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Tragédia em Munique: 50 anos

No final da década de 50, o amor-próprio do futebol inglês não estava em sua melhor condição. Em 1950, a amadora seleção norte-americana tinha eliminado os ingleses da Copa do Mundo no Brasil. Cinco anos antes, o ‘English Team’ tinha sido devastado em Wembley por Puskas e companhia. A Copa dos Campeões já vinha sendo disputada há três anos, mas até então, nenhum inglês a havia conquistado.

Nas duas edições anteriores, no entanto, um clube inglês voltava a empolgar os brios dos britânicos, chegando às semifinais. O Manchester United do técnico Matt Busby tinha se consolidado num time arrasador, os ‘Busby Babes’, inclusive vencendo o campeonato inglês em 1955/56 e 1956/57, além da Charity Shield nos dois anos. Era claramente um time em ascensão que levava consigo o orgulho do reino e da Rainha.

Mas no dia 6 de fevereiro de 1958, um terrível acidente aéreo em Munique, na Alemanha, dizimaria os ‘Busby Babes’ e deixaria a Inglaterra atônita, vendo alguns de seus melhores futebolistas do pós-guerra morrerem na queda do Airspeed AS-57 da British European Airways. Oito dos 15 ‘babes’ faleceram em decorrência do acidente, alijando os ‘Red Devils’ de sua ambição européia e a Inglaterra de metade de sua seleção.

Nesta semana, o acidente faz 50 anos. O Manchester United não deixou de ser uma potência mundial e muitos dos sobreviventes do acidente (como o capitão inglês, campeão mundial em 1966, Bobby Charlton) seguiram em suas carreiras. Mas nunca mais o clube foi o mesmo nem deixou de lembrar de seus heróis caídos em Munique.

A última viagem

O time de Matt Busby já ensaiava uma dominação doméstica com o bicampeonato em 1956 e 1957. O time era na sua grande maioria formado em casa, nas divisões de base do time, onde Busby, auxiliado pelo seu assistente James Murphy, promoveu uma série de garotos ao time principal.

O nome ‘Busby Babes’ foi cunhado por Tom Jackson, jornalista de um diário local, que também morreria no acidente. Era uma referência à media de idade do time, que girava em torno dos 22 anos – algo extremamente incomum para a época.

Entre eles, um se destacava, como a grande esperança inglesa da época: o meio-campista Duncan Edwards, de 22 anos, já tinha cinco gols em 18 aparições pela seleção, alem dos dois títulos nacionais. Edwards era tido na Inglaterra como aquele que seria o maior jogador de todos os tempos.

Os ‘Babes’ eram um dos favoritos para vencer também o titulo europeu daquela temporada (que viria a ser do Real Madrid). Jogando somente aos sábados, os times tinham de viajar de avião para as partidas internacionais, ainda que seus atletas não estivessem completamente à vontade (viagens aéreas não eram a coisa mais segura do mundo em 1958). O Manchester viajou a Belgrado para pegar o Estrela Vermelha e empatou em 3 a 3. Na volta, precisou parar em Munique para reabastecimento (uma vez que a autonomia do Airspeed Ambassador era de pouco mais de mil quilômetros).

O time já tinha se atrasado cerca de cinqüenta minutos em Belgrado por causa de problemas com o passaporte de um dos jogadores, o ala-direita Johnny Berry. Na hora da partida, os motores fizeram com que o piloto precisasse abortar a decolagem por duas vezes. Na terceira, o problema foi mais agudo e impediu o motor de atingir a velocidade necessária, fazendo com que a aeronave caísse matando 23 de seus 44 passageiros.

Tragédia

Os jogadores Geoff Bent, Roger Byrne, Eddie Colman, Mark Jones, David Pegg, Tommy Taylor e Liam Whelan estavam entre os que morreram imediatamente. Duncan Edwards resistiu à queda, mas faleceu no hospital 15 dias depois. Jack Berry e Johnny Branchflower sobreviveram mas não voltaram a jogar futebol. Três membros da comissão técnica (Walter Crickmer, Bert Whalley e Tom Curry) e oito jornalistas também faleceram.

O técnico Matt Busby foi um dos que sobreviveram. “Acordei no hospital e me disseram o que havia acontecido. Comecei a perguntar: ‘Bent?’ Morto. ‘Byrne?’ Morto. A lista não acabava mais”. Alem dele, de Berry e Branchflower, sobreviveram ao acidente Dennis Violet, Ray Wood, Bill Foulkes, Harry Gregg, Kenny Morgans, Albert Scanlon e Bobby Charlton, que lideraria a Inglaterra em 1966.

Depois do acidente, o Manchester United venceu somente uma partida no campeonato e acabou na nona colocação. O time levaria anos para se recuperar – ainda com Busby no comando. O sonho da conquista da copa européia dos ‘Busby Babes’ aconteceria dez anos depois do acidente. Matt Busby montaria o melhor time do Manchester em todos os tempos, com George Best, Brian Kidd e Nobby Stiles, entre outros. E o titulo, naturalmente foi dedicado aos mortos em Munique.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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