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Times abandonam a Série D por falta de dinheiro para viajar. Onde está a CBF?

A Trivela colocou no ar a matéria “. São 40 clubes, pelo menos um de cada estado do país. É o único campeonato nacional que, em tese, tem teoria de todas os estados brasileiros, algo que é muito importante para o futebol brasileiro. Só que essa competição é tratada com descaso.

A CBF não oferece qualquer ajuda de custo para quem joga a Série D. Por isso, muitos clubes precisam gastar muito para disputá-la. É o caso dos times de Roraima, por exemplo. Dos seis clubes da primeira divisão, cinco entraram com ofícios na federação desistindo de participar da Série D, caso fossem indicados. O motivo é esse mesmo: não há dinheiro para a disputa. Falei com Ribamar Rocha, editor de esportes do jornal Folha de Boa Vista, da capital do estado. O único clube que não desistiu de cara foi o Rio Negro, que buscou patrocinadores para bancarem sua participação no torneio. O orçamento? R$ 1 milhão só em viagens. Isso porque o estado não possui estradas que liguem a outros lugares. Tudas as viagens precisam ser feitas por avião. As distâncias passam de mil quilômetros para todos os destinos. O time de Roraima fica no mesmo grupo do Penarol, de Itacoatiara, em Amazonas, e dos representantes de Rondônia, Acre e Pará. 

Não é uma história isolada. No Piauí, a Federação Piauiense de Futebol não era reconhecida pela CBF até fevereiro. Tanto que 11 times chegaram a pedir desfiliação da federação por conta do imbróglio, que era político, envolvendo o presidente da federação, Luís Joaquim Lula Pereira. Em janeiro de 2011, a justiça anulou os votos recebidos por ele e a CBF não o reconheceu como presidente. Em fevereiro, Cesarino de Oliveira foi reconhecido como legítimo presidente da entidade, que voltou a ser reconhecida. Uma confusão que quase fez o estado não participar das competições nacionais. Por conta disso tudo, o Torneio da Movimentação foi criado, ainda em fevereiro, com a participação de nove equipes, sendo três amadoras. O companheiro e também jornalista Flávio Meireles, de Teresina, relatou o seguinte:

“Para se ter ideia do quão bizarro foi o modo de escolha do representante piauiense na Série D, é só observar que, dos nove clubes que participaram do Torneio da Movimentação (Flamengo, Piauí, Barras, Comercial, Caiçara, Ferroviário, Cori-Sabbá, Valença e Vila Nova), apenas quatro disputam o Campeonato Piauiense deste ano: Flamengo, Piauí, Comercial e Caiçara. Como eu disse, Ferroviário, Valença e Vila Nova são equipes amadoras. E Barras e Cori-Sabbá ficaram de fora do estadual por problemas financeiros”.

Para não ficar só na crítica: é preciso mudar a forma como se administra o futebol brasileiro. A criação de uma liga (ou até duas, uma para a primeira divisão e outra para as três abaixo) ajudaria. Essa liga poderia ter um fundo, que viria de uma pequena parte das receitas de televisão e públicidade, para ter como bancar as viagens dos clubes nas Séries C e D. Além disso, é preciso organizar melhor. Não é porque o Acre é região norte que deve ficar no mesmo grupo dos times de Roraima. São dois locais distantes. Quem faz o regulamento e a divisão, à caneta em uma sala com ar condicionado do Rio de Janeiro, não entende que para esses times, ir de Roraima ao Acre é mais difícil do que ir para São Paulo. As rotas aéreas e terrestres precisam ser levadas em conta.

Alguém vai dizer que em algum lugar da Europa não é assim. Só que lá não tem Amazonas, Pará, Amapá e distâncias enormes como temos hoje. E certamente lugares como Rondônia, Amapá e Roraima têm muita gente jogando futebol. Falta é criar uma forma para que os clubes de lá não tenham que falir para jogar as divisões inferiores, enquanto os times da Série A se entopem de dinheiro da TV e gastam milhões com Ronaldinho Gaúcho, Adriano e etc.

Em tempo: cada um gasta o dinheiro como quer. Mas é preciso ter uma racionalidade na divisão de recursos para que essa riqueza do futebol brasileira não se torne a própria origem do seu enfraquecimento, destruindo clubes pequenos e não criando divisões inferiores fortes. Com um país do tamanho do Brasil, podemos ter quatro divisões de muito bom nível e formadora de grandes jogadores. Dá trabalho, mas dá para fazer.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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