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Universo paralelo

Na última quarta-feira, mais uma competição sul-americana se encerrou no Rio de Janeiro, e durante este torneio, mais uma vez ficou flagrante a total discrepância do que é pregado nos termos disciplinares nos regulamentos gerais da Fifa, entidade máxima do futebol mundial, e do que é estabelecido nos regulamentos das competições continentais organizadas pela Conmebol (Confederação Sul Americana de Futebol), a saber, Taça Libertadores da América e Copa Sul-Americana.

A primeira discrepância é como é tratada a questão dos cartões amarelos durante a competição. Pela Fifa, deve-se suspender os atletas infratores por um jogo, a cada dois cartões amarelos recebidos, cumulativamente durante o torneio. Já a Conmebol impõe multa pecuniária a cada cartão amarelo recebido durante o torneio. 

Outra discrepância é em relação aos exames antidoping: enquanto a Fifa segue à risca os termos estabelecidos pela Wada (World Anti Doping Association) de realizar exames antidoping a cada partida de competições organizadas por ela, a Conmebol, por sua vez, mesmo possuindo obrigação estatutária de se submeter às regras determinadas pela Fifa, não realiza exames antidoping em suas competições. 

Outra questão muito séria é a segurança dos estádios: a Fifa exige vistoria completa nos locais de realização de seus jogos e pune com rigor todo e qualquer excesso ou manifestação de qualquer tipo de violência, material ou moral, contra seus filiados (clubes) durante as competições, diferente da Conmebol, onde em seus torneios é bastante comum o arremesso de objetos, agressões generalizadas entre atletas e de torcedores contra os participantes do jogo, e realização de jogos em estádios altamentes desprovidos de dar segurança e conforto aos torcedores e aos profissionais que atuam nas partidas. 

Podemos elencar também nas competições sul-americanas a ocorrência freqüente de atrasos nos inícios e reinícios de partida, inobservância de critérios claros sobre os bastidores da organização das partidas (como a participação de terceiros no andamento de uma partida, como por exemplo o caso dos gandulas na primeira partida da final da Copa Sul-Americana no Equador), ausência de sorteio na escala dos árbitros, inexistência de um Tribunal de Penas dentro da Confederação, entre outras coisas. 

Todo o conjunto destes fatores é prejudicial para a formatação dos torneios sul-americanos como um produto atraente para o mercado global, tão necessário na nova ordem que se instala no futebol mundial, e espelha como a América do Sul trata a organização do futebol como algo amador e feudal – a ponto do presidente da Conmebol possuir mandato vitalício, por exemplo. 

Esse conjunto de fatores joga contra a orgnaização de torneios continentais atrativos para os investidores, atraentes para os clubes participantes fazerem mais receita, e assim desenvolver o futebol sul-americano e aquecer suas economias para investimentos maiores para o fortalecimento técnico e estrutural dessas equipes, para que possam integrar de forma competitiva o mercado global que se apresenta ao futebol. 

Carlos Eduardo R. de Moura é advogado, especializado em Direito Desportivo e dissídios na Fifa e Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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