Sandro: “É um momento único do Tottenham”

Jogar na Inglaterra é um grande desafio para qualquer jogador de futebol. Possui muita visibilidade e é considerada umas das mais fortes do mundo, se não a mais forte. Nesse cenário, poucos brasileiros conseguiram ser bem-sucedidos lá, mas o volante Sandro já chegou com moral.
Depois de passar pela Seleção sub-20, ser campeão da Libertadores pelo Internacional e figurar na Seleção Brasileira principal, o volante desembarcou em Londres sendo comparado pelo técnico Harry Redknapp a Sócrates, que marcou época pelo Corinthians e com o Brasil em Copas.
Apesar de achar a comparação estranha, o mineiro de Riachinho ficou feliz e contou à Trivela sobre sua vida na Inglaterra, Seleçã e sobre o bom momento do Tottenham, que deu um grande passo para eliminar o poderoso Milan na Liga dos Campeões e sonha alto na Inglaterra. Aliás, Sandro conversou conosco de Milão, minutos após desembarcar na cidade, no dia anterior à vitória dos Spurs por 1 a 0 sobre os rossoneri, quando ele foi titular no meio-campo do time.
Desde que você se mudou, o que tem sido mais difícil para se adaptar à vida em Londres?
O mais difícil? Ah, o mais difícil é a língua.
O Gomes tem te ajudado?
O Gomes é o meu braço direito aqui! Ele me ajuda a traduzir as coisas. Sem ele por aqui, eu estava no escuro.
Você sentiu diferença do futebol que é jogado no Brasil para o jogado na Inglaterra?
Senti sim. Aqui o futebol é mais rápido, mais forte, bem diferente do Brasil.
E o tipo de treinamento?
Também, também, muda bastante. Geralmente aqui tem pouco coletivo, tem mais treino físico. Lá no Brasil é diferente, todo dia tem treino mais tático, aqui não. Mas isso é tranquilo, eu gosto desse tipo de treinamento também.
Além do Gomes, tem mais alguém que você se aproximou do time?
Tem o [Wilson] Palacios. A gente fala um espanhol aí, fluentemente, ou a gente tenta, né? (risos)
Quando você chegou, o técnico Harry Redknapp te comparou com o ex-jogador da Seleção Sócrates. O que você acha dessa comparação?
Ah, cara, eu achei estranha a comparação, né? Vindo dele, então, acho que ele vê alguma qualidade em mim, mas eu acho que não tem nada a ver (risos). Mas fiquei feliz com a comparação. Fiquei muito feliz.
Sobre Seleção: você foi campeão do Sul-Americano sub-20 em 2009 e tem idade olímpica. Mais do que isso, a Olimpíada vai ser em Londres…
Do lado de casa, 15 minutos de carro (risos).
Você tem a expectativa de estar lá?
Com certeza! Eu estava torcendo muito para a Seleção, para eles irem bem, por eles, mas também pensando nas Olimpíadas. A garotada está de parabéns, fez um excelente torneio, mais do que merecidamente foram campeões. Agora é pensar nas Olimpíadas depois desse título e trabalhar pensando em 2012.
Com sua experiência na sub-20 e no time principal, acha que pode ser um líder nesse time?
Eu acho que sim, mas também tem vários outros jogadores com idade olímpica que podem ser líderes na Seleção olímpica. Mas me sinto preparado para estar lá e, se optarem por mim, fazer meu melhor.
Você tem sido nome frequente na Seleção, desde até antes com o Dunga, quando você foi deixado na lista de espera para a Copa do Mundo, e continua sendo chamado por Mano Menezes. Qual é a sua expectativa e o que falta para você ganhar mais espaço na Seleção?
Agora que eu estou tento frequência na Seleção, tenho entrado nos jogos, porque até então eu tinha jogado uma vez e agora já tenho tido várias outras oportunidades. Então, quando me dão oportunidade, eu tenho que dar o meu máximo, mostrar meu futebol e ganhar a confiança do Mano [Menezes]. Eu venho trabalhando aqui no clube, trabalhando bem, sempre tentando continuar na Seleção.
