Uma entidade feudal

Nesta semana, a Conmebol anunciou que o país campeão da Taça Libertadores da América perderia uma vaga na edição seguinte do torneio. De certa forma, uma medida repentina e um tanto drástica para o tema. Porém, explica muita coisa sobre a organização do futebol sul-americano.
Muitos se perguntam o que precisamos fazer para a Taça Libertadores da América alcançar um nível de produto que a Liga dos Campeões alcançou ao longo dos anos na Europa, e a primeira medida é o respeito ao regulamento, e que este espelhe o nível competitivo que busca alcançar para o torneio.
O nível de competição de um torneio é um alicerce básico na valorização do produto (liga) no mercado, pois é esse nível que atrai interesse ao torneio. E a Conmebol parece se importar mais com as cotas de televisão (inclusão de equipes mexicanas por interesses corporativos) do que com a auto-valorização de seu torneio, ao fazer mudanças mirabolantes em seu regulamento, sem nenhum critério, priorizando interesses econômicos a curto prazo em detrimento da evolução de sue maior produto ( a Taça Libertadores) no mercado global.
Outro ponto importantíssimo que se preza num torneio de potencial econômico é a transparência na sua organização e o alinhamento com princípios básicos definidos pela Fifa, o que a Conmebol também não segue, ao definir o critério esdrúxulo de não efetuar suspensões disciplinares (em seu lugar, módicas multas) e a não-adoção de exames antidopings em partidas do torneio.
Não é feio seguir fórmulas que dão certo, e a Conmebol deveria apontar para esse caminho e buscar alavancar um crescimento do futebol sul-americano. Para isso, é fundamental modernizar e trazer novas idéias, novas cabeças, para dirigir a entidade, porém como fazer isso em uma Confederação onde o mandato do presidente é vitalício?
O caminho para um verdadeiro crescimento no futebol sul-americano como produto do futebol como atividade econômica é árduo e bem distante, dada a conjuntura feudal em que se encontra a Conmebol. O primeiro passo precisa ser dado pelos verdadeiros prejudicados com isso: os clubes. Resta saber quando.


