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Um passeio por Cingapura (parte II)

Dando seqüência a nossa ‘odisséia’ por Cingapura, um dos países emergentes no futebol da Ásia, vamos continuar percorrendo a linha de defesa da seleção. Depois de “Maní”, agora é a vez de falar com o capitão Aide Iskandar (foto ao lado). Ele é um dos maiores futebolistas do país e esteve presente nas três conquistas do ASEAN Games (98, 2004, e 2007), a popular ‘Tiger Cup’, principal torneio de seleções do sudeste asiático.

Firme e seguro nas respostas, Iskandar carrega a braçadeira de capitão da seleção cingapuriana desde 2002 e é um dos recordistas de jogos pelos ‘Leões’, como é conhecida a seleção desta ilha, uma ex-colônia britânica. Atualmente alinhando no Geylang United, o jogador de 32 anos pretende se tornar dirigente após o final da carreira.

Confira outros tópicos discutidos nesta entrevista no texto abaixo!

Como você está vendo a acirrada disputa pela liderança da S-League (Campeonato Cingapuriano), onde Home United, Tampines Rovers, e Singapore Armed Forces estão na ponta?

Esses são os três principais times do país. São clubes organizados e com boa condição financeira que lhes dão a capacidade de comprar bons jogadores. Não existem defeitos nessas equipes (Iskandar já jogou no Home United e no Tampines Rovers). Todos os anos você verá esses times brigando pelo título da S-League.

Por quê você decidiu jogar no Geylang United, um clube decadente que vem fazendo campanhas medíocres nos últimos anos?

Eu decidi jogar no Geylang United apesar deles não terem terminado em uma boa colocação nos últimos anos, mas eu acredito que eles tem potencial para terminar em uma posição respeitável. Eu fui abordado pelo Presidente e pelo treinador (Lim Tong Hai), que foi meu companheiro de seleção nos anos 90, para ajudar a guiar e reconstruir esta equipe. Pessoalmente é um desafio ajudar o Geylang a voltar ao caminho das vitórias. Como jogador, já ganhei muitas coisas importantes, como as duas conquistas da S-League e os cinco títulos da Copa de Cingapura.

Em relação a amizade com os brasileiros Peres e Egmar, que assim como você, são dois dos maiores futebolistas da história de Cingapura. O que tem a dizer sobre os anos de convívio com eles?

Peres e Egmar são os melhores jogadores brasileiros que atuaram comigo na S-League. Eles são verdadeiramente profissionais que tem grande paixão e desejo de jogar futebol. Eu joguei junto com Egmar durante 10 anos. Com Peres, foram 5 anos. Eu tenho inúmeras lembranças deles e nós ainda fazemos contatos uns com os outros, e eu planejo, em breve, visitar Egmar ai no Brasil.

Como você viu o desenvolvimento da S-League durante esses 12 anos de existência?

O fato da S-League ter entrado no seu 12º ano é uma coisa positiva. A qualidade tem melhorado e é bom ver muitos jovens talentos serem chamados para seleção devido suas impressionantes performances. Eu apenas sinto que a mídia deveria fazer mais na cobertura dos jogos e torna-lo mais apaixonante para o torcedor não deixar de vir nas partidas.

Quais os principais jogadores que você destacaria durante esses 12 anos de profissionalismo que o futebol tem em Cingapura?

Egmar, Peres, Vlado Bozinovski, Zolst Bucs e Fandi Ahmad.

Poucos campeonatos no resto do mundo tiveram uma briga pela artilharia que durou tantos anos como o duelo entre Egmar e o croata Mirko Grabovac (ambos naturalizados). Como você já atuou com os dois, para qual deles você entregaria a camisa número 9 da sua equipe?

Ambos são grandes goleadores, mas eu prefiro Egmar. O trabalho dele é fantástico. Ele não só marca gols espetaculares como também se movimenta de tal forma que faz com que o trabalho dos meio-campistas se torne fácil para passar a bola para ele. Ele tem grande técnica e enorme desejo de vitória.

A imprensa de Cingapura oferece pouco espaço para a S-League, dando maior ênfase a Premier League inglesa quando o assunto é futebol. Segundo Egmar, o principal jornal do país oferece sete páginas para o futebol inglês e uma para a liga nacional. Falta apoio midiático para a S-League?