Você está disputando a Liga dos Campões pela primeira vez. Qual é a expectativa de vocês, não só sua, mas do time por ter chegado às oitavas?
O clima aqui está muito bom. Na história do clube, é um momento único. Nós estamos preparados, bem focados.
E qual é a expectativa de vocês para o resto da campanha? Acham que podem chegar à final, serem campeões?
Não sei como o grupo pensa, mas eu penso em cada jogo. Tem que pensar nesse jogo contra o Milan, fazer um belo jogo aqui na casa deles, porque é complicado jogar aqui, ainda mais contra o Milan. Primeiro conseguir um bom resultado aqui para lá em Londres usarmos o fator casa e seguirmos na competição. [o Tottenham venceu por 1 a 0]
No Campeonato Inglês o time está muito bem também. Vocês esperam conseguir novamente essa vaga na Liga dos Campeões?
Com certeza. O clube aqui está em uma fase maravilhosa, como eu disse. A gente está bem também no Campeonato Inglês e agora é manter a regularidade para ficarmos entre os quatro primeiro. Estamos entre os quatro agora, mas cada jogo é uma final para tentar chegar no campeonato e estarmos na Liga dos Campeões de novo.
Já que o Gomes foi a pessoa que te recebeu, ele te deu alguma dica para se adaptar mais rápido?
Ah, dica ele me dá demais! A gente conversa muito. Ele sabe que é difícil, pelo pouco tempo que eu estou aqui, ele tenta me passar as principais coisas dentro de campo e também fora de campo. Ele me ajuda a me sentir no Brasil, me sentir em casa.
Falando do seu início de carreira, você é mineiro de Riachinho, como você foi parar no sul, na base do Inter?
É uma história longa, eu de Riachinho indo parar em Porto Alegre. No início, eu fui jogar no Gama, morava em Brasília. Joguei no Gama no juvenil, fui tentar a vida em Curitiba, fiz alguns testes no Atlético Paranaense, não consegui, depois joguei em um time de empresários em Curitiba mesmo. Aí tive oportunidade de jogar no Londrina. Depois da Taça São Paulo que eu tive a chance de ir para o Inter, mas cheguei lá em teste ainda, mas graças a Deus deu tudo certo para mim. E assim começou minha vida.
Você virou titular do time ainda bastante novo. Como foi essa passagem da categoria de base para o profissional?
Foi uma fase maravilhosa. Eu me sentia preparado naquele momento, depois fui campeão sul-americano também pela Seleção, estava muito confiante. Cheguei lá, o Tite me deu confiança, e acabei dando certo, o trabalho também, com dedicação. Até hoje na minha carreira tenho essa provações a todo momento, mas é assim mesmo. Mas eu estou preparado, estava preparado.
Você já tem uma experiência internacional, além da Seleção sub-20. Estava no grupo que ganhou a Copa Sul-Americana em 2009 e foi um protagonista na Libertadores (2010). Isso ajuda na adaptação fora do Brasil?
Ajuda demais, ainda mais essas competições desse nível, com jogadores de nível muito alto. Tudo isso me ajudou também a estar por aqui, mostrar meu trabalho. Você chega com mais banca, com mais experiência por ter uma Libertadores no currículo, não é um título para qualquer um. Cheguei aqui bem, agora me preparo para jogar e seguir trabalhando para quando aparecer uma oportunidade, abraçar.
Muito tem se falado do [Gareth] Bale, que joga no Tottenham. O que você acha dele, um jogador que tem sido tão falado no mundo todo?
Ele é um jogador diferenciado, pela força que tem, a qualidade, a técnica também. Pela força de vontade também, é um cara que não tem jogada perdida. E quando ele coloca a bola na frente, não tem quem pegue. Um cara diferenciado mesmo, para mim é um dos melhores do mundo. Infelizmente ele está com um problema nas costas agora [Bale não viajou para Milão por estar machucado], mas se Deus quiser ele vai voltar logo para ajudar nossa equipe.
E você já o marcou em treinos?
Rapaz, eu passo é longe dele! Quero é distância. (risos)


