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“Temos chances de ser campeões”

Patrão da defesa do surpreendente FC Tokyo, 4º colocado na J-League – Campeonato Japonês – o zagueiro Bruno Quadros, ex-Flamengo e Cruzeiro, falou a Trivela sobre seu bom momento na terra do sol nascente. Com menos de 10 anos de existência e um dos únicos do país a não possuir um mascote, o clube da capital nipônica é uma das sensações nessas primeiras 8 rodadas!

Como está sendo a experiência no novo clube, o FC Tokyo? Em termos de estrutura, é melhor que o Cerezo Osaka e o Consadole Sapporo?
Tem sido uma experiência muito interessante. Tudo novo: clube, jogadores, cidade, estádio, tudo muito bacana. Deus tem me dado o privilégio de estar em grandes clubes aqui no Japão com maravilhosas torcidas e belíssimas estruturas. Tenho grande carinho pelos dois clubes que passei e tenho me sentido muito bem aqui no FC Tokyo onde fui muito bem recebido.  

A equipe está em 4º lugar na J-League. Qual a ambição do FC Tokyo na competição?
Particularmente penso em ser campeão. Claro que Kashima Antlers, Urawa Reds e Gamba Osaka são os times mais badalados ultimamente em função dos títulos que tem conquistado. Mas temos um bom elenco com jogadores nas seleções olímpica e principal, e com verdadeiras chances de títulos.  

Você chegou junto com o zagueiro Hideki Sahara. Como é jogar ao lado dele?
É um belo jogador que tem como principal característica o jogo aéreo. Muito bom na defesa e também no ataque. Não chegamos a treinar muito tempo juntos pois me machuquei na pré-temporada e ele se machucou no início da J-League. Tivemos a oportunidade de jogar alguns amistosos e no início de abril atuamos juntos contra o Consadole. O time foi bem e conseguimos fazer uma boa dupla. 

Sobre o brasileiro Cabore, artilheiro da Liga Sul-coreana 2007 e que chegou agora ao Japão. Ele tem qualidade para se dar bem na J-League?
Tem muita qualidade. É um jogador forte, alto e veloz. Começou no nordeste do Brasil e depois Bonsucesso e Ituano. Já fez dois gols na J-League e tem tudo pra ir bem.  

O técnico Hiroshi Jofuku. Como esta sendo trabalhar com ele?
É uma pessoa muito tranquila e comunicativa. Tem uma característica interessante de mudar o time em todos os jogos. É algo novo que estou passando, pois já jogamos várias partidas e não houve escalação repetida. Perdendo ou ganhando ele muda o time. Essa é a maneira dele trabalhar. 

Acha que o título este ano fica entre Kashima Antlers e Urawa Reds ou pode pintar surpresas?
São dois grandes clubes. O Kashima Antlers é o atual campeão e o Urawa Reds trouxe de volta ao Japão o atacante da seleção principal, Takahara, que estava na Alemanha. Não podemos deixar de falar do Gamba Osaka, que vem bem nos últimos anos. Tem também Yokohama Marinos, Nagoya Grampus e Kashiwa que são de nome. Acredito muito no FC Tokyo, que tem muitos jogadores nas seleções amadoras, olímpica e principal. A J-league é um campeonato disputadíssimo até o fim. 

Depois de mais de 15 anos da chegada de Zico, o jogador brasileiro continua como ponto de desequilíbrio na J-League. A diferença técnica entre o futebolista brasileiro e o japonês é tão imensa assim?
Futebol japonês e brasileiro são diferentes. O japonês é disciplinado e o brasileiro é criativo. O futebol brasileiro está na frente e isso é inegável, porém, tem jogadores que vem pro Japão e não acertam e tem outros que vem e conseguem ficar durante anos e muito bem. Portanto, vejo belos jogadores japoneses e brasileiros por aqui.  

Ao final da última Copa, Zico chegou a afirmar que uma das deficiências do jogador japonês é a falta de ‘agressividade’. Você sente que são jogadores pouco confiantes ou que tem algum complexo de inferioridade técnica?
Complexo de inferioridade técnica não, porém, o japonês não gosta de correr riscos, são cuidadosos em tudo e isso atrapalha um pouco dentro de campo.  

Ignorando questões de adaptação, você consegue citar alguns jogadores japoneses que teriam condições de jogar um Brasileirão em bom nível, ou não existem?
Jogar fora de seu próprio país não é fácil e envolve muitas coisas. Claro que ter qualidade é fundamental. Tem muitos jogadores de qualidade aqui no Japão. Cito alguns como o meia Nakamura, que está no futebol da Escócia, o meia Endo, do Gamba Osaka, o volante Abe, do Urawa Reds, e outros mais que acredito que teriam condições de atuar no futebol brasileiro.  

Fala-se maravilhas do atacante Davi, que jogou com você no Consadole Sapporo. É um tipo que ainda vai chegar num grande clube japonês?
Sim. Davi e o Cabore são parecidos. Altos, fortes e rápidos. Pessoa tranquila fora de campo e que trabalha forte. O Davi chegou no ano passado e foi muito bem, sendo comprado pelo Consadole. É um jogador muito importante e respeitado dentro do clube. Tem tudo pra ficar durante um bom tempo no Japão e não sei se o Consadole conseguirá segurá-lo. Grande jogador, grande pessoa e grande irmão em Cristo.  

Você surgiu como volante e se tornou zagueiro. Como aconteceu esse processo e qual foi o treinador que influenciou essa mudança?
Aconteceu em 2002 quando estava no São Caetano. Tinham muitos volantes no time e num amistoso o Jair Picerni (treinador) me colocou de zagueiro e gostou. Com o fim da Libertadores, Picerni foi pro Guarani e me indicou como zagueiro. Fiquei surpreso, pois tudo aconteceu muito rápido. 

Como é o convívio com os futebolistas japoneses? O entrosamento é fácil?
Bem tranquilo. Uns brincam mais e outros menos, uns falam mais e outros menos. Existe a preocupação por parte dos japoneses de fazer com que os estrangeiros se sintam a vontade o mais rápido possível. Isso é bem bacana. 

Quais as principais dificuldades para se adaptar ao futebol japonês e o que você aconselharia para um jogador brasileiro que estivesse chegando?
Aqui é um futebol diferente. Correria os 90 minutos. Também conta muito a disciplina dentro e fora do campo. E o idioma, apesar de ser difícil, é interessante aprender o básico.  

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Equipe Trivela

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