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“Vaga na LC Árabe é nossa meta”

O atacante Fábio (foto ao lado), artilheiro do Campeonato Carioca em 2002 pelo Volta Redonda, atualmente corre atrás da bola no Al Hazm, da Arábia Saudita. Neste bate-papo, o avançado de Resende, interior do Rio, nos conta como está sendo sua adaptação ao futebol árabe, os objetivos do seu novo clube e os bastidores da milionária Liga Saudita. Aos 28 anos, está satisfeito, mas não descarta um retorno ao Brasil. Confira os detalhes deste contato nas linhas abaixo.

Desde que subiu de volta para a 1ª divisão saudita, em 2005, o Al Hazm não passou da zona intermediária da tabela de classificação final em 2005/6 e 2006/7, ficando sempre entre a 7ª e a 8ª colocação. A dificuldade do clube em atingir posições mais altas da tabela é por falta de verba para montar um bom plantel?
É verdade, é o terceiro ano na elite saudita, porém esse ano se investiu mais, eu fui contratado para o lugar do Iranildo, veio o Atram, jogador de Gana, que foi artilheiro do liga no ano passado (jogando pelo Al Shabab). O treinador também é novo (José de Moraes), enfim queremos chegar entre os primeiros.

Qual o grande objetivo do Al Hazm para esta temporada: Se manter na 1ª divisão saudita ou conseguir uma vaga na Liga dos Campeões Árabes?
É ficar entre os seis primeiros e tentar uma vaga na Liga dos Campeões Árabes. Será difícil, mas nós estrangeiros fomos contratados para isso, levar o Al Hazm a lugares que ainda não foi.

O Al Hazm foi um dos clubes que mais modificaram o elenco para a disputa desta temporada. Chegaram muitos novos jogadores, inclusive você. Como está o entrosamento de vocês fora de campo? O grupo demonstra união? Se ajuda?
Sinto que o time se une a cada dia, vieram muitos novos jogadores, inclusive árabes. O entrosamento vem com o tempo e com a boa vontade de todos em fazer o melhor para a equipe.

Conte-nos como é trabalhar com o técnico português José Moraes, que é uma figura bastante conceituada ai na Arábia Saudita?
É excelente treinador, trabalhador e estudioso, muito bom mesmo. Os árabes o adoram, foi eleito um dos melhores do ano passado e ainda fala minha língua o que é ótimo (risos).

Qual esquema tático ele utiliza? O que ele mais pede?
Usa o 4-4-2 e ás vezes o 4-3-3. Joga sempre ofensivamente. Ele consegue tirar aquele ‘algo mais’ do jogador, pede sempre muito empenho.

Os treinos são em período integral ou só à noite? É puxado?
Geralmente só à noite por causa das altas temperaturas. Agora com o inverno é que começamos a treinar em dois períodos. No Brasil é muito mais treino, muito mais puxado.

Como está sua adaptação ao futebol saudita? Quais as principais diferenças que você sentiu na maneira de se jogar?
A vida aqui não é mole, é tudo diferente. Os costumes muçulmanos etc.. A minha cidade é pequena sem qualquer opção de lazer para distrair. A rotina aqui é treino, jogo e internet para matar as saudades. No campo, também é difícil, a língua, o entendimento com os jogadores. Sinto muita falta dos meias que enfiam uma bola, de um bom cruzamento. Aqui tenho que armar, marcar e concluir, coisas que não costumava fazer no Brasil. Mesmo com essas dificuldades tenho me saído bem, estreei em grande estilo, deixei minha marca na primeira oportunidade que tive, foi especial (contra o Al Wehda, na cidade santa de Meca).

O futebol saudita tem um trunfo para crescer: estrutura. Só falta mudar a mentalidade, pois os dirigentes não dão tempo para um treinador trabalhar e se infiltram demais no trabalho da comissão técnica. Você concorda que é por aí?
A estrutura já melhorou bastante, talvez pela constante vinda de treinadores brasileiros e de outras nacionalidades também. O talento e a técnica é o que falta na minha opinião. Quanto a intromissão no trabalho dos profissionais (risos) é aquela coisa igual ao Brasil, eles querem resultado imediato, todo mundo sabe que isso não é benéfico…mas quem sou eu para contestá-los, afinal são eles que me pagam (risos).

Muitos jogadores e técnicos nos disseram que o jogador árabe, em geral, se acomoda pela boa vida que tem na região e por isso não tem ambição de evoluir e jogar numa liga mais competitiva, na Europa, por exemplo. Isso atrapalha até a seleção deles. Você sente que o jogador árabe tem vontade de jogar em outro lugar, ter experiências novas etc…?
Não sei se é por acomodação ou o pelos altos salários…mas quando as seleções daqui enfrentam adversários de escolas tradicionais é covardia. É uma diferença enorme que só a experiência, o intercâmbio e a aprendizagem diminuirão.

