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Um tico na terra dos cangurus

Curtindo bastante a aventura australiana, o meio-campista costarriquenho ‘Puppy’ Lopez, do Melbourne Victory, bateu um papo conosco para falar da liderança na A-League, o Campeonato Australiano. Fã confesso de Fernando Redondo, o jogador de 27 anos é cheio de observações inteligentes e um tipo que se sente totalmente à vontade manejando seus conceitos sobre futebol. O ex-jogador do Saprissa também fala da seleção da Costa Rica e se revela um grande admirador da atmosfera dos torneios sul-americanos.

“Tomara que um dia convidem o Saprissa para disputar a Libertadores!”

Como esta a adaptação ao futebol australiano?
Muito boa, está sendo fácil, tive a confiança do treinador e dos companheiros e isso me ajudou. Aqui se joga um futebol muito diferente do estilo que agrada a nós latinos, que gostamos de ter a bola nos pés, trocar passe de pé pra pé, mas aqui a tendência é ser o mais direto possível e logo brigar pela segunda bola. Mesmo assim, há momentos em que se vê um bom futebol devido a velocidade que os australianos impõem junto com a técnica dos latino-americanos que jogam aqui.

Os jogadores costumam falar muito bem do ambiente encontrado na Austrália: clubes estruturados, estádios cheios e principalmente o clima do país. Você confirma isso tudo?
Com certeza! Os estádios são impressionantes, estão quase sempre cheios indo de 18 a 25 mil pessoas e os campos são quase perfeitos. O ambiente é muito bom, a torcida vibra a cada boa jogada e lhes agrada ver bons passes, eles não gostam muito de bolas longas e lançamentos diretos para os atacantes. Creio que o futebol australiano dentro de cinco anos terá uma liga muito convidativa para se vir jogar.

O seu Melbourne Victory lidera a competição. Quais os favoritos para ganhar a A-League?
Nossa equipe e o Adelaide United são os melhores times, mas há outros que podem surpreender como o Queensland Roar. O Sydney não vem tendo uma boa temporada, mas pode reagir a qualquer momento.

O Adelaide disputou a final da Liga dos Campeões da Ásia, foi vice-campeão e chegou ao Mundial de clubes da FIFA. Os times do país mostram que podem ir bem internacionalmente.
Creio que sim, precisam melhorar muitas coisas para poderem aspirar grandes feitos em nível internacional, mas confesso que o Adelaide foi muito bem.

Conte-nos sobre a CONCACAF Champions Cup, o principal torneio de clubes das Américas Central e do Norte, que você já venceu uma vez com o Deportivo Saprissa, em 2005.
É uma competição que melhora a cada ano, nós estamos nos aproximando do ambiente vibrante que se vive aí na América do Sul com a Taça Libertadores e outros torneios importantes. A Costa Rica tem sido representada nos últimos anos com o Saprissa e o clube tem ido bem enfrentando clubes fortes de México e Estados Unidos. Tomara que um dia convidem o Saprissa para jogar a Libertadores!

O que precisa melhorar na Liga da Costa Rica? Parece haver um domínio quase absoluto de clubes como o Saprissa, o Alajuelense e o Herediano.
Precisamos muito melhorar o campeonato, creio que acontece o mesmo em todas as outras ligas do mundo onde duas ou três equipes fortes brigam pelo título, enquanto os outros tentam fazer uma temporada inesquecível ganhando dos grandes. É muito difícil que isso mude por mais que se tente mudar a fórmula das competições, creio que está tudo na mentalidade dos jogadores das grandes equipes que só tem em mente como única meta ganhar os campeonatos e crescem com essa idéia. É diferente das outras equipes que só tratam de tentar fazer uma boa temporada. Acho que quando isso mudar vai haver mais clubes brigando pelo campeonato.

Como está sendo trabalhar com o técnico Rodrigo Kenton na seleção costarriquenha?
Ele tem uma mística diferente, está muito atualizado devido aos seus trabalhos para a FIFA e isso lhe permite ter um pensamento bastante atual de como se deve jogar. Ele tem uma boa comunicação com os jogadores e confia muito no seu grupo de trabalho. Nós que estivemos na seleção olímpica que disputou os jogos de Atenas, em 2004, o conhecemos muito bem. Ele confia no nosso trabalho e nós confiamos nele. Chegaremos a Copa do Mundo com o professor Kenton.

Você se inspirou em algum jogador para atuar como volante? Quais os seus favoritos na sua posição?
Claro, Fernando Redondo. Era um jogador com classe e elegância e admiro esses tipos, pois não gosto dos que somente destroem jogadas. Redondo foi um jogador que marcou diferenças neste sentido e mostrou como deve ser um volante. Atualmente eu gosto de Xabi Alonso, do Liverpool.

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Equipe Trivela

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