Vencedor moral

O empate por 1 a 1 no Santiago Bernabéu praticamente sela o título espanhol para o Barcelona, mas havia poucas dúvidas sobre a conquista desde que os culés abriram oito pontos de vantagem. Pelas circunstâncias, o Real Madrid sai de campo como vencedor moral, pensando nos outros três confrontos da série: a final da Copa do Rei e as duas semifinais da Liga dos Campeões.

O sabor é doce para os merengues porque tudo parecia perdido no momento do pênalti e da correta expulsão de Albiol, falha individual que permitiu a Lionel Messi marcar pela primeira vez contra um time dirigido por José Mourinho. Reagir com um homem a menos contra este Barça é tarefa dura, mas o português foi capaz de reorganizar a equipe em campo para buscar a igualdade – apesar de haver muitas dúvidas sobre o pênalti de Daniel Alves em Marcelo. Pareceu uma forçada de barra do madridista.

No outro lance polêmico da partida, a queda de Villa no choque com Casillas, a arbitragem acertou: o atacante já vinha caindo quando houve o contato.

Mais importante que as controvérsias da arbitragem, porém, é o fato de o Real Madrid, depois da surra de 5 a 0 levada no Camp Nou, ter mostrado capacidade para encarar o Barça, tanto taticamente quanto no coração. Mourinho sacrificou o ótimo Özil na formação inicial, mas acertou ao escolher Pepe para atuar como seu volante à frente da defesa, dificultando o trabalho de Messi no primeiro tempo.

O argentino pouco fez nos primeiros 45 minutos, mas seu brilhantismo ainda permitiu a criação de boa jogada individual aos 43, quando Casillas fez bela defesa. Apesar de ceder a posse de bola (que em momentos superou 80%), o Real Madrid também poderia ter aberto o placar: cabeçada de Cristiano Ronaldo salva em cima da linha por Adriano, no último lance da etapa inicial.

O lance do pênalti e do gol de Messi destruiu o plano original de Mourinho, e a impressão era de que os dois times aproveitariam a circunstância para se poupar. Villa, que vem brigado com as redes há alguns jogos, poderia ter matado o jogo, mas não o fez.

A princípio, Pepe iria ocupar a vaga de Albiol na defesa, mas com a entrada de Arbeloa (e a de Adebayor, saindo Xabi Alonso e Di María) e o deslocamento de Sergio Ramos para a zaga, o luso-brasileiro voltou à função que vinha exercendo bem. Mas foi a primeira substituição, com a entrada de Özil no lugar de um nulo Benzema, logo após o gol sofrido, que deu novo gás ao Madrid na partida.

Então veio o gol de Cristiano Ronaldo, seu primeiro contra o Barcelona, sacramentando o empate com gosto de vitória. Apesar do erro da arbitragem, um empate merecido pela persistência e organização do time merengue.

Para a final da Copa do Rei, quarta-feira, o Barça terá de se preocupar com o possível desfalque de Puyol, que saiu machucado. Mas, sobretudo, com um adversário que parece ter afastado seus complexos e se convencido de que pode acabar com a seca de vitórias contra o rival.

E foi só o primeiro!


Daniel Alves e Marcelo: pênalti?

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Equipe Trivela

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