Na Arábia Saudita existem mais de 16 mil jogadores registrados e mais de 10 competições reunindo 153 clubes tanto dos juniores quanto dos profissionais. É um número muito grande, difícil acreditar que existe espaço para todos. A competitividade entre os jogadores é muito acirrada?
O futebol aqui é uma paixão, todo garoto quer ser jogador, é como no Brasil, a competitividade aumenta a cada ano e a rivalidade é vista na disputa de cada lance.

O que torna o Al Ittihad um clube tão poderoso? Dinheiro e forte influência política?
O dinheiro, a camisa que pesa, sua torcida, é um grande time, mas longe de ser imbatível.

No jogo contra eles, você sentiu que é uma equipe confiante, experiente e que dificilmente vai deixar escapar o titulo para Al Shabab e Al Hilal?
No jogo contra eles aconteceram quatro penalidades, duas a nosso favor e duas a favor deles. Dominamos o jogo todo e fizemos um gol de bola rolando, só que desperdiçamos os dois pênaltis, e eles converteram suas cobranças, foi o jogo mais comentado do campeonato. O Al Hazm jogou muito melhor, mas não teve sorte…foi atípico. Acho que ainda tem muita água para rolar, eles realmente deram uma distanciada, mas tem o Al Hilal que sempre chega, o Al Ettifaq, e nós também vamos pontuar bastante ainda.

O Al Ettifaq teve um inicio de campeonato arrasador. O que você observou na equipe deles?
Para mim é o melhor time, pois tem jogadores velozes, uma equipe perigosíssima.

Fala-se maravilhas de Yasser Al-Qahtani, atacante do Al Hilal. Quais as impressões que você teve dele? É um jogador diferenciado ou a badalação em cima dele é exagerada?
Ele é ótimo realmente, a badalação chega a ser exagerada, mas ele faz por merecer, seria um jogador a sair daqui e conquistar espaço em outras escolas, até para provar seu valor.

Quais os jogadores da Liga Saudita você apontaria como futebolistas capazes de jogar um Brasileirão em alto nível? Quem mais te impressionou até agora?
O próprio Yasser (Al-Qahtani), o Noor (Mohammed) do Al Ittihad, e alguns outros. Não são muitos, mas esses tem técnica suficiente para jogar em alto nível tanto no Brasil como na Europa.

Hélio dos Anjos está com crédito na seleção? O que os sauditas falam sobre ele?
É carismático, conquistou os sauditas com boas e belas vitórias, torço por ele, afinal é brasileiro. Mas não sei se ele gosta muito de mim, pois em 2003 nos enfrentamos no Brasil, ele era treinador do Sport e eu atuava pelo Botafogo, o jogo foi em Recife e valia a liderança da Série B do Brasileirão. O Sport vencia até os 44 do segundo tempo por 1 a 0 e nossa equipe, aos 45, empatou, e aos 49 eu fiz o gol da vitória, no último momento do jogo. Foi inacreditável, a torcida do Sport, que lotou a Ilha do Retiro, não o perdoou, sem dúvida é um jogo que ninguém esquece…melhor pro Fogão, que nesse ano voltou a Série A.

Você tem planos de seguir no mundo árabe ou pretende jogar em outra região, ou até mesmo voltar ao Brasil?
Pretendo ir fazendo meus gols e cumprir todo o contrato, o futuro decido depois, mas a Europa ou uma volta a um grande clube do Brasil é um sonho. Deus e minha performance decidirão, o certo é que quero encerrar minha carreira no Volta Redonda, que é meu time de coração agora, foi lá que ganhei notoriedade e consegui colocar meu nome na galeria de artilheiros do campeonato carioca ao lado de meus ídolos Zico e Romário. Também foi lá que cheguei depois a um grande clube que foi o Botafogo. Em Volta Redonda fiz 40 gols, foi lá que tudo começou e queria terminar também.

FICHA

Nome: Fábio Siqueira
Data de Nascimento: 08/09/1979, em Resende-RJ.
Clubes:
1999: CFZ
2000: CFZ
2001: CFZ
2002: Volta Redonda
2002: Botafogo
2003: Botafogo
2004: Botafogo
2005: Volta Redonda
2006: Paraná
2006: Portuguesa
2007: Volta Redonda
2007/8: Al Hazm-ARA

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