Sim, é verdade. Eu sempre disse que a mídia tem um papel importante para tornar a liga mais interessante, e eu penso que 1 página para falar sobre as 12 equipes da S-League não é suficiente para cobrir tudo. As pessoas aqui na Cingapura não estão cientes dos jogos ou perderam o interesse por causa da má publicidade. Os cingapurianos são loucos por futebol também, mas eles precisam estar cientes do que está se passando, e só com ótima publicidade se atinge isso. Por exemplo, no último ASEAN Games, em que nós fomos campeões, foram 55 mil pessoas que lotaram o estádio Nacional (o único no país com capacidade acima de 6 mil pessoas. É utilizado somente em grandes partidas e eventos).

Com as diferenças étnicas, culturais, e vários estrangeiros recrutados para fortalecer o time, você sente que o jogador cingapuriano tem orgulho em vestir o uniforme da seleção?

Os jogadores que atuam pela sua seleção nacional tem que ter orgulho de jogar por ela. A questão não é nem sobre isso, o problema são alguns jogadores que não tem compromisso, especialmente alguns jovens (Segundo Egmar, o promissor atacante da seleção Kairul Amri é baladeiro e fugiu da concentração para o jogo contra o Iraque, na Cingapura, pelas Eliminatórias para Copa da Ásia 2007. Chegou ao hotel às oito da manhã!).

Você não acha que são estrangeiros demais jogando juntos na seleção do país de vocês?

É bom ter estrangeiros naturalizados no time para ajudar a aumentar a qualidade da equipe e criar maior competitividade. Mas não deveriam ter muitos também, porque isso não reflete bem o patriotismo que existe dentro do grupo.

Nunca vocês conquistaram dois títulos seguidos do ASEAN Games (2004 e 2007), a popular ‘Tiger Cup’. Por quê o técnico sérvio Radojko Avramovic está fazendo tanto sucesso a frente da seleção de Cingapura?

A presença de ‘Raddy’ fez um bem tremendo aqui. Ele chegou com uma grande reputação de ter treinado equipes do Oriente Médio. Ele tem um ótimo olhar para observar jovens talentos, e tem gerenciado muito bem o balanço entre jogadores jovens e mais experientes na seleção. Ele é um grande perito em tática também.

Com o bicampeonato do ASEAN Games, o principal torneio de seleções do sudeste da Ásia, pode-se afirmar que Cingapura é a melhor equipe da região?

Sim, somos a melhor seleção do sudeste asiático e nós estamos entre as 10 melhores da Ásia inteira.

Será o nigeriano naturalizado cingapuriano Precious Emuneraye o próximo ‘patrão’ da defesa da seleção após a sua retirada e a do ‘Mani’?

É um dos fortes candidatos, como também existem outros jovens defensores que estão chegando para brigar por uma vaga na seleção.

O que pretende fazer quando parar de jogar?

Estou fazendo o curso de Gerenciamento e Marketing Esportivo paralelo a minha carreira de futebolista e vou terminar no final do próximo ano. Eu espero um dia estar apto para contribuir com meu conhecimento e experiência trazendo um outro nível para o futebol daqui.

Qual sua visão do futebol cingapuriano para o futuro?

O futebol aqui está definitivamente indo muito bem e não pode perder o passo no desenvolvimento de jovens. Existem muitas academias (escolinhas) por aqui e posso dizer que são muito boas para crianças.

O que você sabe sobre o futebol brasileiro?

Eu admiro o futebol brasileiro, especialmente o estilo de jogo. O que eu mais admiro na verdade é a cultura de futebol daí. É como uma religião. A paixão que os brasileiros têm é inacreditável e é isso que está faltando na Ásia.

*Alguns dias depois de nos conceder esta entrevista, Iskandar sofreu uma punição de 5 partidas por ter insultado o árbitro num jogo contra o Home United, pela S-League.

FICHA

Nome: Aide Iskandar. 
Nascimento:  28/03/1975 em Cingapura 
Clubes:

1995: Home United
1996: Home United
1997: Home United
1998: Home United
1999: Home United
2000: Home United
2001: Home United
2002: Home United
2003: Home United
2004: Home United
2005: Home United
2006: Johor – MAL
2006: Tampines Rovers
2007: Geylang United

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