles sejam bons jogadores e bons seres humanos”, explica Cobi Jones. Todos, aliás, levam o rótulo de embaixadores do clube também.

À procura de Eric

Mas entre todas as contratações do Cosmos, a que mais causou impacto no mundo do futebol foi a chegada de Eric Cantona, em fevereiro deste ano. Ele, na teoria, é o responsável por controlar todo departamento de futebol. Ou seja, determinar o andamento do projeto.

“Três anos atrás, quando inicialmente surgiu a ideia de reviver o New York Cosmos, eu nem mesmo sonhava que pudéssemos atrair um ícone como Eric Cantona”, contou o presidente Paul Kemsley, à época do acerto com o francês. “É uma emoção pessoal para mim, porque ele foi um dos meus heróis nos anos 90 e é uma valorização adicional para a atração global e o enorme poder que o New York Cosmos exerce. Nosso nome já ecoa em todo o mundo e o mesmo ocorrerá com nossa equipe de futebol”, garante o dirigente.

Até quando Cantona ficará no cargo, no entanto, é uma incógnita. Sua personalidade forte não é segredo, e sua estabilidade no posto gera muitas dúvidas. Não para ele, pelo menos.

“Estou bastante honrado em me juntar ao lendário clube New York Cosmos. É um grande e maravilhoso projeto. O Cosmos é bem forte, muito bem estruturado, com um grande passado. É um tipo de combinação entre futebol e arte. Farei tudo que eu puder para ajudar a reconquistarmos a primeira posição nos Estados Unidos, e depois para nos tornarmos um dos melhores clubes do mundo nos próximos anos”, disse Cantona em sua apresentação. Quase uma fala de seu filme.

MLS quer?

Com o passar dos anos, a Major League Soccer, criada em 1993 como parte dos planos da organização da Copa do Mundo de 94 nos Estados Unidos, mas cuja primeira edição ocorreu em 96 com dez times, hoje conta com 18 equipes e, aos poucos, ganha cara e personalidade.

Equipes como o Seattle Sounders possuem torcidas fanáticas, e em cidades como Los Angeles a rivalidade entre os times locais – Galaxy e Chivas USA – já é algo relevante. É nesse cenário, inclusive, que o Cosmos ganha importância. Além de criar uma rixa contra o New York Red Bulls, a nova franquia já nasce com tradição, assim como o próprio Sounders, que recuperou o nome do antigo Sounders da NASL – e, nesta temporada, o “estreante” Vancouver Whitecaps.

A liga prevê uma expansão para os próximos anos, por isso o objetivo do New York Cosmos é algo concreto e factível. “Acho que 20 times é um número bom o suficiente para a MLS. já que somos um país grande. Não ficaria surpreso se houvesse mais times para estimular a competição e rivalidade”, estimula Cobi Jones.

Pode não ser mais o Cosmos de outrora, mas de qualquer modo fará um bem enorme à memória do futebol nos Estados Unidos. E no mundo.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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