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Um Lobo Solitário no ‘Magrebe’

Único jogador brasileiro na Liga Tunisiana 2008/9, o defensor Estevão Toniato, do Stade Tunisien, vai para sua quarta temporada no clube da região ‘Magrebe’, norte da África. Neste bate-papo “No One Pass” (Não passa uma), como é chamado pela torcida organizada 'Bardo Boys', relata com exclusividade tudo sobre a nova temporada na Tunísia.

Nos últimos anos os grandes tem conquistado o titulo nacional: Sfaxien (2005), Esperance (06), Etoile (07) e Club Africain (08). Mesmo sem dinheiro e lidando com a pressão de 43 anos sem vencer a liga nacional, dá para o Stade Tunisien pensar no título em 2008/9?
Na verdade a pressão desses 43 anos é muito grande. Pelo que eu sei nesse período o clube passou por vários problemas administrativos perdendo sua identidade. Nesta temporada temos três competições para disputar, esperamos fazer o melhor em todas elas. Mas futebol sem dinheiro é difícil de se ganhar alguma coisa. Não só aqui, mas em qualquer lugar.

O novo treinador José de Moraes tem um discurso mais técnico que o anterior, o brasileiro Robertinho. O português vem falando muito de entrega e senso de sacrifício em prol do grupo. Os jogadores estão gostando e assimilando bem o novo comandante?
Por enquanto nós tivemos apenas 40 dias de trabalho com o José Moraes, ainda é muito pouco pra se definir alguma coisa, mas a primeira impressão esta sendo ótima e o grupo já esta respondendo e assimilando bem a nova forma de trabalho. Acredito que possamos fazer muito mais essa temporada.

O Stade Tunisien a partir de setembro terá uma seqüência de 'pedreiras' contra Etoile du Sahel, Sfaxien, Club Africain, Esperance e Monastir. Se perder muitos pontos nesses clássicos, já pode esquecer o titulo?
É verdade, em campeonato de pontos corridos tem sempre que somar o máximo possível. No nosso caso, eu me preocupo mais com os times pequenos porque não costumamos jogar bem contra eles. Sempre fazemos excelentes jogos contra os grandes. Mas clássico tudo pode acontecer.

Nesta temporada tem o treinador Cabralzinho no Esperance, mas como jogador parece que você é o único brasileiro no campeonato.
Eu sou o único brasileiro em atividade aqui. Os clubes investem mais em africanos porque o custo é mais baixo e eles são mais fáceis em se adaptar, aceitam qualquer coisa pra sair dos seus países e fugir da dura realidade. Nós temos um custo bem alto para os clubes, além da dificuldade de adaptação, para nós é mais difícil, por isso os tunisianos desconfiam muito antes de assinar com um sul-americano.

Foi justo o titulo do Club Africain na última temporada?
Sim, foi a equipe que manteve sua regularidade e liderou o campeonato desde o inicio, teve o maior publico também.

Como pintou aquela homenagem que a torcida ‘Bardo Boys’ fez para você numa faixa escrita “Stevau: No one pass” (Estevão: Não passa uma)?                                   Aquilo foi logo quando cheguei (2005), o supervisor do clube me recebeu e me levou até onde o time estava fazendo a pré-temporada. Fomos de carro com o presidente desta torcida (Bardo Boys), que falou comigo no carro “você está chegando agora e não vai passar nada”. Ele sempre repetia “Stevau no one pass”, e mandou fazer aquela faixa. Já me disseram que quando eu sair do clube eu posso levar a faixa.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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