Vai, mas não vai

Se apenas as participações em Copas do Mundo contassem para eleger uma seleção como potência, o México estaria entre os primeiros da lista. Apenas quatro países disputaram a competição mais vezes – Brasil, Alemanha, Itália e Argentina, todos com títulos do torneio na sala de troféus. Mesmo as campeãs do mundo França e Inglaterra não tiveram tantas oportunidades no Mundial quanto El Tri.
Mas os aspectos positivos do México em Copas param por aí. Na África do Sul, será a 14ª vez que a equipe disputará o torneio. As melhores participações aconteceram em 1970 e 1986, anos em que o país foi sede do torneio. Em ambas as ocasiões, o México conseguiu chegar às quartas de final. Um detalhe importante é que, em 1970, não tinha oitavas de final. Portanto, El Tri passou direto da fase de grupos para as quartas. O que significa que, na história das Copas, o México só venceu um jogo de mata-mata. Foi em 1986, quando a equipe bateu a Bulgária por 2 a 0 nas oitavas de final.
Não lhe faltaram oportunidades, já que, desde 1994, o time sempre chegou nas oitavas. Nos Estados Unidos, aliás, foram os búlgaros que deram o troco nos mexicanos, ao vencer a partida nos pênaltis. Em 2006, mais uma vez El Tri esteve próximo de se garantir nas quartas da Copa do Mundo, mas foi derrotado pela Argentina na prorrogação. A maior decepção, porém, foi em 2002, quando os mexicanos viram o sonho de se classificar para as quartas de final se ruir frente aos Estados Unidos, maior rival do país.
E é só pensar nos estadunidenses que a decepção com as Copas aumenta para os mexicanos. Apesar de ter apenas oito participações em Mundiais e de o futebol da bola redonda estar longe de ser o principal esporte do país, a seleção americana já conseguiu chegar às semifinais do Mundial uma vez. Foi em 1930, na edição inaugural. Além disso, os Estados Unidos ameaçam cada vez mais a soberania mexicana na Concacaf.
Apesar dos resultados pouco expressivos em Copas, o México sempre chega cercado de boas expectativas. Em 2006, o momento da seleção era tão bom que lhe valeu uma vaga como cabeça-de-chave. No grupo com Irã, Angola e Portugal, El Tri ficou com a segunda posição, atrás dos europeus.
Em 2010, porém, o México chega sem tantos holofotes. No ranking de seleções da Fifa, está em uma modesta 17ª posição, atrás de países como Camarões, Grécia e Estados Unidos.
No grupo com os donos da casa, a África do Sul, e com duas seleções campeãs do mundo (França e Uruguai), o México chega como azarão depois de muito tempo. Talvez essa seja a melhor notícia para a seleção de Javier Aguirre, que substituiu o sueco Sven-Goran Eriksson no meio de uma campanha que ia de mal a pior nas Eliminatórias. Sem muito oba-oba, o México tenta mudar seu fraco retrospecto em Copas do Mundo.


