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Times inusitados da Copa do Brasil

O campeonato mais democrático do Brasil tem a especial característica de colocar frente a frente clubes como Flamengo e Ivinhema do Mato Grosso do Sul. Principalmente nas rodadas iniciais, a competição leva gigantes do futebol mundial a viajar pelos quatro cantos do país e dá aos nanicos a oportunidade única de se apresentar para multidões e tornar-se nacionalmente conhecido.

Ano a ano, a competição surpreende os torcedores dos times mais tradicionais apresentando clubes com histórias, personagens, uniformes e distintivos bastante curiosos, para dizer o mínimo.

Para sair da mesmice de comentar sobre os times que pleiteiam uma vaga na Libertadores pelo caminho mais curto, a Trivela faz uma breve apresentação dos dez times mais “inusitados” que disputarão a Copa do Brasil a partir do próximo dia 18 de fevereiro.

por Pedro Teixeira e Mayra Siqueira

Dom Pedro II (DF)

Formado por integrantes do Corpo de Bombeiros de Brasília, o Dom Pedro II recebeu o nome do patrono da corporação, fundada no longínquo ano de 1853, na antiga capital federal. A evolução do clube se deu com a rapidez de um incêndio no cerrado do Planalto Central, pois até 1996, o alvirrubro disputava apenas campeonatos amadores.

Pouco antes de enfrentar o Fluminense no Maracanã pela terceira divisão do campeonato nacional, em 1999, o grande adversário do time sediado na cidade satélite de Guará era o Tiradentes-DF, mantido por oficiais da PM, com quem disputava o equilibrado “Clássico Militar”.

Na época, o Dom Pedro II levava vantagem sobre as outras equipes amadoras por contar com a infra-estrutura da corporação, que incluía quatro campos e um departamento médico de primeira. Além disso, formado apenas por membros do Corpo de Bonbeiros, da (comissão técnica e diretoria aos jogadores) o time também estava passo à frente no que dizia respeito ao preparo físico. A maior dificuldade era conciliar os horários dos jogos com os turnos de serviço dos atletas.

J. Malucelli (PR)

Pelo simples fato de ser o primeiro clube empresa do país, o J. Malucelli S. A. já poderia ser chamado de “alternativo”. Porém, o clube tem outras motivos para estar entre os mais estranhos da Copa do Brasil. Um deles é estar prestes a mudar de nome pela segunda vez. Ao que tudo indica, se parceria com o Corinthians for mesmo firmada, o time será chamado de Corinthians Paranaense, na esperança é atrair mais torcedores. O J. Malucelli já também já foi conhecido por Malutrom. Isso antes da família Trombini romper os negócios com os Malucelli.

Como as cores oficiais do clube (azul e branco) dificilmente formariam um bom uniforme alternativo, o J. Malucelli joga por camisas, calções e meias cinzas. O distintivo traz o mascote, um garoto amarelo com o antigo uniforme azul e polegar em riste.

Outra curiosidade do clube é o charmoso Eco-estádio Janguito Malucelli, vulgo “Janguitão”. Com arquibancadas não passam de cadeiras de plástico fixadas em um barranco e banco de reservas e placar são feitos de madeira, as intalações da cancha causam mais estranheza do que o próprio nome, mas são uma boa idéia para minimizar os custos e não agredir o parque Barigui.

Misto (MS)

O clube que chegou pela primeira vez em uma Copa do Brasil nasceu literalmente de uma brincadeira de criança há pouco mais de 20 anos. Em maio de 1987, um grupo de moleques reuniu-se em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul para disputar um torneio na Vila Carioca. O time não tinha nome até a hora da inscrição e foi sugerido então que dessem o nome do bairro em que moravam. Como cada um era de um bairro diferente, era uma mistura, a moça responsável pelas inscrições deu a solução: “Põe o nome de Misto!”.

Desde a profissionalização em 2000, o Misto tem enfrentado graves problemas de falta de dinheiro e patrocínio. Sem o apóio de Três Lagoas, o time foi obrigado a defender duas outras cidades nos campeonatos estaduais de 2002 e 2003, Aquidauana e Campo Grande.

Em 2008 a situação ficou ainda mais grave e, sem verba para manter o elenco, o Alvinegro chegou a ficar sem nenhum atleta. O time que disputará a Copa do Brasil foi montado as pressas, mas o presidente do clube não vê motivos para se preocupar, afina: “O município de Três Lagoas é um celeiro de craques”.

Holanda (AM)

O time amazonense que tem como mascote é uma laranjinha com pernas que joga futebol foi fundado em 1984, mas profissionalizou-se somente em 2007. O nome do clube é tanto uma homenagem à histórica seleção holandesa de 1974, que ficou conhecida como “Laranja Mecânica”, quanto à importante cidade de Rio Preto da Eva, detentora do título de “maior produtora amazonense de laranja”.

O primeiro jogo profissional foi marcado para a cidade de Itacoatiara, a 180 km de Rio Preto da Eva e 260 km de Manaus. A excursão do time ao estádio Floro Mendonça ilustra bem o tipo de dificuldades enfrentadas por um pequeno time de futebol, particularmente na Região Norte do Brasil. Depois de ter o ônibus encalhado na estrada por problemas mecânicos, a delegação seguiu viagem acomodada na carroceria da um caminhão.

