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Quando as Eliminatórias ainda estavam sendo disputadas, cada jogo da Argentina sob o comando de Maradona era uma surpresa. Nunca se sabia qual seria o time, quem seriam os jogadores e qual seria o esquema tático.

Maradona precisou de muitos jogos para definir como a Argentina jogaria, com dois ou três zagueiros, em linhas de quatro, com o chamado “enganche” fazendo a ligação com o ataque e uma questão que parece fundamental para a seleção: onde joga Lionel Messi.

O técnico estreou à frente da Argentina em um amistoso contra a Escócia, em 19 de novembro de 2008. Naquele dia, atuou no esquema que viria a ser o seu preferido: o 4-4-2 com duas linhas de quatro e dois atacantes. Mas o técnico variou para o esquema 3-4-1-2, com três zagueiros e um meia responsável pela criação de jogadas, 3-4-3, abrindo atacantes pelos lados do campo, 4-2-2-2, com dois volantes recuados e dois meias ofensivos, e também para 4-3-1-2, com quatro zagueiros atrás, três jogadores compondo meio-campo e um meia de ligação.

Foram oito jogos sob o comando de Maradona nas Eliminatórias da Copa. Contando apenas esses jogos, o comandante albiceleste usou quatro esquemas táticos diferentes – um a cada dois jogos. Nos oito jogos, Maradona só não mudou o esquema de um jogo para o outro uma vez: contra o Equador, fora de casa, quando foi derrotado por 2 a 0, usou o 4-4-2 com duas linhas de quatro e contra o Brasil, em Rosario, quando foi derrotado por 3 a 1, no jogo que a Seleção Brasileira garantiu a vaga na Copa do Mundo. De um jogo para outro, porém, o técnico mudou os jogadores que começaram a partida, mesmo sem mudar o esquema tático.

No jogo seguinte, penúltimo das Eliminatórias, Maradona mudou novamente o esquema e os jogadores. Sofreu, mas venceu o Peru no Monumental de Nuñez por 2 a 1, com um gol nos acréscimos do atacante Martín Palermo – que irá à Copa do Mundo. No jogo seguinte, um adversário muito duro fora de casa: o Uruguai. E Maradona voltou ao esquema que mais vezes usou, ainda que sempre com jogadores diferentes: o 4-4-2 à inglesa, com duas linhas de quatro, com dois jogadores centralizados no meio campo e dois “pontas”. Foi exatamente nesse jogo que o esquema de Maradona passou a ser mais definido, até pelo resultado conseguido: vitória por 1 a 0 em Montevidéu, vaga direta na Copa, jogou o Uruguai para a repescagem e ainda aproveitou para desabafar e proferir palavrões contra a imprensa.

A Argentina entrou em 2010 sendo uma incógnita. O esquema 4-4-2 era o mais provável, mas a instabilidade do técnico mudando o esquema e a fragilidade da equipe sugeria que isso ainda poderia mudar. Ainda assim, era possível apostar em alguns nomes, como Martín Demichelis no centro da defesa, Javier Mascherano, o capitão, no centro do meio-campo. No ataque, Lionel Messi sempre foi o nome certo, ainda que com atuações abaixo da expectativa. Jogadores como Juan Verón e Jonas Gutiereez, pelo que apresentaram em campo e pela fidelidade do técnico,p eram presenças prováveis no time.

O amistoso do dia 3 de março contra a Alemanha foi o segundo marco do esquema do camisa 10 mais famoso da Argentina. Contra a Alemanha, em Munique, a Argentina fez o seu jogo mais consistente sob o comando de Maradona. O time foi sólido e conseguiu uma boa atuação frente aos alemães na casa do adversário.
No gol, fixou Sergio Romero, do AZ, mesmo com críticas sobre o goleiro. Depois de testar vários laterais, Maradona decidiu por usar uma linha de defensores formada, basicamente, por zagueiros. Nicolas Otamendi, do Vélez, fica como lateral direito, depois de atuar alguns jogos com Maradona no centro da zaga. Na lateral esquerda, outro zagueiro: Gabriel Henize, do Marseille. No centro, dois jogadores muito fortes: Martín Demichelis, do Bayern de Munique, e Walter Samuel, da Internazionale – ambos finalistas da Liga dos Campeões da Europa.

No meio-campo, o capitão Javier Mascherano, volante do Liverpool, é o único marcador e joga mais recuado. Ao seu lado, Juan Sebastian Verón, do Estudiantes, meia de origem, que atua também ajudando na marcação, mas sendo principalmente responsável pela criatividade e levar a bola à frente. Pelo lado direito, Jonas Gutierrez, do Newcastle, joga aberto com força e bom poder de marcação. No lado esquerdo, o habilidoso Angel Dí Maria, do Benfica, chega forte ao ataque e recompõe na marcação. No ataque, Lionel Messi teve a companhia de Gonzalo Higuaín, que ganhou a posição nos dois últimos jogos da Argentina nas Eliminatórias – marcando um gol, inclusive.

Foi com essa formação que a Argentina dominou boa parte do jogo e conseguiu vencer a Alemanha, em um gol de Higuaín. A defesa mostrou-se sólida, com dois zagueiros de alto nível e laterais que fecham os lados do campo. No meio, a maior deficiência argentina é que há apenas um marcador e Verón não deve aguentar jogos intensos na marcação até o final. Mas, por outro lado, ofensivamente o time ganha opções pelos lados e um Verón em boa fase no meio. Maradona disse que dará liberdade para Messi se movimentar e Higuaín fica mais adiantado.

O técnico ainda terá excelentes opções no banco de reservas. Sergio Aguero, Carlos Tevez, Diego Milito e Martín Palermo oferecem ao técnico diferentes formas de jogar e com capacidade de mudar a partida. E de um time bagunçado nas eliminatórias, em crise com a imprensa e com Messi, o melhor do mundo, a Argentina pode chegar à Copa do Mundo com um esquema tático pragmático, mas forte para enfrentar qualquer seleção da elite do futebol.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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