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“Vamos brigar para ir ao Mundial de Clubes”

Depois de ajudar o Botafogo a subir para a divisão principal, em 2004, o meia Camacho “sumiu “ para o Oriente Médio. Mesmo sem ter tanta visibilidade, o jogador, que começou nas divisões de base do CFZ (RJ), é um dos destaques do Al Shabab, da Árabia Saudia, nesta temporada.

Considerado o melhor jogador do clube, treinado pelo brasileiro Edgar Pereira, Camacho conversou com a Trivela. Nesta entrevista, o atleta falou sobre os presentes que já ganhou no mundo árabe, a Champions League Asiática e também o sonho de disputar o Mundial de Clubes.

O futebol árabe não tem muita visibilidade, mas possui muito dinheiro. Você já ganhou presentes valiosos?
Já ganhei alguns, sim, como relógios, pulseiras e coisas do tipo. No entanto, preferi vender algumas e ficar com o dinheiro. É a forma que o árabe encontra de agradar e presentear jogadores por boas atuações e títulos

Já passou pela sua cabeça se naturalizar árabe para defender a seleção?
Realmente é complicado pensar em Seleção Brasileira jogando no Oriente Médio. Já estou há seis anos aqui e acabei ficando um pouco afastado dos principais centros. Em relação a me naturalizar, é quase impossível acontecer. Aqui na Arábia Saudita os costumes do país, como religião e outras coisas, torna isso muito difícil. Se fosse no Qatar seria mais fácil, mas na Arábia é praticamente impossível.

Já teve contato com o rei do país? Como foi?
Só tive contato com o Rei quando ganhamos os campeonatos. Aí recebemos a medalha das mãos dele, e é um contato muito rápido, situações rápidas.

Está adaptado à cultura do futebol local?
Com certeza. Já vivo aqui há seis anos e estou perfeitamente acostumado aos hábitos e a cultura do país. Já me sinto em casa, mas é claro que a saudade do Brasil ainda bate em alguns momentos.

Pensa em voltar ao futebol brasileiro? Já teve proposta de algum clube?
Ainda tenho um ano de contrato com o Al-Shabab e pretendo cumpri-lo. Se aparecer alguma proposta muito boa, posso pensar na ideia de voltar, mas teria que ser alguma coisa realmente atraente, se não fico aqui na Arábia Saudita por mais um tempo.

O nível do futebol árabe é superior ao do Qatar, país que jogava anteriormente. Quais são as principais diferenças entre os dois países?
É bem diferente, sim. O futebol do Qatar evoluiu bastante nos últimos anos e está se aproximando do nível do futebol saudita, mas ainda está um pouco atrás. Os estádios no Qatar ficam bem vazios, enquanto aqui na Arábia as torcidas comparecem em grande número aos jogos. Os times árabes também ainda são mais fortes que os do Qatar, mas é como eu disse: eles estão evoluindo e melhorando cada vez mais.

Na época do Botafogo você marcou dois gols que ajudaram o time ao acesso à primeira divisão. Porque no ano seguinte você saiu do clube?
Tive um ano excelente em 2003 pelo Botafogo, quando ajudei o time a voltar para a primeira divisão. Em 2004, no entanto, recebi uma proposta muito boa do Al-Hilal e não tive como recusar. Não me arrependo e acredito que fiz uma boa escolha em trocar o futebol brasileiro pelo árabe naquele momento.

O treinador do seu clube é brasileiro. Dentro e fora de campo como é a relação entre vocês, já que são os únicos brasileiros do clube?
O Edgar Pereira é um grande amigo que fiz aqui na Arábia Saudita e um ótimo treinador. A chegada dele nos fortaleceu bastante e foi ótimo construir essa amizade com ele fora de campo também. Os brasileiros aqui são unidos e buscam estar sempre juntos para matar a saudade do nosso país.

Como está o clube na Champions League da Ásia? Acredita no título do clube?
Já estamos nas quartas-de-final da Liga dos Campeões da Ásia e entre os oito melhores times do continente. Sabemos que é um torneio difícil e muito equilibrado, mas temos uma boa equipe e vamos brigar para conquistar o título e estar no mundial de clubes da Fifa, em dezembro.

Por duas vezes você foi eleito o melhor jogador estrangeiro da Liga da Arábia Saudita. Seu momento na Ásia é o melhor da carreira?
Realmente estou tendo um momento maravilhoso. Consegui ganhar o respeito e a admiração do povo árabe, e não só dos torcedores do meu time, mas como dos outros times também. Isso me deixa muito feliz e motivado a seguir trabalhando cada vez mais.

Quais são seus favoritos para a Copa do Mundo?
Favoritos para mim na Copa do Mundo são: Brasil, Argentina, e Espanha.

Outras matérias deste colaborador, no blog: guilhermepannain.wordpress.com

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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