Sóbis: “Estou satisfeito nos Emirados”

No início deste ano, Rafael Sóbis foi cogitado para reforçar uma série de clubes grandes do Brasil. Mas, com espaço no Al-Jazira, o atacante ficou nos Emirados Árabes. Sóbis iniciou a carreira no Internacional, clube pelo qual conquistou a Libertadores em 2006 — o atacante marcou os dois gols do colorado na final contra o São Paulo no Morumbi. Depois da conquista, o gaúcho de Erechim foi para a Espanha, atuar no Bétis. Por lá, jogou 57 vezes e marcou 15 gols.
Em 2008, Sóbis foi comprado pelo Al-Jazira, dos Emirados Árabes, por um valor próximo de € 10 milhões. Nesta entrevista para a Trivela, Sóbis conta um pouco de sua passagem por todos esses clubes, e fala também das experiências na seleção brasileira e de seus planos para o futuro. Confira.
Como está a sua vida nos Emirados Árabes? A adaptação foi muito difícil?
A qualidade de vida é muito boa aqui em Abu Dhabi. Não posso reclamar de nada, muito pelo contrário. Eu tinha preocupação com minha família sentir mais, mas a adaptação foi bem rápida para todos e agora com os dois filhos aqui também está sendo ótimo.
Com relação a qualidade de vida, quais as vantagens que você vê nos Emirados Árabes?
A qualidade de vida é muito alta. Moro em um bom lugar, no clube tenho a estrutura, a cidade é fantástica. Você não vive com aquela preocupação que se tem em alguns lugares, de sair na rua e correr o risco de ser assaltado. É muito bom de se viver aqui.
Como é o nível do futebol do país? Sente muita diferença com relação ao Brasil?
É bem diferente do Brasil, pela questão de número de jogos e a preparação, que é outra. Mas a vantagem é que nossa comissão técnica é brasileira, com o Abel, então já ajuda bastante. O nível do futebol está crescendo aqui, até por Abu Dhabi sediar o Mundial, e os clubes estão investindo.
Como você avalia sua passagem pelo Bétis?
Acho que foi uma passagem de momentos diferentes. Tive uma fase boa, com sequência, mas também tive problemas com um treinador que não me escalava tanto. Mas gostei muito de jogar na Espanha. É uma grande Liga.
No final de 2009 e no início de 2010, seu nome foi muito falado aqui no Brasil como a possível grande contratação de clubes importantes. O que teve de concreto? Algum clube chegou a conversar com você?
Ocorreram muitos contatos. Vários clubes procuraram meu empresário. Até houve a possibilidade de eu ser emprestado, já que as vagas de estrangeiros estavam ocupadas aqui, mas aí um deles machucou e fui inscrito. O pessoal do clube gosta muito de mim e isso me faz sentir bem. Então fiquei feliz pelo reconhecimento de vários clubes do Brasil, mas também tenho muito prazer de jogar aqui.
Você tem vontade de voltar a jogar no futebol brasileiro?
Prefiro deixar acontecer tudo na carreira. Talvez nunca imaginasse que fosse jogar nos Emirados, mas hoje estou aqui e bem satisfeito. Um dia acho que devo voltar ao Brasil, mas não é algo que eu planeje ou fique ansioso para que aconteça. Vamos deixar acontecer.
Relembrando seu período no Internacional, é possível dizer que a conquista da Libertadores foi o grande momento da sua carreira?
Pelo título, foi um grande momento sim. Conquistar um campeonato que o clube tanto sonhou e podendo fazer dois gols no jogo do Morumbi não tem como descrever. Sou muito grato ao Inter por tudo que me deu e acho que consegui retribuir ajudando na Libertadores. Mas também ter jogado na Seleção e ter atuado numa liga como a da Espanha marcam na carreira. Não tenho do que reclamar.
Em ano de Copa do Mundo, é impossível fugir do tema. O que você espera do Mundial? Quais são as seleções favoritas na sua opinião?
Brasil sempre é grande favorito. Dunga está fazendo um belo trabalho e por ter vivido no ambiente algumas vezes, se vê que todos estão dispostos a vencer. Acho que a Espanha já teve alguns tropeços e pode ter aprendido com isso pra chegar forte na Copa. E tem mais os tradicionais… Itália, Alemanha, Inglaterra.
Você chegou a ser convocado para a seleção algumas vezes e, inclusive, disputou os Jogos Olímpicos. Por que, na sua opinião, o Dunga parou de te convocar?
Bom, eu tive a lesão no meu joelho e parei meio ano em 2009, então isso com certeza colaborou. E estar no futebol dos Emirados não tem a mesma exposição que em outros lugares. Mas foi opção minha e sabia que corria esse risco. Não fico chateado com o Dunga nem nada. Muito pelo contrário, sempre foi um cara que me deu força e acho que quem está na Seleção merece.
Para terminar, quais são seus planos para 2010?
Espero disputar o Mundial em Abu Dhabi… Temos a chance ganhando o título nacional ou a Liga da Ásia. Esse é meu grande desejo. Estou bem depois da volta da lesão e agora quem sabe consiga atingir esse objetivo.


