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Tommasi: “Poucos triunfam em Roma”

Apesar de também ser da região do Veneto, o volante italiano Damiano Tommasi obviamente não tem a menor pretensão de copiar o compatriota Marco Polo, mercador de Veneza que foi um dos primeiros ocidentais a percorrer a Rota da Seda e trazer as primeiras informações da China para o ocidente na idade média.

Aos 35 anos, o meio-campista que atuou por dez anos na Roma (1996 à 2006) é um dos raros futebolistas da Itália que optaram pela inusitada experiência de atuar na Ásia e, em particular, na China, ao assinar com o Tianjin Teda, seu atual clube.

Humilde e solícito, ele aceitou nos conceder uma entrevista onde fala da adaptação a Superliga Chinesa e temas ligados ao calcio; suas personalidades e as diferenças que notou entre as ligas espanhola e italiana. 

Como anda a experiência no futebol chinês?
O lado profissional vai bem. Eu diria que até muito bem haja vista os resultados pessoais e da equipe do Tianjin Teda. Estamos nas primeiras posições da Superliga Chinesa e com boas possibilidades de ganhar o campeonato até o fim do ano. No aspecto familiar é um pouco mais complicado porque eu tenho quatro filhos que vivem na Itália e é difícil ficar tão longe por tanto tempo.

Você tem 35 anos e está na China, mas ainda tem intenção de encerrar a carreira na Itália?
Por enquanto eu ainda não tenho intenção de terminar a carreira. Isso só irá acontecer quando meu corpo e minha mente dizerem “basta”. Por enquanto, penso em me manter em forma o mais tempo possível.

Jogadores como Christian Vieri não esconderam a tristeza por não estarem no plantel italiano, campeão da última Copa do Mundo. Por ter jogado e ter sido eliminado no Mundial de 2002, você também sentiu ter ficado de fora em 2006?
O Mundial é uma competição para poucos e sempre há jogadores que merecem estar na seleção, mas são superados pela concorrência. Pessoalmente, eu nunca pensei na última Copa do Mundo como uma ocasião perdida. Eu pensei mesmo em Paolo Maldini, que infelizmente não conseguiu ter na seleção as conquistas que merecia ter.

O que torna Fábio Capello um treinador tão competitivo e vencedor?
Sim, ele ganha com uma certa freqüência. Ele é acima de tudo um ótimo líder que sabe escolher e posicionar os grandes jogadores num mesmo time. Não é simples fazer coexistir tantas estrelas juntas, mas ele consegue e como sempre tem os melhores a disposição, ele quase sempre ganha as competições que participa. Sua melhor qualidade é saber estimular ao máximo os jogadores, que no fim conseguem render 100{4e6004d4b2dec836d33dc5172bfddf26d3363bd8dda1f1bebd6a41477248514f} de suas possibilidades.

Aqui na América a imprensa séria e especializada discute muito o fato dos treinadores sul-americanos raramente triunfarem na Europa devido às diferenças culturais e metodológicas. Carlos Bianchi, um grande papa-títulos aqui no continente, fracassou em Roma e você estava lá. O que houve?
São poucos os que triunfam em Roma e sobretudo são poucos os que triunfam em apenas oito meses. Não deram a Carlos Bianchi o tempo necessário para trabalhar. Naquela temporada (1996/97) tínhamos um time que não era tão competitivo como se pensava. Não é á toa que muitos saíram ao final do campeonato. Carlos Bianchi, como todos os treinadores, precisa de um grupo que o siga e o reconheça como um líder, exatamente como acontece aí na América onde ele é estimado e apreciado, o que não aconteceu em Roma naquela temporada.

Basicamente quais as diferenças que você mais sentiu entre o futebol espanhol e italiano?
O futebol italiano é muito atento aos movimentos coletivos, a tática, a bloquear a manobra adversária para depois sair em contra-golpes. Já o futebol espanhol exalta os dotes individuais e, não sendo particularmente atentas no ponto de vista tático, as equipes espanholas deixam mais espaços as jogadas puramente técnicas, que são tão apreciadas pelos torcedores.

Você jogou 11 anos na Serie A e enfrentou estrelas de gerações diferentes indo de Weah, Zidane e Ronaldo à Shevchenko, Kaká e Ibrahimovic. Qual o jogador mais difícil que você marcou?
(Sem titubear) Zidane! Digo isso em absoluto e numa distância considerável em relação aos demais. Até nos últimos minutos das partidas as suas mudanças contínuas de direções me desorientavam. Depois de enfrentá-lo várias vezes eu entendi que o segredo era não tentar roubar-lhe a bola…era um ato inútil!

Estive com Aldair há alguns anos e comentei sobre Antonio Cassano, que quando estava nos primeiros anos na Roma a imprensa ainda o considerava o “novo Roberto Baggio”. Aldair sorriu discretamente e disse que nunca acreditou que isso pudesse se tornar realidade.
Cassano é um cara imprevisível, sempre a caça de surpresas tanto dentro quanto fora de campo. Ele tem seguramente uma capacidade extraordinária, mas frequentemente o futebol, como esporte de equipe, organizado e taticamente exigente, o coloca em dificuldade. Não sei o que acontecerá nos próximos anos, mas Cassano é um cara que dificilmente consegue se comportar como todos sugerem que deveria, frequentemente faz e desfaz as coisas segundo suas idéias e impulsos de momento.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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