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“Sempre sonhei em jogar no Brasil”

Em dia de mais um confronto decisivo entre Fluminense e LDU, é impossível não recordar a final da Copa Libertadores de 2008. A vitória nos pênaltis em pleno Maracanã consagrou a LDU como o primeiro time equatoriano campeão do torneio mais importante do continente. Joffre David Guerrón Méndez estava lá e, mais do que isso, foi eleito o melhor atleta da competição.

Agora no Cruzeiro, o meia-atacante conversou com Trivela e falou de tudo: carreira, o título da Libertadores, o atual momento no Cruzeiro, a seleção de seu país e, claro, a final de hoje entre LDU e Fluminense.

Como foi seu início de carreira? Conte um pouco do seu começo no Aucas e nas seleções de base do Equador.
Eu tinha 10 anos quando fui aprovado para jogar no Aucas. E aos 16 subi para os profissionais. Mas no começo eles me revezavam entre o time sub-20, sub-18 e, às vezes, o time principal. Depois fui para a seleção sub-20 no Sul-Americano do Uruguai (em 2003). A seleção tinha muitos jogadores renomados e eu era o mais jovem, com apenas 16 anos. Depois desse torneio eu voltei ao Aucas, já na equipe principal e titular. Teve mais um Sul-Americano sub-20 na Colômbia (em 2005) e depois aconteceu a proposta do Boca Juniors. A experiência no Aucas foi maravilhosa para mim.

Em 2005 você foi para o Boca. Como foi sua passagem pela Argentina?
O Boca é um clube muito grande e eu aprendi muito por lá. Na verdade foi onde eu mais aprendi, onde mais consegui experiência. Eu ficava no time reserva, mas treinava com os titulares. Foi uma experiência muito boa para mim.

Quando você voltou ao Equador, foi para a LDU e conquistou títulos muito importantes. Qual era o segredo daquela equipe campeã da Libertadores?
Quando eu fui para a LDU, foi bom, mas o primeiro ano foi complicado. Às vezes eu jogava uma partida, mas não entrava no jogo seguinte. A equipe da LDU era muito boa, com grandes jogadores. Era muito difícil entrar no time.
E a equipe campeã da Libertadores de 2008 era muito boa, com jogadores jovens. Era um grupo que tinha muito desejo de algum dia conquistar um título internacional.

E como foi a campanha da equipe no torneio? Quais foram os momentos mais marcantes?
A cada jogo da Libertadores a equipe correspondia. Fomos melhorando durante a competição, fase por fase. E depois nos demos conta de que poderíamos ganhar. Na partida contra o San Lorenzo — pelas quartas de final—, o jogo foi para os pênaltis e ali pensávamos que poderíamos perder. Mas graças a Deus vencemos e seguimos em frente. Um passo era mais difícil do que o outro. Mas sabíamos que podíamos e seguíamos lutando. Todo o povo equatoriano nos apoiava e isso foi uma motivação muito grande para nós.

Além de vencer a competição mais importante do continente, você foi eleito o melhor jogador do torneio. Qual foi a sensação dessas conquistas?
Foi a melhor coisa que aconteceu na minha carreira até agora. Foi o primeiro título equatoriano na Libertadores e eu estava lá, jogando. Esse sempre foi meu sonho, e se tornou realidade. Foi um ano muito feliz para mim. Ser eleito o melhor jogador da competição completou um ano super redondo, cheio de alegrias. Foi um ano em que fui muito feliz.

Depois da Libertadores, você foi para a Espanha, jogar no Getafe. Como foi sua passagem por lá? Tem vontade de voltar para Europa?
Com certeza quero voltar a jogar na Europa. A experiência no Getafe foi muito boa. Foi a minha primeira vez na Europa e lá a cultura é diferente, tudo é muito diferente. Foi uma experiência muito boa para mim.

E por que você trocou a Espanha pelo Brasil? O que te chamou a atenção no futebol brasileiro?
Eu sempre tive o sonho de jogar no futebol brasileiro. Desde pequeno eu sempre quis jogar aqui. Eu torcia pela seleção brasileira, pelos grandes jogadores daqui. Graças a Deus meu sonho se tornou realidade.  

Como você está se sentindo no Cruzeiro? Já está adaptado ao futebol do país?
O Cruzeiro é uma coisa muito boa para mim. É uma instituição muito grande, vejo como as pessoas daqui vivem o futebol, apóiam sempre. Eu estou muito tranquilo e feliz. Espero ir bem na minha carreira por aqui.

Quais são as características que mais lhe agradam no futebol brasileiro?
O futebol brasileiro tem muitas coisas diferentes dos demais. Gosto da habilidade do futebol brasileiro. Também de como se vive o futebol por aqui.

A LDU está próxima de ganhar a Copa Sul-Americana. O que você tem a dizer sobre essa final entre LDU e Fluminense? Quais são as principais qualidades desse atual time da LDU?
Eu acho que esse time da LDU é parecido com o do ano passado. É um time muito bom, com grandes jogadores. Hoje a LDU é caracterizada por ser um time experiente e muito compacto. Estão jogando da melhor maneira. Mas, mesmo com a grande vantagem que a LDU tem, acho que vai ser um ótimo jogo, muito difícil. Vai ser uma partida boa para ver.

Você acha que jogar na altitude faz muita diferença para quem não está acostumado?
Eu acho que sim. Pode faltar ar para quem não está acostumado e sobe para jogar na altitude. Na verdade, é muito difícil jogar lá para uma equipe que vem de fora.

Depois de duas Copas consecutivas, a seleção equatoriana ficou fora do mundial da África do Sul. O que fez a equipe não se classificar?
Acho que o Equador tinha um time muito bom, mas não é só um bom time que faz você chegar à Copa. Tem outras coisas que um time precisa ter para chegar lá. E isso faltou ao Equador. É uma série de pequenas coisas que não se soube administrar com cautela e tranquilidade. Mas acho que o Equador tem grandes jogadores, e espero que em 2014 a gente volte para a Copa.

De uns anos para cá, o futebol equatoriano evoluiu muito. Ao que se deve essa evolução?
Eu acho que a classificação para a Copa do Mundo de 2002 foi muito importante, porque abriu portas para mostrar que o jogador equatoriano tem qualidade para jogar nas grandes ligas do mundo. A partir daí, os jogadores foram saindo do país, foi o caso do Edison Méndez (que atuou em equipes do México e no PSV, da Holanda), o Espinoza (que jogou no Monterrey, do México, e no Vitesse, da Holanda). Muitos atletas saíram e abriram espaço para que outros jogadores também saíssem do país. Os times de fora começaram a se interessar pelos jogadores equatorianos. Agora temos muitos equatorianos jogando fora e isso é muito importante para que continuemos crescendo e criando espaço para quem vem depois da gente.

Qual futuro você projeta para o futebol equatoriano, especialmente para a seleção?
Penso que o Equador tem muitos jogadores fora do país e isso é muito bom. Está nas mãos da direção técnica de ver bem, escolher bem e levar o Equador para a próxima Copa. Todo mundo sabe que o Equador tem bons jogadores e pode fazer uma boa campanha nas eliminatórias.

Quais são os seus planos profissionais para 2010?
Quero trabalhar muito bem e fazer uma ótima temporada pelo Cruzeiro. Desejo fazer as coisas bem feitas por aqui e depois voltar a jogar nas grandes ligas da Europa.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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