Tática: Jovem Brasil x Nova velha Argentina

Brasil e Argentina se enfrentam nesta quarta-feira, dia 17 de junho, em Doha, no Catar, e os dois times passaram por muitas mudanças depois da Copa do Mundo. Diego Armando Maradona deixou o comando da seleção argentina, em um episódio ainda polêmico, enquanto Dunga deixou a Seleção Brasileira, depois de ser alvo de diversas críticas.
O jogo terá como atrações a estreia oficial do técnico Sergio Batista como efetivo no cargo e a volta de Ronaldinho Gaúcho. O técnico Mano Menezes renovou o time em todos os setores e terá pela frente seu primeiro grande jogo à frente do Brasil.
Além das mudanças de técnico, os dois times mudaram também na forma de atuar. Depois das críticas sofridas pela Argentina no setor defensivo, Sergio Batista trouxe de volta nomes importantes que ficaram fora do mundial, como Esteban Cambiasso e Javier Zanetti e experimentou outras formas de jogar.
Mano Menezes mudou de forma drástica o Brasil. Assim como Batista, convocou os nomes pedidos antes da Copa, Paulo Henrique Ganso e Neymar, além de chamar diversos jogadores jovens.
O pós-Maradona
Sergio Batista assumiu o comando da seleção argentina logo após a Copa, como técnico interino. E o primeiro desafio foi um amistoso com a Irlanda, em Dublin, no dia 11 de agosto.
O setor que Batista mais mudou foi o meio-campo. Na defesa, manteve uma linha de quatro, com Nicolás Burdisso, Martín Demichelis, Walter Samuel e Gabriel Heinze. No meio, Javier Mascherano era o volante mais recuado. Fernando Gago e Éver Banega, dois que não foram à Copa, formavam a linha logo à frente. Atuando mais à frente, quase como atacantes, Lionel Messi e Ángel dí Maria, que tinha Gonzalo Higuaín como referência, em uma espécie de 4-3-3. Apesar de Messi e Dí Maria atuarem como pontas, o meia do Barcelona tinha liberdade para fazer um arco no ataque, cair pelo meio e tornar-se armador em muitas vezes.
No amistoso seguinte, Batista enfrentou a campeã do mundo, Espanha, no estádio Monumental de Nuñez. Desta vez, fez mais mudanças. Javier Zanetti entrou na lateral-direita – um dos maiores problemas argentinos na Copa – e Gabriel Milito na zaga.
No meio-campo, uma linha de três volantes, com Mascherano, Cambiasso e Banega. À frente deles, um trio ofensivo, com Messi, Tevez e Higuaín. Messi recuava mais, fazendo as vezes de armador, com liberdade para cair pelos lados do campo.
O jogo mostrou que Cambiasso, com qualidade técnica com a bola e alto poder de marcação, melhora muito o time. Banega, também com qualidade técnica, melhorou a saída de jogo – que antes ficavaa a cargo de Mascherano, o que tem pior passe entre os três.
A Argentina goleou por 4 a 1 uma Espanha desfigurada de algumas de suas principais peças. Ainda assim, mostrou ofensividade e deu mais força para Sergio Batista seguir no comando da equipe.
Contra o Japão, no dia 8 de outubro, Batista experimentou um esquema diferente. A defesa voltou a ser formada por Burdisso, Demichelis, Gabriel Milito e Heinze. No meio-campo, Mascherano era o homem mais recuado, Cambiasso era segundo volante e uma linha de três armadores, com Messi pela direita, D’Alessandro centralizado e Tevez mais pela esquerda, chegando por vezes como segundo atacante. Diego Milito foi o atacante mais avançado.
Apesar da formação ofensiva, o time não rendeu o esperado. Batista justificou dizendo que a viagem até o Japão foi longa demais, por isso o time não jogou bem e acabou derrotado por 1 a 0.
