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Triunfando nas estepes

Uma das grandes sensações da Liga do Cazaquistão vem sendo o Kazakhmys, do atacante brasileiro Douglas. O clube de Satpaev, região central do território cazaque – que é dominado por vastas estepes – ganhou os três primeiros jogos. Neste contato, o avançado paranaense conta sobre o inicio da temporada, as principais novidades na liga e explica as dificuldades do seu clube que por pouco não conseguiu verba para participar do campeonato.

Vocês estão sendo uma das surpresas na Liga do Cazaquistão. Como está sendo o trabalho aí no Kazakhmys?
Ainda estamos no início do campeonato, nossa equipe teve uma ótima preparação na pré-temporada, é um time muito novo que tem bastante ambição…

Esse time do Lokomotiv Astana, fundado este ano depois da fusão entre Almaty e Megasport FC, parece que veio pra ficar. Eles se reforçaram com jogadores expressivos do futebol russo como o meia Yegor Titov e estão na liderança.
Sim, é uma equipe muito boa, com grandes jogadores e um ótimo treinador (Sergei Yuran). Eles contam com mais estrutura em relação aos outros clubes daqui.

O Kazakhmys quase desistiu de participar da liga por problemas financeiros. Como isso afetou vocês jogadores?
Não afetou em nada porque nós estávamos na pré-temporada lá na Turquia e não estávamos acompanhando as noticias no Cazaquistão. Quando chegamos ao país ouvimos o boato, mas já estava tudo certo para disputarmos o campeonato.

É interessante que em quase todas as cidades do Cazaquistão tem clubes de futebol profissional. O povo é apaixonado e acompanha bastante?
O pessoal aqui gosta muito de futebol. Eles são apaixonados.

Quais as principais rivalidades e clássicos?
A rivalidade não é igual a dos países mais expressivos e tradicionais. Aqui o jogo mais esperado é entre Aktobe e Tobol. 

Quais foram suas principais dificuldades de adaptação quando você chegou ao país em 2006?
Foi a língua. Somente depois de um ano e meio aprendi a falar o russo, mas agora já me sinto em casa..

O que você achou de mais diferente no comportamento dos jogadores no Cazaquistão? Os caras são gente boa ou tem muita trairagem?
Eles tem o mesmo comportamento. É igual ao Brasil, são gente boa. Eu não sei se é porque estou aqui há muito tempo, mas o pessoal me trata como se fosse um irmão. Existe um respeito muito grande.

O Cazaquistão não consegue ser competitivo em torneios internacionais. Pelo que você observa, quais os principais problemas?
Eles não tem noção do que é trabalho de base. Estrutura aqui tem bastante e talento eles tem de montão, só faltam profissionais capacitados para melhorar a molecada.

Na seleção do Cazaquistão quase todos os jogadores atuam no país. Os caras tem vontade de jogar fora do país, mas as ofertas são escassas?
O pessoal tem vontade de jogar fora, o problema é que faltam oportunidades..

O Cazaquistão teve um jogador muito respeitado que morreu tragicamente em 2007. Ele se chamava Oleg Litvinenko, maior artilheiro de todos os tempos da liga com 147 gols…
Sim, eu tive a oportunidade de jogar contra ele, aliás, ele ainda fez um gol nesse dia (risos). Ele já marcou muitos gols aqui no Cazaquistão.

Me corrija se eu estiver errado, mas parece que não existem jogadores africanos no Cazaquistão e é raro algum país da Europa não ter africanos jogando.
Olha (pausa), eu só ouvi falar de dois jogadores africanos que estão jogando no campeonato..

Conte algum caso engraçado ou inusitado.
Foi no ano passado em um jogo pelo campeonato. Os dois times estavam vendidos e os 40 minutos do segundo tempo teve uma falta quase no meio campo. Aí o jogador partiu para a cobrança, mas era só pra chutar para fora, mas ele pegou tão bem na bola que acertou o ângulo. Nisso, ao invés dele comemorar, ele colocou a mão na cabeça e ficou se lamentando, aí todo mundo viu que estava tudo armado no jogo…

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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