Um preparador físico brasileiro no futebol norueguês

Treinos mais curtos e mais intensos, e muito, mas muito frio. Essa é a vida que leva Lucas Lanna, que há seis meses trabalha como preparador físico do Tromso, da primeira divisão do Campeonato Norueguês.
Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-graduação em treinamento esportivo, Lanna falou um pouco sobre o país, o novo clube e a experiência no futebol da Escandinávia.
Como surgiu a oportunidade de trabalhar na Noruega?
Eu era preparador físico do Flamengo, trabalhava nos juniores e auxiliava na fisiologia do time principal. Trabalhei com o Galhardo, Diego Maurício e outros mais que estão entre os profissionais hoje. Recebi a proposta para vir para cá e já estou seis meses aqui no Tromso.
O Campeonato Noruguês tem muitos atletas estrangeiros. Você acha que isso atrapalha a seleção?
Em toda Europa tem muitos estrangeiros. A seleção deles está numa ótima fase, ganhando de Portugal, Holanda e França. Sempre faz frente com o Brasil.
Fale um pouco mais sobre o clube e a cidade.
Tromso é uma cidade ao norte da Noruega, com cerca de 70 mil habitantes. Estamos bem no Campeonato Norueguês, brigando por vaga na Liga Europa. Temos jogadores de seleções da Finlândia, Noruega, Senegal, Austrália e Suécia também.
Você já está adaptado à língua e ao país?
Sei algumas coisas em norueguês, mas aqui converso em inglês. Quanto ao país, já estou adaptado. A Noruega é o país mais rico do mundo em renda per capta. Quatro milhões e meio de habitantes para dividir uma enorme riqueza de petróleo e outros recursos. É bem fácil se adaptar. O grande problema é o frio, mas nada que um bom casaco não resolva.
Qual é o grande rival do Tromso?
É o Rosenborg. Ele foi campeão na última rodada, faltando duas para o término do campeonato. Ele está disputando a Euroleague e por pouco não esteve na Champions. Perdeu para o Kobenhavn, clube que está no grupo do Barcelona.
Por que o Rosenborg domina o país?
Está numa fase como foi a do São Paulo, há alguns anos. Tem bom time, bons treinadores. Está numa fase boa, mas não tem nada demais. A estrutura dele perto de outros time daqui é diferente, porém, do resto da Europa não tem nada de especial.
E o investimento do Tromso?
Meu time está investindo bem. Construiremos um estádio a partir de janeiro e acabamos de instalar um sistema de rádio para monitorar os deslocamentos dos atletas em campo, que custou cerca de R$ 500 mil.
Existe muita diferença entre o futebol brasileiro e o norueguês?
Vamos por partes. Existe uma diferença entre o futebol europeu e o brasileiro e outra entre o escandinavo e o resto da Europa. Aqui é muito frio, um povo sem mistura de raças. É um futebol um pouco duro, mais físico e tático do que técnico.
Tem alguma história curiosa?
Um fato bem curioso é que a maioria dos torcedores da Noruega torce por times da Inglaterra, já que desde os anos 1960 a televisão transmite jogos da Premier League.
Tem algum brasileiro na sua equipe?
Tem o Kayke, atacante, que também é ex-Flamengo.
Quem é o destaque do Tromso?
É o Kayke. Ele marcou dois gols na estreia e depois três em outro jogo, sendo um gol olímpico. É titular absoluto do time.
Quais são seus planos para o futuro?
Estarei de férias no Brasil no final do ano e ainda não sei nada sobre a próxima temporada. Tenho algumas propostas tanto do Brasil, quanto de outros países.
Você passou pela Suécia também, como foi essa experiência?
Foi boa também. É muito parecido com o futebol daqui. Trabalhei no Hacken.
Outras matérias deste colaborador no blog : guilhermepannain.wordpress.com