A formação ainda precisa ser melhor testada e um dos candidatos a ficar com a vaga de armador pelo centro é o meia Javier Pastore, do Palermo, que exerce essa função no time italiano e tem sido um dos destaques do Campeonato italiano desta temporada. Batista ainda testa se coloca Tevez no time, como um atacante vindo de trás, ou Dí Maria, que faz mais jogo pelos lados e volta mais como meio-campista.
Para o amistoso com o Brasil, Batista convocou praticamente o mesmo time, desta vez, como técnico efetivo da Argentina até a Copa 2014 – ou, ao menos, é o que prevê o contrato do treinador.
Renovação a galope
Uma das maiores críticas feitas a Dunga na seleção que levou à Copa do Mundo foi deixar de fora jogadores talentosos e em boa fase, especialmente Paulo Henrique Ganso e Neymar, ambos do Santos. O meia, principalmente, poderia dar opção ao técnico em uma posição carente, que só tinha Kaká, com problemas físicos, para jogar.
Na sua primeira convocação, Mano deixou de fora alguns dos principais nomes do time brasileiro, como o goleiro Júlio César, o lateral direito Maicon e os zagueiros Lúcio e Juan. Este último, com 30 anos e histórico de problemas físicos, não deve chegar ao próximo Mundial. Lúcio, com 32, é outro que dificilmente chega à próxima Copa.
Por isso, a mudança do técnico começou na defesa. No gol, Victor assumiu o posto de titular. Na lateral, a menor mudança: Daniel Alves entrou no lugar de Maicon. No centro da defesa, Thiago Silva, reserva na Copa, e que mantém ótimo nível no Milan, e David Luiz, zagueiro do Benfica que se destaca na equipe portuguesa há duas temporadas, surgiram como titulares. Na lateral esquerda, Mano colocou André Santos, que foi o titular de Dunga até pouco antes do Mundial da África do Sul.
Mano Menezes afirmou em entrevistas que gostaria de atuar no 4-2-3-1, que utilizou em seus times. Foi assim que o técnico armou a equipe nos amistosos pós Copa do Mundo. No primeiro, contra os Estados Unidos, o time teve Lucas e Ramires como volantes e uma linha ofensiva com Robinho pela direita, Paulo Henrique Ganso pelo centro e Neymar pela esquerda. Como referência no ataque, Alexandre Pato.
O time funcionou bem, ficou no leve no ataque e teve um camisa 10 organizador, com uma característica diferente do principal jogador do time na Copa, Kaká, mais incisivo e menos armador do que Ganso.
Neymar, apesar dos 18 anos e da sua primeira convocação para o time principal, não sentiu o peso da camisa e atuou bem, marcando um dos gols da vitória por 2 a 0. Na defesa, a segurança e velocidade de Thiago Silva e David Luiz faz com que não seja sentida a falta dos titulares da Copa.
Na rodada seguinte de amistosos, sem Neymar, punido por indisciplina, e Ganso, machucado, Mano Menezes trouxe para o time titular Carlos Eduardo e Philippe Coutinho, um atuando pelo centro, outro atuando pela esquerda no jogo contra o Irã.
A função de armador centralizado, porém, foi o maior problema de Mano Menezes, apesar da vitória por 3 a 0. Com Carlos Eduardo caindo muito pelos lados do campo, Robinho passou a ocupar, em certa parte da partida, a função de organizar o time pelo meio.
Quatro dias depois, no amistoso contra a Ucrânia, Elias entrou no time no lugar de Philippe Coutinho. Passou a ser o armador pelo centro, com Robinho e Carlos Eduardo mais abertos. Mais uma vez, faltou um armador central. Elias, embora atue muitas vezes como meia no Corinthians, não preenche o espaço da mesma forma que Ganso.
Por isso, o treinador voltou a convocar, para o jogo contra a Argentina, Ronaldinho Gaúcho, há quase um ano e meio afastado da Seleção.
Tudo porque o ex-melhor do mundo exerceu esse papel no Milan e o técnico brasileiro acredita que ele pode ser o camisa 10 que a Seleção não tem com a lesão de Paulo Henrique Ganso. Com a volta de Neymar, resta saber quem ocupará o ataque, já que Pato está machucado.


