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Viagens, viagens

Hoje, já estamos acostumados com a cena. Mas no começo da década, nos perguntávamos o motivo que levava o Real Madrid, clube da capital espanhola, a desembarcar na Ásia para amistosos contra equipes locais. O frisson causado pelos fãs nos aeroportos, treinamentos e jogos era uma amostra do verdadeiro motivo da visita. Mais do que levar bom futebol, o Real Madrid buscou e conseguiu expandir a sua marca. Faturando, claro.

Explorar mercados intercontinentais virou uma prática dos grandes clubes europeus. Os meses que antecedem a temporada são a época escolhida para aquela visita aos distantes torcedores. Distantes geograficamente. Afinal, acompanham sua equipe favorita como se estivessem na mesma cidade.

Além da Ásia, os Estados Unidos são o outro destino favorito. Nesse ano por exemplo, o Real Madrid vai à América do Norte, volta para a Europa e depois tem dois jogos na China. Manchester United e Barcelona não só vão aos EUA como reeditarão a final da última Liga dos Campeões em partida amistosa. Baita oportunidade para os moradores de Washington, que sediará a peleja.

É claro que esses países tem suas próprias ligas, mas em alguns casos não despertam o mesmo interesse dos gigantes europeus. Muitos asiáticos ou americanos torcem para os times de sua cidade, mas acompanham bem de perto o que acontece com seus Barcelonas, Liverpools ou Milans. A excursão é uma forma de consolidar a estratégia de expansão de marca, apoiada nas transmissões televisivas, sites em diversos idiomas e produtos licenciados. O site da Internazionale por exemplo, está disponível em seis idiomas, entre eles o chinês e o japonês, para atender a demanda desse público.

A Europa não fica de fora e torneios de tiro curto são organizados em diversos lugares do continente, chamando a atenção de grandes marcas. É o caso da Audi Cup em Munique, com Bayern, Milan e o brasileiro Internacional; ou a Emirates Cup de Londres, no estádio do Arsenal que leva o nome da empresa árabe, com as participações de Paris Saint-Germain, New York Red Bulls e Boca Juniors, formando uma democrática competição.

Os clubes brasileiros participam timidamente. As viagens e excursões são prejudicadas pois o calendário não coincide com as férias dos europeus. No caso de convites aceitos, o dilema: ir com os principais jogadores e ser prejudicado no campeonato nacional, ou levar reservas e desprestigiar a própria marca?

Viajar sozinho ou com compatriotas também é difícil devido ao curtíssimo tempo livre. Dezembro e Janeiro incluem férias e pré-temporada, mas coincidem com o rigoroso inverno do hemisfério norte. Esse é um dos motivos que levam ao corriqueiro debate sobre a mudança de calendário. Até que isso aconteça, resta a opção de realizar alguns amistosos em território nacional.

Para os que participam da festa, os retornos são mais financeiros do que técnicos. E compensam. Caso não compensassem, os clubes não estariam lá, anualmente, batendo o cartão.

O Real Madrid que o diga. Ou melhor, o ?????!

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Equipe Trivela

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