Samba no Vietnã (Parte II)

Uma das estrelas da V-League, o atacante brasileiro Késley Alves é um dos destaques do líder Binh Duong, que está próximo de conquistar o bicampeonato nacional. Faltando duas rodadas para o desfecho da Liga, o clube de Thu Dau Mot está na ponta com três pontos de vantagem sobre o vice-líder Hai Phong. O avançado goiano também esclarece os rumores que a imprensa vietnamita veiculou sobre uma possível naturalização para defender a seleção local – Seria mais um depois que o goleiro Fábio Santos obteve a nacionalidade este ano.
O seu Binh Duong lidera, mas é curioso ver que duas equipes que vieram da segunda divisão estão entre os primeiros na V-League. Qual qualidade você vê no Hai Phong e no The Cong para estarem tão bem?
Aqui todas as equipes que sobem começam bem e depois caem de produção. No caso do Hai Phong e do The Cong, eles estão mesmo surpreendendo, eu acho que eles têm uma boa defesa e não levam muitos gols. É um dos motivos para eles estarem bem. O campeonato estava embolado até algumas rodadas.
Quais as maiores dificuldades para se adaptar ao estilo de jogo no Vietnã?
Tem que ter muita força por que aqui tem muito contato, outra dificuldade são alguns esquemas dos treinadores, e a cultura deles também. Aqui existe treinador que você não pode sequer tentar explicar alguma coisa pra ele que ele até te tira do treino como é o caso do nosso treinador (Le Thuy Hai). Se o jogador não consegue se comunicar com o técnico fica difícil trabalhar. Estamos em outro país com uma cultura muito diferente que às vezes atinge até o futebol, é uma pena.
Acha que o fato de ser mais alto e mais forte que a maioria dos jogadores vietnamitas facilitou seu sucesso na V-League?
Claro que ser mais alto e mais forte do que alguns jogadores daqui ajuda um pouco, mas eu acho que não foi só por isso que eu me destaquei. Tudo depende do momento, tem hora que você se sente muito bem fisicamente, mentalmente, tecnicamente e consegue se destacar entre os outros jogadores. Eu sempre trabalho muito forte, com dedicação e amor no que eu faço, estou sempre pronto para superar todas as dificuldades que existem.
Por que você não jogou a Champions League Ásiática 2008?
Eu estava inscrito, mas infelizmente me machuquei e não pude jogar. Depois da minha lesão o clube poderia até me trocar por outro, mas jogaram somente com dois estrangeiros esperando que eu pudesse voltar antes de acabar a competição, mas não deu.
Acha que sua equipe se concentrou somente na disputa da Champions League Asiática e por isso demorou pra deslanchar no campeonato nacional?
Não, o nosso time pelo que eu percebi na Champions League, não estava muito concentrado, senão teria um melhor desempenho, os jogadores estavam cansados por que tinham que conciliar com os jogos do campeonato nacional, são muitas viagens. Demos uma caída na tabela da V-League por causa do cansaço, mas agora já recuperamos e creio que daqui pra frente nos últimos jogos vamos dar tudo para ganharmos!
Você sentiu que ainda falta muito para uma equipe do Vietnã bater de frente com times de países mais expressivos da Ásia?
Os meus companheiros me disseram e eu também assisti pela televisão que todos os jogos pela Champions são difíceis, mas eu acho que se o nosso treinador fosse um pouquinho mais inteligente como os de outros países, poderíamos ganhar alguns jogos. Teve partidas que começávamos ganhando e no segundo tempo o adversário virava o jogo. Tem time aqui que pode sim bater de frente com times do Japão, China, Austrália etc. Só falta ter um bom treinador, e saber segurar o resultado quando estiver ganhando, só isso…
Você deseja jogar pela seleção do Vietnã? Já conversou com o técnico Henrique Calisto sobre isso?
Eu ainda não me interessei em jogar na seleção daqui por que se eu estivesse interessado já estaria há muito tempo. Mesmo antes de o Calisto assumir o comando, há uns dois anos, eles já me convidavam e ainda convidam. Hoje, não penso em jogar na seleção vietnamita por muitos motivos. Se eu aceitar fica difícil porque aqui você pode ter apenas um passaporte e aí eu teria que cancelar o meu passaporte brasileiro. Tem outros motivos também que prefiro não comentar.
Os jogadores brasileiros são muito respeitados ou os vietnamitas se sentem invadidos e há conflitos, inveja e ciúmes?
Em alguns times aqui somos muito valorizados, mas sempre existe alguns vietnamitas que sentem ciúmes dos estrangeiros, principalmente dos que ganham mais do que eles (risos). Essa é a maior birra que alguns jogadores e treinadores tem pelos estrangeiros aqui. Alguns técnicos até falam que os estrangeiros ganham mais do que os vietnamitas então tem que treinar mais (risos).
Os torcedores são violentos? Quais os locais mais difíceis para jogar na V-League?
Aqui não se vê muita violência nos estádios, mas existem algumas cidades que são difíceis de se jogar, por exemplo, na casa do Hai Phong e no campo do
Thanh Hoa, mas no final acaba tudo bem. De vez em quando sai algumas confusões, mas nem se compara com as torcidas do Brasil ou de outras partes.
Conte-nos algum caso engraçado que aconteceu com você pela cidade ou no dia-a-dia dos treinos e jogos.
Aqui existe muito caso engraçado, um que acontece com frequência, quando vou ao mercado ou algum restaurante, existem torcedores que estão bebendo. Eles sempre me chamam para brindar com eles só uma taça de cerveja, mas como eu não bebo nada que tenha álcool eu peço pra eles comprarem uma coca pra brindar com eles, e aí alguns ficam chateados por que eles querem que eu beba no copo deles (cerveja). Eu insisto e no final eles acabam pedindo uma coca-cola pra brindarmos (risos). Ás vezes eu só comprimento eles, peço desculpas e vou embora sem brindar (risos).
O que é mais atraente na mulher vietnamita?
Bom, a minha esposa é daqui. Os olhos, a boca, o sorriso, o cabelo, o jeito, acho que tudo (risos).


