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Superação

O esporte é pródigo em histórias de superação. O suor deixado em campo, o esforço demonstrado em quadra, a força de vontade nos treinamentos muitas vezes surgem das maiores dificuldades que a vida pode impor. Do Canadá vem mais um desses casos.

Demitrius Omphroy, de 21 anos, foi selecionado pelo Toronto FC na segunda rodada de um dos drafts da Major League Soccer. Nascido nos Estados Unidos, filho de pai panamenho e mão filipina, estudou na University of California, Berkeley, defendeu seleções de base norte-americanas e recentemente foi convidado para integrar a seleção sub-21 do Panamá. Chegou, também, a treinar com os juniores do Sporting (POR), quando tinha 17 anos. Foi nessa época que apareceram os primeiros sintomas de sua doença.

Quando estava em Portugal, passou a ter problemas de visão e muitas dores em um dos pés. A pedido dos pais, voltou para casa, mas nada de grave foi diagnosticado. Trilhou sua carreira universitária e alcançou a glória pessoal ao ser escolhido pelo Toronto. Só que passadas duas rodadas da atual temporada da MLS, Omphroy ainda não estreou como jogador profissional.

Em fevereiro deste ano, pouco depois de ser selecionado no draft, as dores aumentaram e atingiram o pescoço também. Omphroy, então, passou por uma ressonância magnética e, levado a um neurologista, teve diagnosticada esclerose múltipla.

“Por mais piegas que possa parecer, a esclerose múltipla me impediu de assinar meu primeiro contrato, mas eu fui capaz de superar a doença, até agora, e ainda assinar um contrato profissional”, contou Omphroy, em entrevista ao New York Times.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica, auto-imune, que destrói as bainhas de mielina que recobrem e isolam as fibras nervosas, causando uma interferência na transmissão de impulsos nervosos. Leva a diversos problemas, como fraqueza muscular, rigidez articular e descoordenação motora. Com o passar do tempo, e o inevitável agravamento da doença, a pessoa passa a enfrentar problemas maiores, como insuficiência respiratória, decorrentes de todas as outras complicações.

“O mais preocupante é o fato de que você simplesmente não sabe o que vai acontecer a longo prazo. É muito incerto o que seu corpo pode acabar fazendo para você lidar. Não sei se algo vai acontecer de forma aleatória ou quando vou ter algo. Você simplesmente não pode prever”, explica.

Demitrius Omphroy tomou a decisão correta: seguiu com a vida. Não esqueceu dos seus sonhos e objetivos. Vai viver intensamente cada segundo que a vida lhe deixar. “Só terei que me esforçar um pouco mais nos treinos para ser notado pelo treinador. A esclerose múltipla não deve impedir você de viver sua vida ao máximo. Eu vou continuar”.

Omphroy, em sua apresentação pelo Toronto

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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