O primeiro título vencido pelo Holanda como profissional foi organizado pela Associação de Cronistas e Locutores Esportivos do Amazonas. No ano seguinte o passo foi grande, o time superou todas as expectativas, venceu o segundo turno do campeonato amazonense e derrotou o Fast Club, campeão do primeiro, na partida que decidiu o grande campeão estadual.

Icasa (CE)

O distintivo do Icasa, parte de uma engrenagem, dá indícios da história do clube. Apesar de a CBF não reconhecer, o Icasa deriva do antigo clube da Indústria e Comércio de Algodão S. A. Conta-se que o antigo dono da empresa colocou o time no campeonato municipal de Juazeiro do Norte em 1963 depois de muito incentivar a prática do esporte entre seus funcionários.

Em 1998, uma indenização de 30 mil reais movida por um ex-atleta levou o clube da terra de Padim Ciço à falência. Para substituí-lo, foi criado um novo clube com o ainda mais estranho nome (para um time de futebol) de Juazeiro Empreendimentos. A nova equipe não teve vida longa. Depois de três anos fundou-se a Associação Desportiva Recreativa Cultural Icasa, que além da maior torcida do Sertão do Cariri herdou também as glórias do antigo Icasa e ganhou o direito de disputar a primeira divisão do estado. Logo na primeira temporada, o Verdão ascendeu à elite do futebol cearense.

Sampaio Corrêa (MA)

Campeão estadual do Maranhão por 29 vezes, o Sampaio Corrêa é uma das equipes curiosas da Copa do Brasil. O tradicional clube maranhense, nas cores amarela, vermelha e verde, foi fundado há 85 anos, de um grupo de “peladeiros” que homenagearam o hidroavião homônimo que apontou em São Luís em 1922.

O time, que se auto intitula “Bolívia Querida”, venceu uma vez a Série B e a Série C do Brasileiro. Apesar disso, o Tricolor de São Pantaleão foi o primeiro clube maranhense a participar de um torneio internacional, a Copa Conmebol de 1998, chegando às semifinais e caindo diante do Santos.

Suas participações em Copa do Brasil não são muito animadoras. A melhor atuação foi em 1989, quando terminaram em 17º. Em 2007, sua última atuação na Copa, foi eliminado ainda na primeira fase. Neste ano, estreia enfrentando o Figueirense dia 18 de fevereiro, e não tem lá grandes expectativas de chegar à etapa seguinte.

Barras (PI)

O time que enfrentou o Corinthians na última Copa do Brasil talvez até tenha uma chance de passar para a fase seguinte este ano, já que enfrenta um decadente Remo. É uma partida um tanto difícil de predizer um resultado, mas certamente não há muitas expectativas de um melhor desempenho do que chegar à segunda fase.

O Leão do Marataoan conquistou pela primeira vez o estadual ano passado, tendo anteriormente chegado no máximo à vice, em 2006 e 2007. O que até chega a ser curioso, considerando que o clube existe a menos de cinco anos.

Apelidado de “Bafo”, o time usa as cores da bandeira do município de Barras, vermelho, azul e branco, e enfrenta a primeira partida contra o Leão azul do Pará dia 4 de março.

Associação Sportiva Arapiraquense – ASA (AL)

O alvinegro alagoano fez história no futebol nacional ao vencer o Palmeiras na primeira fase da Copa do Brasil em 2002. Mas não passou disso. O time, que primeiramente se chamava Ferroviário, agora tem a tarefa de vencer o Vitória para tentar retomar algum espaço. Vai precisar de bastante sorte para superar os baianos.

O time foi campeão já em sua primeira participação no estadual, em 1953. Porém, amargou 47 anos sem vitórias, quadro só mudado em 2000. Em 2001 foi bi, e venceu ainda em 2003 e 2005.

Mas, se até Chico Buarque já os eternizou na canção que dizia “E se o Arapiraca for campeão…”, nos resta esperar pra ver o que os alagoanos reservam para 2009. Talvez até consigam chegar novamente à segunda fase da Copa do Brasil.

Moto Club (MA)

O rubro-negro maranhense, grande rival do Sampaio Corrêa, é o maior vencedor do estadual na década, e estreia na Copa do Brasil 2009 enfrentando o Náutico pernambucano. Neste duelo nordestino, os recifenses têm mais chances de seguir para a próxima fase, pois apesar dos 23 títulos conquistados no Maranhão, o Moto Club nunca conseguiu espaço nacional, e é mais provável que chame atenção mais pelo nome do que por sua atuação no campeonato.

O clube, conhecido como “Papão do Norte” pelas suas conquistas na região vizinha, tem mais chances de continuar colocando medo nos times nortistas do que causar surpresas em seus concorrentes na Copa do Brasil.

Itumbiara (GO)

O pequenino goiano surpreendeu ao conquistar o Estadual em 2008, vencendo o favorito Goiás por 3 a 0 na partida de volta da final, em que jogava apenas para o empate. Acabou fazendo o tradicional time esmeraldino amargar a derrota para o então desconhecido do interior.

O tricolor conta com uma torcida de 28 mil pessoas, e é famoso por levar 30% da população da cidade ao estádio J.K. quando joga em casa. Mas, apesar do esforço dos itumbiarenses, as chances do inusitado campeão goiano seguir na Copa do Brasil são ainda mais reduzidas ao caírem na primeira fase contra o Corinthians.

O alvinegro paulista enfrenta o Itumbiara dia 4 de março, ainda sem Ronaldo e fora de casa. O Timão terá que encarar um terço da cidade assistindo a partida, o que, de qualquer maneira, não deve meter medo no elenco de Mano Menezes.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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